• Maria Claudia

Resenha do livro PROVENCE - O LUGAR ONDE SE CURAM CORAÇÕES PARTIDOS – BRIDGET ASHER


Gosto de livros onde consigo viver uma vida que nunca vivi, onde tenho alguma sensação que parece que já tive, mas que não sei precisar nem onde nem quando, onde penso ser outra pessoa e até tentar agir como ela e/ou consertar seus pensamentos e ações tamanha é a minha identidade com a história... Mas é claro que isso se deve muito mais ao autor do que a mim como leitora! Ainda mais se tratando desse livro: nunca fui à Provence, não sou mãe e nem viúva, mas vivi intensamente cada pedacinho dessa história de recomeço, de esperança diante das perdas e de amores intensos...

Esse romance começa com Heidi, a personagem principal, se preparando para ir ao casamento da irmã junto com o filho, depois de ter ficado viúva dois anos atrás. É claro que ir a um casamento é tudo que ela menos quer nesse momento, quando ainda vive um luto intenso que não quer passar, mas, não tem jeito, é sua única irmã, que resolveu oficializar agora um relacionamento de muitos anos... Lá na cerimônia ela fica sabendo que a casa da família na Provence, que é conhecida por todos como sendo ”mágica”, sofreu um pequeno incêndio e que sua mãe precisa que ela vá até lá para cuidar das reformas. Apesar de um pouco contrariada, Heidi aceita a sugestão e parte com o filho Abbot e a sobrinha Charlotte, uma adolescente de dezesseis anos, até à pequena aldeia de Puyloubier, no Sul de França, para uma casa de pedra já velhinha e rica em histórias de amor que tem sido responsável pela recuperação de corações partidos desde antes da Segunda Guerra Mundial e que a faz carregar a fama de ser encantada.

A meu ver é um excelente livro, muito bem escrito e que não deve ser dos mais fáceis de ler para algumas pessoas já que começa nos levando direto para dentro da dor da protagonista. Apesar desse aspecto triste é belíssimo, com personagens bem reais e muito bem construídos. Na verdade é uma história de amor, mais uma linda história de amor com muitas outras histórias de amor dentro dela!!! Ah, então tá, fica combinado que sou uma romântica incurável mesmo, gosto desse tipo de literatura, e esse livro aqui tem todos os ingredientes necessários: encontros e desencontros, volta ao passado, casos mal resolvidos e/ou mal explicados, sofrimentos e alegrias, maneiras diferentes de amar e ser amada (o), aquele encontro óbvio de que “vai dar samba”, mas que nunca acontece tão fácil assim, segredos e magias... Ah, não posso me esquecer de ressaltar que se passa na bela Provence, lugar que povoa os sonhos de cem entre cem românticos!!!

Falando assim parece mais um daqueles romances bobinhos, mas isso é tudo que ele não é: na primeira parte a narrativa nos fala da realidade de Heidi e Abbot, seu filho de apenas sete anos, que desenvolve um comportamento obsessivo-compulsivo (quer lavar a mão o tempo todo e tem muito medo de micróbios) após a morte do pai num acidente de carro e como os dois fazem uma espécie de jogo para terem sempre a lembrança dos momentos felizes vividos através de histórias, músicas e filmes. E nos mostra também como isso está distanciando-os aos pouco das outras pessoas, porque apesar de fazerem parte de uma família até bem unida, eles criaram uma vida como se vivessem numa espécie de bolha que excluía todo o resto: é claro que a culpa maior é de Heidi, Abbott é apenas uma criança que entrou no jogo meio paranoico da mãe. Nesta fase do livro vamos conhecer todos os elementos dessa família, com suas mazelas e suas maneiras de amar, além de vivenciar o comportamento, digamos “diferente”, que o sofrimento faz com que Heidi tenha a partir da sua repentina viuvez. É complexo tentar analisar isso, mas eu confesso que entrei tanto na personagem que sofri muito com ela, tentei entender e muitas vezes até “consertar” algumas de suas atitudes... Foi incrível o que a autora conseguiu fazer comigo durante a leitura! Como já disse no início, gosto quando acontece isso...

Na segunda parte, depois de persuadida pela mãe e irmã a cuidar e restaurar a casa da Provence, Heidi instala-se na histórica residência da família e ali três gerações colidem entre si, uma vizinha que conhece todos os segredos da família e um francês enigmático são introduzidos na trama e ela, Charlotte e Abbot iniciam uma viagem que passa pelo amor, pela dor, pela alegria e até pela deliciosa comida da Provence (no fim do livro tem até algumas receitas para quem gosta de cozinhar...). Nessa parte do livro teremos também muitas revelações e adorei principalmente a descoberta que Heidi fez acerca de si própria e também o fato de Charlotte, apesar de ser apenas uma adolescente, se tornar um bom exemplo do que o ser humano consegue fazer face às adversidades, como a maturidade vem quando, onde e de quem menos se espera (não posso falar mais sobre isso sem dar spoiler...).Enfim, de um modo despretensioso, é uma história densa sobre sentimentos, que me cativou do princípio ao fim... valeu cada minuto de sua leitura!

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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