Reprimir as drogas é tentar secar o oceano


Eis um tema muito espinhoso, porque está impregnado de uma questão moral muito forte. Afinal, qualquer pessoa, em sã consciência, não pode achar a droga algo legal, a não ser que seja um consumidor contumaz.

Se as drogas são ruins, não deveríamos trabalhar para exterminá-las? Isso é correto em teoria, mas como fazer isso no mundo real? Não se pode simplesmente apertar um botão para fazer as drogas desaparecerem.

Muitos não acham o cigarro algo bom, no entanto raras pessoas seriam favoráveis à sua proibição!

A maioria das pessoas concordaria que o bom seria podermos conseguir conduzir nossas vidas com a bagagem que está dentro de nós, sem precisar de substâncias externas como muletas.

Isso vale até para substâncias dentro da lei, como cigarros e bebidas. Nada contra um vinho, um uísque ou uma cerveja. Isso está simplesmente inserido na cultura atual da Humanidade. O problema é a dependência.

Voltando às drogas, mesmo não gostando delas, penso que deve se descriminalizar o consumo e se regulamentar a venda de algumas drogas.

Muitos adversários da liberação das drogas usam a falácia do espantalho que consiste em falar algo muito chocante e extremado, com uma forte carga emocional, para tentar convencer o interlocutor de sua tese. No caso, isso corresponde a perguntar: Como é que alguém pode defender a liberação diante da desgraça que é o vício em drogas? Por que alguém que não gosta de drogas seria a favor de tal medida? Parece um contrassenso!

Na verdade, defendo a liberação não por afinidade, longe disso, mas porque proibi-las não têm funcionado em nenhum lugar do mundo! Gastam-se montanhas de recursos e nada acontece.

Saindo do discurso raso que o consumidor de drogas é uma vítima, na prática, a explicação do motivo do combate ser inútil decorre do fato que a venda de drogas é uma relação comercial entre um comprador e um vendedor, ou seja, entre um cliente e um fornecedor. E, como tal, sujeitam-se a todas as regras de mercado.

Um roubo, uma agressão ou assassinato é algo de natureza diferente, porque envolve diretamente vítimas. As pessoas ligadas à vítima farão tudo para que se apurem os crimes. Já uma venda de drogas não funciona assim. As duas partes não querem ser apanhadas pela polícia. Coibir essa venda de forma eficiente representa um desafio virtualmente intransponível.

Vamos para outra direção. E a prostituição? Por que nenhum país que tentou proibi-la foi bem-sucedido? Pelo mesmo motivo das drogas. Envolvem clientes e fornecedores fazendo um acordo onde uma parte presta um serviço e a outra parte paga por ele.

Na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro tabelou uma série de produtos básicos, obrigando os varejistas a vendê-los praticamente com prejuízo. O que aconteceu? De modo geral, os produtos sumiram das prateleiras e foram parar no mercado negro. Trata-se do mercado atuando com sua infinita sabedoria. E é muito difícil controlar isso. Não se podem mandar forças policiais para toda a parte do país ao mesmo tempo. Afinal, mais uma vez, forma-se uma relação entre clientes e fornecedores.

Nos EUA se gasta em torno de US$ 50 bilhões de dólares por ano na luta contra as drogas. Estima-se que em 40 anos desde 1971, quando Nixon declarou