Uma escola, para além das salas de aula: o cotidiano de uma ocupação

28.11.2016

Ocupar não é "baderna". Ocupar não é "coisa de vagabundo". Ocupar exige responsabilidades, direitos, deveres, solidariedade, amor e superação. Ocupar é resistência; é cuidar; é identidade. Ocupar é aprender (e entender), diariamente, o sentido de pluralidade e comunidade. Ocupar ensina. E muito.

 

A ocupação na Faculdade de Direito da UFF, atuante desde o dia 16 de novembro, tem representado para mim uma alternativa necessária às salas de aula hostis, hierarquizadas e conservadoras do âmbito jurídico; à uma cultura do ‘’aulismo’’ que limita as potencialidades e desenvolvimento individuais e coletivo.

 

Em uma Assembleia histórica para a Faculdade, com a participação de quase duzentos estudantes, foi deliberada a ocupação sem interrupção de aulas, a fim de fomentar o debate e mobilizar a comunidade acadêmica em torno da conjuntura política nacional, a partir da campanha de que ''Toda Aula é Pública''.

 

No oitavo período, vivo um momento único, de reflexão; uma oportunidade de pensar coletivamente sobre a concepção de democracia, cidadania, os projetos da Universidade Pública e o papel do estudante de Direito e do jurista na construção de uma sociedade onde sejamos, como disse Rosa Luxemburgo, humanamente diferentes, mas socialmente iguais.

 

Observo esses espaços, que surgem a partir do protagonismo estudantil - principalmente dos secundaristas -, como caminhos possíveis às lutas sociais em um cenário de crise de representatividade e criminalização dos movimentos populares. As recentes mobilizações contra a PEC 55/241, Medida Provisória 746 e o "Escola Sem Partido" reagem frente ao sistema educacional brasileiro, que cerceia liberdades, rejeita diferenças e reprime sonhos.

 

A forma como a juventude conquista reconhecimento e, mais do que isso, alcança o autorreconhecimento como sujeitos de direitos e partes integrantes de um corpo social,emana esperança. Houve um evidente empoderamento da juventude crítica, que ousa lutar contra as injustiças sociais.

 

Assim, consolidada na luta pedagógica e na ideia de educação transformadora, a ocupação constitui-se, em sua essência, como uma escola, para muito além das salas de aula: escolas que possibilitam o trabalho em equipe, a criatividade, a troca de experiências e conhecimento, a interdisciplinaridade, o senso crítico e ensinam que, de fato, todos e todas têm o poder de voz e participação e que nenhum direito a menos será aceito.

 

Uma escola para a vida.

 

 

Hugo Gomes Ottati de Menezes, carioca, 22 anos, graduando em Direito pela Universidade Federal Fluminense (Niterói), militante dos direitos humanos e da luta pedagógica diária e adepto à pedagogia crítica de Paulo Freire. Socialista e tricolor.'' 

 

 

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