• Paulo Buchsbaum

Sociedade moderna: império do mimimi


Setores da sociedade se manifestaram contra o talentoso e simpático ator Matt Damon.

Acusaram-no de whitesplaining, referente a um episódio de 2015, relativo à escolha de um produtor para rodar um determinado filme no Projeto Greenlight, que objetiva premiar o talento de produtores novatos.

E Matt Damon até se sentiu compelido a pedir desculpas publicamente diante do episódio.

O que significa esse bizarro neologismo?

Whitesplaining se dá quando uma pessoa branca explica ou comenta alguma coisa sobre negros ou racismo de um modo muito confiante, condescendente, ou excessivamente simplificado, da perspectiva do grupo que ele se identifica, no caso, o grupo dos brancos, daí o prefixo white. O sufixo splaining é uma corruptela pejorativa de explaining (explicando). Ou seja, whitesplaining quer dizer, em tradução livre, brancos "explicando".

Existem neologismos similares para outros grupos discriminados. Por exemplo, mansplaining corresponde ao mesmo conceito relativo a homens falando sobre mulheres ou feminismo, ablesplaining é relativo a pessoas sem deficiência falando sobre deficiência ou pessoas com deficiência, straightsplaining refere-se a heterossexuais se referindo a qualquer tema LGBT, etc.

No entanto, se você vê a cena toda, aparece o Matt Damon debatendo sempre de forma muito educada com Effie Brown, sua colega negra de programa, que também participa do grupo decisório, junto com outros astros de Hollywood:

O único pecado de Matt Damon foi o fato de ele estar manifestando uma opinião discordante à dela.

A discussão se deu em relação ao desejo de Effie Brown escolher um par de produtores, um homem vietnamita e uma mulher, baseado ao fato deles pertencerem a minorias, que se identificariam melhor com um dos personagens do filme, uma prostituta negra chamada Harmony.

Por outro lado, Matt Damon estava focado apenas em escolher o produtor mais talentoso, independente dessa questão. Aqui não vale à pena discorrer qual lado tinha razão. As duas partes tinham opiniões diferentes, participavam do processo de escolha e manifestaram-na. Quem vê o vídeo até nota que Effie Brown interrompeu a fala de Matt Damon mais de uma vez, nunca o oposto.

Isso tudo é uma tentativa tosca de criar um rol de assuntos proibidos para um integrante de um grupo "hegemônico” (brancos, homens, heterossexuais, etc.), uma vez que tudo que um integrante de um grupo "privilegiado" fale sobre sua contraparte pode ser interpretada como Xsplaining, sendo X o grupo oposto ao grupo discriminado.

Não nego que possam existir situações onde alguém "X" fala sobre "não X" de forma bem simplificada, condescendente ou muito confiante, mas são qualificações muito subjetivas para serem usadas para crucificar alguém. Além disso, temos questões muito mais sérias a tratar no mundo do que tentar qualificar a fala de alguém com um ou mais desses adjetivos.

Acho que combater preconceitos como racismo é o dever de cada um de nós. No entanto, é lastimável criar melindres para inibir uma pessoa de manifestar uma opinião, só porque a outra parte pertence a uma minoria com um histórico de discriminação. Se a história fosse invertida, ou seja, se Matt Damon fosse negro, Effie Brown fosse branca e eles empregassem as mesmas palavras, não haveria, segundo esses patrulhadores, nenhum tipo de problema. É como se alguém pertencente a uma minoria tivesse que ser protegida contra qualquer opinião contrária, independente do mérito de cada um.

Para terminar, um vídeo humorístico para mostrar, pelo exagero, o que poderia acontecer quando alguém leva o patrulhamento do politicamente correto às últimas consequências.

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Paulo Buchsbaum é alguém muito conectado a todas as grandes questões da atualidade, navegando em áreas tão distantes como Economia, Exatas e Psicologia. Ele atua como consultor de negócios e empreendedor, mas tem paixão por escrever, já tendo 3 livros lançados. Seu site é www.negociossa.com

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