O radicalismo num mundo binário

Antes da existência das redes sociais nossas discussões sobre política, sexo e religião eram na mesa do bar, na reunião de família ou na hora do almoço com os colegas de trabalho. Para os mais jovens também se estendiam às aulas de Português, Geografia e História. Mas independente do cenário e da plateia, tínhamos mais do que apenas 140 caracteres para expressar nossas opiniões e elas eram antecedidas por abraços fraternos, conversas casuais, chopps gelados, olhos nos olhos.

 

Se  discordávamos sobre os CIEPs do Brizola, concordávamos sobre a vitória do Vasco contra o Flamengo. Se brigávamos quanto ao casamento homoafetivo,  concordávamos sobre a mulher gostosa que passava na frente do bar. Lembrávamos do Réveillon em Paraty, das belas histórias da avó que nos deixara e até mesmo dos momentos tristes, mas que nos uniam. No final daquele encontro, depois de tantas concordâncias e discordâncias, o saldo final geralmente era positivo.

 

Hoje esses encontros rareiam cada vez mais. Interagimos com mais pessoas do que antes, mas com menor profundidade. Transmitimos nossas opiniões e sentimentos numa frase, num pequeno parágrafo ou compartilhando uma foto, um meme, uma notícia ou a opinião de outrem. Quando fazemos isso, muitas vezes é porque gostamos de um argumento ou de uma frase contida neste conteúdo, mas esquecemos do todo. Ou pensamos no todo e esquecemos de uma frase ou mensagem que pode chocar ou magoar alguém. Como as percepções (os olhares) são diferentes, cada um absorve o que mais lhe toca, ou convém, sem sabermos disso e acreditando que todos leram com os mesmos olhos, ficamos bem com nossa consciência, mas o que o receptor leva consigo é a mágoa, a raiva, o ódio, … e a mensagem que queríamos transmitir se perde.

 

Aos poucos vamos colocando cada pessoa numa caixa. E tudo que ela disser a partir dali servirá apenas para a colocar num lugar ainda mais fundo da caixa. Vamos esquecendo aos poucos quem de fato ela é. Que outrora estávamos juntos nos divertindo ou trabalhando no mesmo projeto. Agora aquele amigo, parente ou colega virou 0 ou 1, coxinha ou mortadela, capitalista ou socialista, maconheiro ou cristão. E para sobrepujar o radicalismo alheio, precisamos ser radicalmente o oposto, criando assim uma bola de neve de radicalismo.

Paulo Gustavo Ganime

 

Moro sozinho e fora do Brasil há quase 5 anos, mesmo longe sempre estive muito ligado ao Brasil. Muitas vezes sentia vontade de conversar com alguém e expressar minha opinião sobre as notícias e acontecimentos, mas não tinha para quem. Comecei então a escrever minha opinião no Facebook. Conforme os fatos iam ganhando importância, meu envolvimento ia aumentando e meus textos crescendo. Muitas pessoas começaram então a me dizer que eu deveria escrever num blog. Não sou especialista em Economia, Política, Direito, … , em nenhum assunto que escreverei aqui. Tudo será apenas o meu olhar sobre o tema. Gosto de debater e aprender, entao, por favor, discordem de mim e tragam visões e informações diferentes.

 

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