Ética e corrupção

03.12.2016

 A imagem do ex-governador Garotinho deitado na maca, tomou conta das redes sociais. Enquanto ele gesticulava e esbravejava, declarando-se infartado, sua esposa e sua filha se desesperavam. "Meu pai não é bandido!"- dizia, aos prantos, Clarissa, depois de ter tentado convencer um médico a conseguir algumas regalias para seu pai. Em vão.

No mesmo dia, o país amanhecera com a notícia da prisão do também ex-governador Sergio Cabral. Aquele, que usava helicópteros do Estado para se deslocar do Rio para Mangaratiba, onde desfrutava seus finais de semana numa mansão cinematográfica. Todos se lembram que não havia a menor preocupação em juntar toda a família e fazer um único vôo. Não, primeiro as crianças, babás e cachorros, seguidos do casal, que embarcava no vôo seguinte. Esqueceram alguma coisa no Leblon? Sem problema, rapidamente o helicóptero era acionado e tudo se resolvia.

 

Além de Portobello, Sergio Cabral e sua Adriana adoravam dar giros pela Europa. Foi lá, aliás, que ela ganhou um anel de módicos 800 mil reais, enquanto comemorava seu aniversário num dos restaurantes mais caros de Paris. A vida financeira do casal era bastante tranquila. Gastava-se a vontade, pois empreiteiros amigos "oxigenavam" suas contas com mesadas polpudas. Estima-se que a fortuna do casal seja da ordem do bilhão.

Penso na penúria do Estado, de trabalhadores e aposentados recebendo seus vencimentos parcelados, no sucateamento dos hospitais públicos, no fechamento dos restaurantes populares, onde muitos faziam a única refeição do dia. Penso no desespero dos desempregados, sem perspectivas a curto prazo; penso também nos que ainda conseguem se manter trabalhando, e de quem pretende-se descontar até 30% do salário para equilibrar as contas.

 

Isso tudo me fez lembrar de um documentário que eu havia visto dias antes. Chama-se (Dis)Honesty - The Truth About Lies. Trata basicamente da elasticidade do conceito de ética (ou da falta dela), mostrada através dos mais variados exemplos.
 

Comparando com nossos políticos, parecem inocentes aprendizes de maus costumes. Nem o mais criativo escritor de ficção conseguiria escrever um enredo com a atual história do Brasil. Ninguém acreditaria em um texto com tantos personagens sem caráter, preocupados somente em amealhar dinheiro e vantagens, independente do fato de concomitantemente estarem destruindo toda economia do país.

 

 

 

 

 

Suely Rosset

 

Sou paulista, casada, e tenho dois filhos:  o mais velho é piloto comercial e dono de uma empresa de aluguel de veleiros, o mais novo estudante de engenharia estagiando no mercado financeiro.    Sou formada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, mas moro no Rio de Janeiro há mais de trinta anos.  Já trabalhei em metalúrgica, estatal, joalheria, tive meu próprio negócio e atualmente não trabalho.  Há alguns anos comecei a me interessar por política e hoje esse é um dos meus temas favoritos.  Costumo ler artigos do Rodrigo Constantino, Alexandre Borges, Felipe Moura Brasil e diversos autores do Instituto Liberal.  Em relação a partido político, me identifico com o Novo e sua ênfase no indivíduo, na meritocracia, na livre iniciativa, no respeito à propriedade privada e no desejo de um Estado menor e mais eficiente.

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