Franciacorta: o “Champagne” italiano

18.12.2016

 

 

Como sempre, final do ano no mundo ocidental é sinônimo de celebração, incluindo pratos e bebidas dos mais variados para marcar esta etapa do calendário gregoriano.

 

No quesito bebidas, o vinho aparece como um grande favorito, sobretudo os espumantes que são associados a festejos e comemorações. Dentro desta categoria de vinho, o Champagne é o espumante mais famoso e nobre, sem nenhuma dúvida. Mas nem todos têm acesso ou podem comprar um bom Champagne, sendo que existem muito poucos Champagnes que são realmente ruins.

 

Desta forma, restam outras diversas alternativas de vinhos espumantes como a Cava, Crémant de Bourgogne, Crémant d’Alsace, Crémant de Loire, Clairette de Die, Vouvray, espumantes do Sul do Brasil, etc. Uma boa opção italiana é o Prosecco. Ele é geralmente um espumante de qualidade, feito com a uva Prosecco e é bastante popular e relativamente fácil de encontrar. Em função de cada caso, podem-se encontrar espumantes tão bons ou mesmo melhores que alguns Champagnes. Porém, por experiência e de maneira geral, os Champagnes são vinhos superiores.

 

 No entanto, quem pensa que a opção italiana mais próxima ou melhor que um Champagne é o Prosecco, provavelmente nunca experimentou um Franciacorta. Este é um vinho espumante praticamente desconhecido fora da Itália. Sua produção não é muito grande, sobretudo porque ele é produzido exclusivamente na região que dá origem ao seu nome: a Franciacorta, um território na província de Brescia, ao norte da Lombardia cuja capital é Milano.

 

O Franciacorta é unicamente produzido por meio do mesmo método usado no Champagne, trata-se do método clássico com fermentação dentro da garrafa. Assim como o Champagne, ele é produzido com base nas uvas Chardonnay e Pinot Noir, tendo como diferença a possibilidade de usar o Pinot Blanc. Esta uva não é usada no Champagne que, neste caso, pode ser produzido com o Pinot Meunier.

 

Este nobre espumante possui uma classificação DOCG (Denominazione d'Origine Controllata e Garantita) que é a classificação mais exclusiva de um vinho na Itália, posicionado acima do DOC (Denominazione d'Origine Controllata) e do IGP(Indicazione Geografica Tipica). Na Itália, atualmente há somente 74 vinhos DOCG.

 

Em termos de subclassificação, o Franciacorta pode ser do tipo:

 

- Franciacorta (é a versão básica/padrão, conhecido também como “Bianco”), feito com base de Pinot Noir e/ou Chardonnay, podendo ter até 50% de Pinot Blanc;

- Franciacorta Satén, feito essencialmente com Chardonnay, podendo também ter Pinot Blanc. Este é um espumante do mesmo tipo que um Champagne do tipo “Blanc de Blancs”, ou seja, 100% produzido com uvas brancas que neste caso é o Chardonnay;

- Franciacorta Rosé, produzido com uva Chardonnay e Pinot Blanc, tendo no máximo 25% de Pinot Noir;

- Franciacorta Millesimato que é um vinho feito com base em uvas de uma colheita única;

- Franciacorta Riserva que é uma produção tendo ao menos 5 anos de fermentação contínua.

 

Assim como o Champagne, o Franciacorta pode ter diversos graus de dosagem de açúcar, tendo como base tradicional a versão Brut e a partir daí, o vinho pode ser mais seco ou mais doce.

 

Em termos de experiência gustativa, é um vinho espumante por excelência, não deixando nada a desejar em relação a um bom Champagne, sendo bem refrescante com persistência das borbulhas e sabores complexos e consistentes. Como trata-se de um bom vinho efervescente, ele combina com uma grande variedade de pratos.

 

Uma sugestão de produtor que já experimentei e gostei muito, é o Lantieri (http://www.lantierideparatico.it/en/). Conforme explicado no início deste texto, não é fácil achar estas garrafas fora da Itália, porém é válido saber da existência deste excelente tipo de vinho, pois é uma alternativa à altura de um Champagne. O preço de uma garrafa varia entre cerca 10 e 30 euros na Europa, sendo que algumas produções exclusivas e de maior qualidade podem exceder esse valor. No Brasil, infelizmente, os preços são extorsivos e fora da realidade. O preço de uma garrafa acaba variando entre 150 e 900 reais, ou seja, tão absurdamente caro quanto um Champagne.

 

Apesar destas dificuldades de preços e distribuição do produto, conhecer esta opção de “Champagne” não deixa de ser útil caso algum dia você tenha a oportunidade de visitar a Itália ou algum outro lugar fora do Brasil ou até mesmo em um “free shop” de algum aeroporto, lugares onde o vinho é uma bebida acessível e bem-vinda por muitas pessoas. Bonnes fêtes!

Carlos Bernardo de Oliveira

 

Originário da geração dos anos 80 e 90, tenho grande interesse em música, gastronomia, mixologia, geografia, Rugby, cinema, animais, história, cultura do mundo e vinhos. Já pude conhecer um pouco do mundo, visitando alguns lugares e produtores de vinho europeus e, sobretudo, já pude provar uma boa diversidade de vinhos. Para saber mais, ver meu perfil (Carlos Bernardo) no aplicativo Vivino onde desde 2013, segundo o aplicativo, já experimentei 27% das regiões vinícolas listadas.

 

 

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