• Maria Claudia

Resenha do livro O ÚLTIMO SOPRO DE VIDA de Paul Kalanithi


Apesar de não ser meu tipo de leitura, ganhei o livro e simplesmente resolvi ler. O que realmente despertou minha curiosidade foi a possibilidade de poder saber como um médico brilhante, que lida com a morte frequentemente, de repente se vê diante de uma cruel inversão de papéis: num dia era o médico tratando de pacientes com problemas graves, no outro era o paciente lutando pela própria sobrevivência.

E foi isso que aconteceu com o autor do livro, Paul Kalanithi, aos 36 anos, quando foi diagnosticado com um câncer incurável. Neurocirurgião brilhante com uma veia de escritor, ele resolve então rascunhar um livro contando como passou de médico para paciente, como foram as tentativas de tratamento, remédios, opções alternativas, os momentos de negação, de aceitação, de raiva... Sua narrativa é honesta e pungente, mas, ao mesmo tempo, poética e delicada. Amante da literatura e da filosofia, Paul desde sempre buscou entender a relação entre a vida e a morte, a identidade e a consciência, a ética e a virtude. Ao dar a notícia para um amigo, já mostrou como pretendia lidar com a nova realidade: “A boa notícia é que já vivi mais do que (Emily) Brontë, (John) Keats e (Stephen) Crane. A má notícia é que não escrevi nada”.

É uma autobiografia que não fala só de doença e morte, também nos mostra como ele encarava a Medicina no início do curso, como sua percepção mudou ao longo do tempo em que lidava com uma realidade em princípio dura, mas que foi se tornando um lugar-comum e como mudou novamente quando se tornou um doente terminal.

Enfim, não houve lágrimas, o livro não foi escrito de uma maneira que nos deixe ficar deprimidos. É claro que é triste e o tema é bem pesado, mas me parece que o autor quis mesmo é nos dar uma oportunidade de observar as reflexões de alguém que viveu os dois lados do câncer...

Paul morreu em março de 2015. Deixou uma filha de oito meses concebida durante a doença e o manuscrito inacabado deste livro. Quem escreveu as páginas finais e encaminhou o texto para publicação foi sua esposa, Lucy, também médica, atendendo ao último desejo do marido.

Foto : arquivo pessoal

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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