Maldivas para aventureiros

03.12.2016

Na mala levo biquíni, vestido, câmera e chinelos. Levo também livros e revistas, afinal, em breve embarco para as Ilhas Maldivas, um arquipélogo de águas cristalinas no Oceano Índico e o lugar perfeito para passar dias preguiçosos em um romantico bungalow de frente para o mar.

 

 

 

 

 

Para falar a verdade, existe muito mais do que sombra e água fresca a explorar nas Maldivas. Com um dos ecossistemas aquáticos mais intocados do planeta, ondas mundialmente reconhecidas e lagoas inexploradas, as águas turquesas do arquipélago são também um ímã para mergulhadores, surfistas, wind e kite-surfistas. Afinal de contas, 99% das Ilhas Maldivas é água. Tem adrenalina aqui à vontade para todos os tipos de aventureiros.

 Após embarcar em um hidroavião em Male, 45 minutos depois eu aterrizo a 220 kms sudoeste da Capital do arquipélago. Também chamado de “Kolhumadulu” pelos locais, o remoto That Atol está entre os destinos menos visitados das Maldivas. Enquanto alguns barcos podem até disputar por um lugar ao sol mais ao norte do país, aqui eu tenho todo o Oceano só para mim.

 

Eu me hospedo no hotel Como Malifushi, o único localizado no Thaa Atol, e onde eu desfruto de um resort com um design impecável combinado com uma vibe descontraída. Andar o tempo todo descalça é o dress code perfeito no paraíso. Além disso, eu experimento esportes que nunca havia praticado e entro em contato com uma natureza genuína.

 

Ao ouvir histórias sobre paredes de corais deslumbrantes, cavernas subaquáticas e cardumes de peixes das mais variadas cores, eu logo coloco a minha máscara e equipamento de mergulho e vou conferir o que está submerso na imensidão do azul. Eu mergulho em água profundas em busca de manta-rays e tubarões. A água é morna e cristalina - eu posso mergulhar de biquíni, não preciso de roupa de borracha. De repente, me deparo com algumas espécies exóticas de tartarugas e raias, porém os corais estão, em algumas áreas, severamente danificados por efeito do aquecimento global. A temperatura da água do Oceano nessa parte do mundo aumentou cerca de 1 °C em 2016, o suficiente para matar parte dos corais das Ilhas.

 

Eu já tinha lido e ouvido falar que o arquipélago é um dos lugares do mundo preferidos entre surfistas. Mas o que eu não sabia é que “ Farms”, o mais novo pico de onda descoberto, esta localizado exatamente a alguns minutos de onde estou hospedada.

No meu segundo dia na ilha, sou apresentada ao Adam Webster, da Tropicsurf, uma agencia de luxo australiana especializada em viagens de surf. Após uma conversa descontraída com o Adam, eu rapidamente me convenço a fazer uma aula de surfe pela primeira vez na vida. Assim que terminamos a parte teórica, embarcamos todos em direção a famosa “ Farms” - o paraíso de ondas selvagens prometido.

 

 No começo, eu me enrolo para ficar de pé na prancha. Depois eu remo com forca até beirar a exaustão. “Levanta! Agora!”, eu escuto o Adam gritar atrás de mim. Após alguns escorregões na prancha, eu finalmente encontro a posição perfeita e, quando dou por mim, estou de pé, repetindo os movimentos que aprendi. ‘Ai meu Deus, eu estou surfando!”, eu penso comigo mesma sem acreditar, ao mesmo tempo que observo um cenário exuberante sob um angulo completamente novo.

 

Eu descubro a sensação de fazer parte do oceano. Sinto a energia da natureza nas ondas a cada vez que eu me arrisco a surfar sob elas. E com mesma rapidez que elas surgem, elas morrem ao se dirigirem para a praia. No momento que me dou conta disso, eu percebo que esse é um caminho sem volta - está nascendo um novo vício. Eu quero estar sob as ondas de novo e de novo.

 

Ao arrumar a minha mala para voltar para casa, me dou conta de que os livros que havia trazido estão intocados. É bem verdade que aqui existe uma rotina de luxo com muitas mordomias, e a maioria das pessoas viajando por esses lados está na vibe de lua de mel: percorrendo o caminho da praia para o bungalow; do bungalow para a praia. Eu, no entanto, fui consumida por um senso de aventura. Um pico de surf selvagem, um ecossistema marinho exótico e uma lagoa de água salgada serão sempre irresistíveis para mim. Durante meus dias nas Maldivas, eu estava ocupada demais, e mal tive tempo para aproveitar a sombra e a água fresca.

 

 

 

Nanda Haensel

 

Sou brasileira, carioca e moro há quatro anos em Singapura.

Trabalho com marketing de produto e nas horas vagas sou jornalista de viagem, com foco em conservação e lugares exoticos, aqueles que você não encontra no Lonely Planet.  

Em 2015 juntei três grandes paixões - fotografar, escrever e viajar - e fiz um blog: www.weloveitwild.com, onde eu escrevo histórias sobre os lugares mais remotos que já visitei, dentre eles as montanhas de Ruanda; os Himalayas do Nepal e Butao; highlands da Mongolia; Coreia do Norte; sites arqueológicos na ilha Flores, na Indonésia; Austrália ocidental, e por ai vai. Desde então, meus textos e fotos já foram publicados por revistas e sites ao redor do mundo: Esquire, Tatler, CNN Travel, Impulse, etc.

Também tenho uma coluna mensal de viagens na revista alemã Impulse. Meu foco inclui documentar “conservation projects”. Colaborações com ONGs e projetos de sustentabilidade sao, portanto, um elemento crítico dos meu trabalho.

Para ler meus textos originais, acesse: weloveitwild.com  

Ou para “live updates" das minhas viagens, siga nanda_haensel no Instagram

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