Estatais: Elefantes Sedentários?

Um dos pontos centrais da Esquerda é a defesa de um Estado que trabalhe de forma permanente para diminuir as desigualdades sociais.

Falando assim, dá quase vontade de ser socialista.

Um dos pilares desse objetivo para os socialistas consiste, em geral, na defesa de um Estado grande, que, em resumo, se traduz em um Estado que detenha, em suas mãos, boa parte da Economia de um país.

A ideia lírica é que o Estado sabe mais do que ninguém o que é bom para o povo e, sendo assim, nada melhor do que o próprio Estado para dirigir as empresas, com olhar muito mais bondoso, do que ávidos capitalistas, que só pensam em enriquecer por cima da miséria do povo.

O que eu quero mostrar aqui é como o Estado grande termina sendo muito mais contraproducente, do que a utopia desenhada pela Esquerda.

A mera existência de um Estado grande não necessariamente afunda um país, dependendo do contexto.

Por exemplo, a Finlândia é o país na Europa onde o Estado detém a maior participação das estatais perante o PIB, aproximando-se de 50%.

No entanto, a despeito disso, a Economia lá funciona bem de verdade e é bem mais livre do que a participação do estado na Economia levaria a supor. Tanto que a Finlândia é o 22º país no ranking de Liberdade Econômica do Instituto Heritage, ranking no qual o Brasil está apenas em 122º. Esse ranking computa vários quesitos, de forma pormenorizada país a país. Na Finlândia há uma boa liberdade fiscal, amplo direito de propriedades, uma vasta liberdade de investir e atuar como empreendedor, etc.

No caso, o pequeno tamanho do país, sua riqueza relativa, a baixa densidade populacional, seus recursos naturais, a herança cultural do país e o alto padrão educacional; são todos fatores a serem considerados.

Os socialistas costumam supor que o Estado, representado por uma pequena elite dirigente, seja magicamente bem intencionado e que ele irá cuidar de nós, como pais amorosos cuidam dos seus filhos queridos. Isso é ate bonito, mas não passa, quase sempre, de uma fantasia delirante.

Quando se ruma para regiões com uma tradição arraigada de corrupção e desmandos, como na América Latina e na África, o peso de um governo termina sendo uma grande força para a restrição das liberdades, independente de sua ideologia subjacente.

Na prática, diante de uma situação de poder, as pessoas tendem a se corromper. Como disse o historiador inglês John Dalberg-Acton: “Poder corrompe, poder absoluto corrompe de forma absoluta”.

A Democracia é justamente o regime que não acredita que quaisquer dos atores de uma sociedade estejam acima do bem e do mal. Por isso existem três poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) que convivem juntos e um vigia o outro. Além disso, há o chamado Quarto Poder (A Imprensa) e as corporações, ambos imersos na Sociedade.