• Paulo Buchsbaum

Lula: Exterminador do Futuro em 2018?


Eu vejo o Lula como uma grande ameaça para o Brasil em 2018 e não estou falando isso porque se diz que os comunistas têm fama de comer criancinhas.

Para começo de conversa, eu nem considero o Lula de esquerda. Lula é apenas o Lula. Um líder personalista que usa do carisma e até da sua verve simplória, mas populista, para se aproximar das pessoas.

Além disso, durante seu governo ocorreu o maior boom do Brasil desde a década de 70, uma vez que o réu condenado Antonio Palocci manteve o tripé econômico do Plano Real nos primeiros anos, restaurou a confiança no Brasil, que estava ameaçada em 2002 diante do risco Lula, e foi contemporâneo do maior rali que o mundo viveu desde o início da década de 70.

Nesse período, o PIB mundial cresceu à taxas superiores a 5% e as commodities foram às alturas. O Brasil também pegou os efeitos da crise de forma leve apenas em 2009. A partir de 2011, o PIB começou a desacelerar, marcando o início da desastrosa era Dilma, capitaneado pelo réu e escudeiro Guido Mantega, que consolidou a chamada nova matriz econômica, que terminou trazendo controle de preços e do câmbio, explosão de gastos, déficit na balança comercial, endividamento e, por fim, a recessão. Além de tudo, a expansão do Bolsa Família (que eu aprecio, ainda que pudesse ser aperfeiçoado) e a melhoria do salário mínimo, são outros fatores que contribuíram para a popularidade do Lula. O lado negro disso tudo é que a história tem mostrado que as quadrilhas, capitaneadas especialmente pelo PT, PMDB e PP, atuaram por muitos anos sem quaisquer percalços desde 2003, com boca de jacaré. A quadrilha do PSDB, ainda que pudesse atuar em alguns estados, perdeu espaço na maior parte dos postos de governo federal, mas depois voltou com força na gestão Temer.

Lula (e Dilma) se sentiram tão tranquilos e acima do bem e do mal, que até deram força para o MPF, com a dupla nomeação de Rodrigo Janot, primeiro da lista tríplice por 2 vezes, baseado em seu passado com um certo viés de simpatizante da esquerda, pela sua atuação na defesa do consumidor e do meio ambiente. Também fizeram uma nomeação técnica na Polícia Federal com Leandro Daiello, que se revelou uma ótima escolha. Não para eles, é claro. Até no STF, tirando a dupla Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, as nomeações dos ministros foram boas, uma vez que eram juristas de conhecimento notório, apenas com uma certa simpatia pelas causas de esquerda.

O que eles não contavam é que o circo fosse pegar fogo e que eles mesmos poderiam se chamuscar, e muito, com esse fogo. A equanimidade dessas nomeações terminou se voltando contra eles mesmos. Eles também não contavam que, uma vez nomeado, não se poderia removê-los como meros peões. O agradecimento pela nomeação, termina não superando a vontade de exercer o cargo de maneira independente. Enfim, o tiro saiu pela culatra. Aí o próprio Lula, por exemplo, naquela famosa gravação, se referiu ao Rodrigo Janot como mal agradecido.

A prova disso são os últimos dias do governo Dilma onde se meteu totalmente os pés pelas mãos, com a nomeação de 2 ministros da justiça, Wellington César Lima e Silva, que só ficou 12 dias e Eugênio Aragão; ambos procuradores de justiça, que foi uma óbvia transgressão da lei, além do cargo exigir que se faça o equilíbrio dos diferentes atores. Sem contar com a desastrada nomeação de Lula como ministro, para fugir de uma prisão aparentemente iminente. A agenda desses ministros era claramente uma afronta à independência dos poderes, como o próprio Eugenio Aragão escancarou nesse artigo. Lula será condenado em segunda instância em poucos meses. No momento, ele já é réu em 7 processos e tem pelo menos 3 a caminho.

Infelizmente, há várias possibilidades dos advogados de Lula encontrarem uma brecha no sistema judicial para permitir que Lula seja candidato à presidente em 2018, mesmo condenado em segunda instância por um colegiado de desembargadores. Se isso vier a acontecer, o mais provável é que ele não se eleja, diante da chuva de vídeos e documentos sobre os crimes de Lula, incluindo suas próprias mentiras e contradições. Tudo isso seria escancarado milhares de vezes durante a campanha. Todavia, caso ele se eleja e venha a ser presidente do Brasil pela terceira vez, estamos realmente com sérios problemas. Todos os processos contra ele serão paralisados, como por encanto, e, como Lula não é nem um pouco masoquista (raras pessoas são), ele fará de tudo, do possível ao quase impossível, para desmantelar qualquer traço de ameaça ao seu Status Quo. Para a imprensa, virá a perseguição sem tréguas; para a Justiça, virá o progressivo aparelhamento, em moldes similares ao que foi feito na Venezuela, mas de forma mais institucional; para o Congresso, virá a cooptação escrachada. A Democracia, como muito dizem, é um regime que não funciona direito, mas é bem melhor do que as opções. Com o Lula no governo solapando a independência dos três poderes para proteger sua pele e dos seus, perderemos sucessivamente os contrapesos que seguram uma Democracia de pé.

Quanto ao Congresso, ele seria apenas usado enquanto a Justiça não está totalmente domada, depois ele seria jogado fora, como uma camisinha usada. Aí ele inventaria algum esquema para precisar cada vez menos do Congresso (como eleger pessoas em listas fechadas e outros subterfúgios), até o Congresso se tornar totalmente servil ao executivo.

Teríamos uma Venezuela, talvez light, no Brasil, com certeza.

Pode ser que, diante desse quadro, os militares resolvessem intervir. Aí também seria ruim, pelo outro lado. Diante disso, por incrível que pareça, até o Bolsonaro, que eu detesto, já não me soa tão ruim. Se sobrasse só os 2 em um segundo turno, eu taparia o nariz e votaria em Bolsonaro, apesar de achar que ele também seja uma ameaça à Democracia (talvez um pouco menor que o Lula), por todas as suas atitudes e declarações pregressas. Esse é o quadro diante da possibilidade difícil, mas palpável, do Lula voltar pela terceira vez, sendo que nessa como um verdadeiro Exterminador do Futuro do Brasil.

Paulo Buchsbaum é alguém muito conectado a todas as grandes questões da atualidade, navegando em áreas tão distantes como Economia, Exatas e Psicologia. Ele atua como consultor de negócios e empreendedor, mas tem paixão por escrever, já tendo 3 livros lançados. Seu site é www.negociossa.com .

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