O Brasil precisa de um arrastão moral

01.12.2016

Recentemente circulou pelas redes sociais um vídeo repugnante. O CEO da maior rede de ensino do país contava que, em épocas de vacas magras, sua empresa tinha uma estratégia para usar consultorias sem pagar um tostão pelo serviço prestado. Em bom português, calote. A naturalidade com que ele contou essa malandragem, o sorrisinho no canto da boca, a cara de pau de se vangloriar de usar esse expediente durante uma palestra, tudo isso me chocou. Principalmente em se tratando de um executivo da área de educação. Para quem ainda não viu, segue o link :

 

http://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/5681217/ceo-maior-empresa-educacao-brasil-diz-como-trapaceava-consultorias-veja?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=Leonardo+Uller

 

Muito se tem falado sobre fraudes no ENEM. Entra ano, sai ano, a história se repete. Quadrilhas especializadas se inscrevem para fazer a prova, e assim que a saída é liberada partem para um local seguro de onde passam as respostas para seus "clientes". A tecnologia a serviço do crime. O Fantástico também exibiu uma reportagem onde se desvendavam tentativas de burlar o sistema de cotas.

 

Que o jovem tenha outras prioridades que não o estudo, pode até ser compreensível, ainda que errado. Que pessoas inescrupulosas enxerguem a venda de respostas das provas como um negócio promissor, ok, tem bandido pra tudo. Agora, o que dizer dos pais coniventes com esses crimes e de quem muitas vezes parte a idéia de realizá-los? Será que não percebem o mal que estão fazendo aos seus filhos? É preciso ser muito desprovido de valores éticos para optar pela mentira ou o pelo poder do dinheiro para se alcançar objetivos. Sem contar que agindo assim, estão sinalizando que não acreditam na capacidade daquele jovem! Criados para serem intolerantes à frustração, acabam tendo sua autoestima destruída justamente por quem deveria protegê-los.

 

É evidente que o Brasil precisa urgentemente de uma reforma política, reforma fiscal, reformas trabalhistas, reforma na Previdência. Porém, junto com isso, é preciso que venha um arrastão moral, uma mudança nos padrões éticos. Caso contrário, não há reforma que se sustente.

 

Suely Rosset

 

Sou paulista, casada, e tenho dois filhos:  o mais velho é piloto comercial e dono de uma empresa de aluguel de veleiros, o mais novo estudante de engenharia estagiando no mercado financeiro. Sou formada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, mas moro no Rio de Janeiro há mais de trinta anos.  Já trabalhei em metalúrgica, estatal, joalheria, tive meu próprio negócio e atualmente não trabalho.  Há alguns anos comecei a me interessar por política e hoje esse é um dos meus temas favoritos.  Costumo ler artigos do Rodrigo Constantino, Alexandre Borges, Felipe Moura Brasil e diversos autores do Instituto Liberal.  Em relação a partido político, me identifico com o Novo e sua ênfase no indivíduo, na meritocracia, na livre iniciativa, no respeito à propriedade privada e no desejo de um Estado menor e mais eficiente.

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