E por falar em Cuba...

28.11.2016

Adoro acordar bem cedo, antes de todo mundo. Um dia, uma amiga comentou que eu acordava com as galinhas, e eu a corrigi imediatamente: errado, eu acordo AS galinhas. Brincadeiras a parte, minha rotina diária é preparar um café fresquinho e sentar na varanda pra ler o jornal e admirar o amanhecer. E foi em um desses dias, mais precisamente no início do ano, que eu me deparei com a seguinte matéria: "A revolução do wi-fi." Falava de Cuba.

Comecei a ler e aos poucos fui tomada por um sentimento vil. Sim, é de matar de inveja qualquer cidadão de um país capitalista opressor da face da Terra! Imagina que, segundo a reportagem, essa tecnologia de ponta já estava disponível naquela ilhota paradisíaca que a gente insiste em desmerecer. Graças a esse tal de wi-fi, as famílias cubanas andavam se reunindo pra falar com parentes através de um aplicativo semelhante ao face, com imagem e tudo!!! Por enquanto ainda era tudo muito complicado, a conexão caía, só dava pra trocar meia dúzia de palavras, mas poxa, já era uma grande conquista! Ah, se inveja matasse... Fiquei pensando quanto tempo demoraria para termos algo semelhante aqui...

E eis que nesse final de semana o mundo recebe a notícia da morte de Fidel, e o Brasil, assim como o resto do mundo, se divide entre lamentar e comemorar a passagem do comandante. Figura singular, ditador sanguinário, exemplo de soldado, exterminador da liberdade, herói, capeta, ícone, assassino - assim o mundo se referiu ao falecido, dependendo da ideologia de cada um.

Interessante notar que as mesmas pessoas que criticam a ditadura militar no Brasil, aplaudem a ditadura genocida cubana; são os mesmos que se horrorizam com os muros de Trump, mas fingem não ver os muros de Cuba que, embora invisíveis, impedem o direito de ir e vir; são ainda os que condenam a homofobia, fazendo de conta que o homossexualismo é aceito em regimes socialistas. Resumindo, é a eterna incoerência da esquerda.

A favor de Cuba, seus defensores tem sempre uma carta na manga: a qualidade da educação e da saúde. Na verdade, quem fornece os dados estatísticos é o governo, o que torna tal informação totalmente questionável. Sobre a questão da saúde na ilha, lembro quando precisou se submeter a uma cirurgia, Fidel foi atendido por um cirurgião...espanhol! Quanto à educação, o que dizer de uma ditadura que impede ou no mínimo dificulta o livre acesso à internet em pleno século XXI? Como garantir uma educação de qualidade se não se permite comparações entre diferentes linhas de pensamento? Pode não haver analfabetismo em Cuba, mas isso está longe de significar excelência no ensino.

Como dizia um dos inúmeros memes que circularam na internet, Fidel morreu aos 90 anos sem ter visto o socialismo dar certo.

 

 

 

Suely Rosset 

 

Sou paulista, casada, e tenho dois filhos:  o mais velho é piloto comercial e dono de uma empresa de aluguel de veleiros, o mais novo estudante de engenharia estagiando no mercado financeiro.    Sou formada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, mas moro no Rio de Janeiro há mais de trinta anos.  Já trabalhei em metalúrgica, estatal, joalheria, tive meu próprio negócio e atualmente não trabalho.  Há alguns anos comecei a me interessar por política e hoje esse é um dos meus temas favoritos.  Costumo ler artigos do Rodrigo Constantino, Alexandre Borges, Felipe Moura Brasil e diversos autores do Instituto Liberal.  Em relação a partido político, me identifico com o Novo e sua ênfase no indivíduo, na meritocracia, na livre iniciativa, no respeito à propriedade privada e no desejo de um Estado menor e mais eficiente.

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