Um novo mundo à vista!

28.11.2016

Amigos, inicio esta jornada com um desafio bem interessante, escrever sobre cerveja. Para mim, mais do que um desafio é um prazer falar sobre cerveja. Quem me conhece pessoalmente sabe o quanto gosto de falar sobre cervejas.

 

A cerveja é uma paixão na maioria dos países do mundo onde o consumo de bebidas alcoólicas é permitido. No Brasil a cerveja é preferência entre a maioria daqueles que apreciam uma bebida alcoólica, chamada de paixão nacional.

 

Aqui em território tupiniquim se repete a preferência da maioria dos apreciadores de cerveja. A cerveja é sempre associada a loira estupidamente gelada, de preferência com uma camada de gelo na superfície da garrada, conhecido por muito com véu de noiva ou vulgarmente chamado também de “canela de pedreiro”. Além de muito gelada essa cerveja deve ser totalmente límpida. Se vier na caneca zero grau ajuda muito. A propaganda é de mulheres estonteantes em trajes mínimos. O consumo em geral acontece em grandes quantidades. A escolha da marca preferida acontece entre submarcas de uma marca maior. Vocês sabem muito bem de quem estou falando, né...

 

 Pois bem, meu principal objetivo aqui nesta coluna é apresentar a todos uma alternativa. Um mundo novo! Um mundo onde os paradigmas do que você conhece como cerveja sejam aos poucos colocados de lado e que seu horizonte cervejeiro se expanda. Novos aromas, novos sabores, novas experiências, novas formas de consumo, novas cores, novo formato! Sem propagandas com mulheres como símbolo sexual (ok, ainda existe muita esta relação, até mesmo nas micro cervejarias independentes).

 

Mas aí você pensa, lá vem aquele “cervochato” querer me ditar regras para eu beber a minha cerveja! Não, não! Esse não é meu objetivo! Não quero que ninguém “cuspa no copo em que bebeu”, mas sim que conheça alternativas e possa desfrutá-las.

 

O que venho neste espaço apresentar a todos são alternativas àquela loira estupidamente gelada. Claro, existem momentos que vamos beber as loiras estupidamente geladas e estaremos muito felizes com isso. Eu sou assim e recomendo a todos que não se privem de momentos como esse, pois a cerveja é uma perfeita companhia e independente do seu momento, sempre existe uma cerveja perfeita para acompanha-lo.

 

Primeiramente quero deixar claro que vou falar sobre cerveja. Cerveja artesanal, especial, gourmet, etc, é tudo denominação para se diferenciar das cervejas de massa (industriais) e com isso poder cobrar mais caro (claro que elas são mais caras, mas às vezes eu acho que são caras demais). O termo que acredito mais se aproximar desses jargões das marcas é a de cerveja artesanal. Mas não pense que a cerveja artesanal é feita por métodos de artesão propriamente ditos, tem maquinário envolvido e em muitos dos casos de tamanho e tecnologia que se equipara à de muitas cervejarias médias a grandes. Penso em uma definição dada por um dos maiores expoentes da cerveja artesanal e design de rótulos (desenhou os da marca paulista Colorado) Randy Mosher, onde ele afirma que cerveja artesanal é aquela em que a decisão sobre a cerveja cabe ao mestre cervejeiro, não à área financeira ou de marketing. Pode parecer algo simples, mas no dia a dia das grandes corporações multinacionais cervejeiras, esse conceito é real, onde o mestre cervejeiro é apenas parte da engrenagem e executa ordens de cima. Em uma micro cervejaria ele é a alma do negócio, testando ingredientes, processos e definindo o que será produzido ou não.

 

Mas a definição que mais gosto é de Garret Oliver, lendário mestre cervejeiro da cervejaria americana Brooklyn, onde afirma que a cerveja que ele faz deve ser chamado apenas de cerveja, no máximo de cerveja tradicional, pois fazer cerveja com os melhores ingredientes e da melhor forma é o que se faziam no passado, os cervejeiros atuais apenas replicam este modelo com um “pouco” mais de tecnologia.

 

No Brasil, embora seja um movimento recente, temos muitas cervejarias a nos orgulhar, embora em um ambiente hostil a novos pequenos negócios, temos cervejas de qualidade e com premiações internacionais. Cervejarias como Wals, Colorado, Amazon Beer, Bamberg, Bodebrown, Baden Baden, Eisenbahn, Backer, Mistura Clássica, Seasons, Labirinto, Heilige, dentre tantas outras já receberam diversas premiações internacionais, inclusive como a melhor cerveja do mundo em seu estilo, exemplo da Wals com a sua cerveja no estilo Dubbel (estilo belga) no World Beer Awards (espécie de campeonato mundial de cervejas).

 

Embora seja um movimento recente, nos últimos anos o número de cervejarias no Brasil cresceu de forma exponencial e hoje alcança aproximadamente 400 cervejarias (nada comparado ao número de quase 5.000 cervejarias americanas, mas tudo bem, eles têm quase 30 anos a nossa frente na cena cervejeira), muito impulsionado pelas cervejarias ciganas.

 

Cervejarias ciganas (nos EUA chamadas de Contract Brewery) são cervejeiros que alugam / compram espaço ocioso em outras cervejarias para produzir a sua cerveja. Desta forma ela não precisa ter o custo de montagem de uma fábrica de cervejas, mas também deixa com a fábrica contratada parte de sua margem de lucro.

 

Atualmente existem cerca de 150 estilos de cerveja catalogados em manuais oficiais pelo mundo, seja pelo BJCP (Beer Judge Certification Program) ou do BA (Brewers Association), ambos americanos. Mas pela criatividade dos cervejeiros, o número de estilos possíveis tende ao infinito.

 

Com tantos estilos, cervejarias, história, polêmicas e fãs, teremos nas próximas colunas uma interessante viagem por diversas matizes do movimento cervejeiro brasileiro e mundial. Aguardo todos na próxima coluna! Ah, e qualquer dúvida ou curiosidade, podem me enviar que respondo por aqui! Saúde!

 

Dica do dia: Vou sempre deixar uma dica de cerveja e harmonização. A primeira é da cervejaria cigana carioca Hocus Pocus, cultuada entre os fãs de cerveja por suas receitas. Minha dica é beber uma Magic Trap, cerveja do estilo Belgian Strong Golden Ale, apreciando um queijo Emental, olhando para o rótulo da garrafa e estar ouvindo Yes, The Doors ou Jethro Tull. Vai ser uma experiência única, podem apostar!

 

 

 

Rafael Pina é sócio proprietário do Serpentina Bar Artesanal, na Freguesia/RJ. É formado Sommelier de Cervejas pelo SENAC / Doemens Akademie, Análise Sensorial de Cervejas pela Academia Barbante de Cervejas / FlavorActiv, Tecnologia Cervejeira Básica pelo SENAI e é Mestre em Estilos pelo Instituto da Cerveja do Brasil.

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