O Acaso

 

Sempre acreditei muito na importância do acaso. Você pode chamar de destino, carma, Deus, Sobrenatural de Almeida, incerteza, como quiser. Eu vou chamar aqui de Acaso. Acaso em maiúscula mesmo, para mostrar a importância que ele tem. Tudo que conquistamos (ou não) em nossas vidas é consequência do nosso (ou da ausência de) esforço, talento, competência, contatos, ... e do Acaso.

 

Estou lendo um livro muito bom chamado A LÓGICA DO CISNE NEGRO de Nassim Nicholas Taleb. Ganhei esse livro por Acaso de um grande amigo há alguns anos, mas só comecei a ler recentemente. Ele trata principalmente de grandes acontecimentos inesperados e o impacto deles em nossas vidas e no mundo de hoje. Sua ideia é mostrar que eventos imprevisíveis e incontroláveis são tão ou mais importantes que tudo que tentamos planejar e controlar. Ele usa como um dos exemplos o atentado do 11/09, que teve um impacto nos acontecimentos futuros dos Estados Unidos e do Mundo muito mais importante que diversos eventos previsíveis e lineares.

 

 Minha profissão, a empresa em que eu trabalho, minha carreira, minhas amizades, até mesmo a minha existência foram definidas graças ao Acaso. Meus pais se conheceram por Acaso na Barca Rio-Niterói. Eu estava certo em estudar Publicidade, mas conversando por Acaso com meu vizinho “descobri” a Engenharia de Produção. Em uma viagem com amigos descobri por Acaso a existência de uma vaga perfeita para mim na empresa em que trabalho há 10 anos. Até mesmo o 1 Olhar surgiu por acaso, mas essa história eu deixo para outro dia.

 

Claro que o Acaso apenas não teria feito nada, se eu não tivesse facilidade em ciências exatas, se eu não gostasse de viajar, não fosse bom em relacionamentos... Mas também é muito importante darmos oportunidade ao Acaso. Ele não baterá à nossa porta se ficarmos deitados em casa no sofá. Além disso, precisamos identificar essas oportunidades que o Acaso nos traz. Muitas vezes a oportunidade está gritando, esperando por nós, mas olhamos para ela com desdém e a perdemos.

 

Outro ponto importante destacado por esse livro é a inexatidão das previsões. O exemplo importante mais recente foi a eleição do Donald Trump que, por motivos óbvios, não está no livro. O livro utiliza outros bons exemplos. A ideia não é mostrar que não devemos fazer previsões, mas que devemos dá-las o devido valor. Principalmente quando falamos de elementos complexos, que sejam influenciados por inúmeras variáveis.

 

A Economia é um bom exemplo, que muitos pensam ser uma Ciência Exata. Mas não à toa, está no campo das Ciências Humanas. Diferentes tipos de análises e cenários podem ser compostos utilizando-se de cálculos matemáticos e gráficos, mas as variáveis são tantas que prever é quase tão preciso quanto não prever. Economistas adoram a expressão coeteris paribus (“tudo o mais constante”), ou seja, tudo que eu previ é verdade se nada de errado acontecer.

 

Isto eleva ainda mais a relevância do Acaso. Se não podemos prever com acurácia, devemos levar em consideração os eventos não previsíveis em nossas decisões. Não apenas os elementos negativos, que podem nos causar perdas, mas também os elementos positivos. Acho que o ser humano é naturalmente pessimista. Talvez por uma questão de subsistência, que herdamos dos nossos antepassados, da época das cavernas, quando os perigos eram maiores que as oportunidades. Com isso tendemos a ser conservadores e damos mais peso aos riscos com impactos negativos que positivos em nossas tomadas de decisão.

 

E você? Deixe um comentário, se você normalmente é pessimista e não costuma dar chances ao Acaso ou se é otimista e usa o Acaso a seu favor.

Paulo Gustavo Ganime

 

Moro sozinho e fora do Brasil há quase 5 anos, mesmo longe sempre estive muito ligado ao Brasil. Muitas vezes sentia vontade de conversar com alguém e expressar minha opinião sobre as notícias e acontecimentos, mas não tinha para quem. Comecei então a escrever minha opinião no Facebook. Conforme os fatos iam ganhando importância, meu envolvimento ia aumentando e meus textos crescendo. Muitas pessoas começaram então a me dizer que eu deveria escrever num blog. Não sou especialista em Economia, Política, Direito, … , em nenhum assunto que escreverei aqui. Tudo será apenas o meu olhar sobre o tema. Gosto de debater e aprender, entao, por favor, discordem de mim e tragam visões e informações diferentes.

 

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