Gastroenterite aguda

Muita gente já ouviu falar de surtos de gastroenterite aguda ocorridos em cruzeiros marítimos, onde centenas de passageiros e tripulantes são acometidas por essa enfermidade. Pois é, o principal agente causador destes surtos é o Norovirus, sendo a náusea e a diarreia os principais sintomas desta doença. Este vírus foi descrito pela primeira vez há mais 30 anos atrás, mas só agora, nos últimos 5 - 10 anos, temos cada vez mais ouvido falar deste agente patológico. Atualmente, o Norovirus é o principal agente causador de surtos de gastroenterite aguda em todos os continentes do mundo. Só no Reino Unido, este vírus é responsável por mais de 3 milhões de casos por ano!

 

A infecção ocorre por via oral e o período de incubação, ou seja, o tempo decorrido entre a exposição e a manifestação dos primeiros sintomas da doença, varia de 10 a 51 horas, com média de 24 horas. A doença é de curta duração, de 2 a 7 dias, e auto-limitante, ou seja, se a pessoa acometida estiver com o sistema imune em perfeitas condições, a doença evolui para cura sem necessidade de nenhuma medicação. Cerca de 30% das infecções por Norovirus são assintomáticas, isto é, a pessoa infectada não desenvolve a doença. A principal medida para amenizar os problemas sofridos com a doença é a hidratação. Estes vírus apresentam um maior agravo em crianças menores de cinco anos e pessoas idosas devido ao risco aumentado de desidratação. Em pessoas com deficiência no sistema imune, a infecção pode apresentar duração prolongada e a eliminação dos vírus pode permanecer por anos! A eliminação prolongada de Norovirus, tanto em pacientes crônicos sintomáticos quanto assintomáticos, representa um risco à saúde pública por aumentar as chances de contaminações e surtos em hospitais.

 

As três principais rotas de transmissão dos Norovirus são o contato pessoa-a-pessoa, por água e alimentos contaminados. A contaminação alimentar ocorre tipicamente por manipuladores de alimentos infectados durante o processo de preparo ou também durante o processo de distribuição do alimento. Diversos estudos relatam surtos de gastroenterite aguda por Norovirus ocorridos pelo consumo de frutas vermelhas, moluscos bivalves (ostras e mexilhões) e saladas contaminadas. Nos últimos anos tem ocorrido um aumento de surtos de Norovirus em consequência de alimentos contaminados. As principais causas desse aumento são o crescimento do mercado global de vegetais, frutas e carnes, dos quais são originários de países que não possuem procedimentos microbiológicos seguros, assim como uma mudança nos hábitos alimentares, como o consumo de alimentos crus ou levemente cozidos. A utilização de água contaminada para recreação ou consumo pode resultar em surtos de larga escala na comunidade.

 

Em um estudo realizado recentemente pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention) foi estimado que se uma pessoa viver até os 80 anos de idade, esta deverá sofrer de três a oito episódios de diarreia associada a Norovirus durante sua vida, dos quais pelo menos um deverá ocorrer até os cinco anos de idade.

A prevenção de surtos causados pela infecção por Norovirus depende da identificação do modo de transmissão. De modo geral a interrupção da transmissão é obtida pela implementação de medidas de controle da contaminação de alimentos e da água, mantendo ao mesmo tempo uma higiene adequada nos manipuladores de alimentos e reduzindo a propagação do surto pelo contato pessoa-pessoa. É recomendado o afastamento de manipuladores de alimentos infectados por no mínimo três dias após a resolução dos sintomas e, para evitar a transmissão pessoa-pessoa, adultos e crianças infectados devem se manter afastados das atividades escolares e de trabalho pelo mesmo período de tempo. Medidas como higienização das mãos com água e sabão, principalmente após usar o banheiro e trocar fraldas de bebês, antes de fazer refeições ou de manipular alimentos podem diminuir os riscos de infecção por Norovirus. Desinfetantes à base de álcool podem ser utilizados, mas não como substitutos da lavagem das mãos. Alimentos como frutas e verduras devem ser lavados e moluscos filtradores (ostras e mexilhões) devem ser cozidos completamente. Outra medida que também é de extrema importância é a desinfecção com hipoclorito de sódio das superfícies contaminadas após episódios de vômito e diarreia. Podemos ver que medidas simples, econômicas e acessíveis podem ser tomadas para se evitar e diminuir o risco de contaminação e propagação dos Norovirus.

 

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Julia Monassa Fioretti

 

Biomédica formada pela UNIRIO. Concluiu o mestrado e doutorado pelo programa de Biologia Celular e Molecular do Instituto Oswaldo Cruz. Atualmente trabalha no setor de Biologia Molecular do Hemorio.

 

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