Divagando

08.01.2017

Me considero uma pessoa altamente privilegiada pois tenho um tesouro particular: minhas amigas de infância. Durante a adolescência essa simbiose era tão grande que comprávamos roupas iguais, viajávamos sempre juntas, e quatro de nós chegamos ao cúmulo de nos apaixonar por quatro irmãos.
 

 

A vida nos levou para diferentes caminhos, houve um tempo em que ficamos distantes umas das outras, mas de uns anos pra cá voltamos a ter um contato intenso e, sempre que possível, nos reunimos pra matar a saudade e relembrar o passado. Esses encontros são sempre muito divertidos, mas há mais ou menos um ano houve um especialmente amargo. Saímos para jantar e a conversa acabou chegando no assunto filhos. Comentei que meu filho mais velho permaneceria empregado apenas até o final daquele mês, pois seu patrão estava de mudança para os EUA e, por causa da crise, iria vender o jatinho que ele pilotava. Outra contou que o filho, formado em Administração, estava desempregado há um ano e tinha voltado a morar com ela. Os filhos das outras duas tinham ido tentar a sorte na Austrália e em Israel, respectivamente. Apenas uma não estava vivendo esse drama. A que não não tem filhos.

 

E por falar em filhos, o meu mais novo entrou pra faculdade pouco depois de nos mudarmos para um apartamento que tinha uma varanda super gostosa. "Porque você não chama seus amigos e faz um churrasco?" Ah, se arrependimento matasse... O texto que se segue foi escrito na manhã seguinte, quando eu ainda estava em estado de choque. "Se alguém quiser saber como é a sensação de acordar num lugar recém devastado por uma guerra ou um fenômeno climático, convido a vir à minha casa neste exato momento. Rapazes espalhados pelos quartos, sala e varanda; açúcar(?) na bancada da cozinha, de ponta a ponta; o chão virou um lamaçal; louça, muita louça suja; latas e garrafas servindo de travesseiro; o banheiro...melhor nem comentar, rs. E aquele sofá novo que eu comprei antes do black friday, lembram? Um dos convidados gostou tanto que está dormindo nele. "Ué, mas não era um sofá-cama?" Sim!!! Mas não podia ter tirado o tênis antes de deitar???Ontem foi o primeiro churrasco que meu filho fez pros amigos na casa nova. Ontem foi o último churrasco que meu filho fez pros amigos na casa nova."

 

Uma das coisas mais insuportáveis atualmente, é ter que aturar certas minorias que se consideram credoras de direitos especiais. Tudo é motivo para que saiam esperneando por aí, e não perdem uma oportunidade de cobrar da sociedade a tal da "dívida histórica". Já tinha lido muita gente questionar a legitimidade dessa cobrança, mas um dia me deparei com o comentário mais sensacional a respeito desse assunto. "Sou descendente de alemão por avô materno, mas minha avó materna era cabocla de Minas. Minha avó paterna é italiana e meu avô, negro. Sou branca, baixinha, magrela, canela grossa, cabelo enrolado, protestante, sulmatogrossense e de família humilde... tô devendo ou tenho pra receber?" (Isabel Silva)

 

Em uma de suas crônica Arnaldo Bloch sintetiza em três palavras o momento delicado que meu marido e eu estamos passando, após 30 e tantos anos de casamento: é o "ápice de nossa inflação abdominal."

Longos anos de convívio fazem com que a gente desenvolva algumas implicâncias. Quando meu marido fala alguma coisa e eu não escuto, eu digo: "caramba, você fala muito enrolado, fala mais alto!" Se a situação se inverte e ele não me escuta, imediatamente disparo: "você tá surdo, só pode!" Sempre que eu vejo que vai sobrar um pouco de comida, peço pra ele comer tudo pra não ter que ficar guardando quinhentos restinhos. Assim que ele acaba, comento: "credo, você tá comendo demais!"

 

Para quem questionava meu voto nas últimas eleições, eu explicava: sempre que a opção for um candidato socialista ou outro, meu voto será no outro. Já passei da idade de acreditar em experiências que não deram certo em nenhum lugar do mundo, tenho convicção de que liberdade e socialismo são como água e óleo, e não acredito em almoço grátis.

 

A maioria dos meus vizinhos tirou a varanda, que é o lugar que eu mais amo na casa. Por coerência, eu tiraria a cozinha...adoro comer, mas cozinhar não é o meu forte.

Toda sexta-feira um caminhão estaciona no meu condomínio vendendo ovos, frutas, verduras e legumes. Fui até lá comprar umas coisinhas, mas nada me agradou. A melancia estava cozinhando no sol, o abacaxi parecia estar azedo, não tinha legumes já picados. Pra não voltar de mãos abanando, resolvi entrar na padaria. Lembrei dos ensinamentos da Bela Gil e pensei: você pode substituir hortifrutigranjeiros por...rabanadas! Final feliz!

 

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Suely Rosset

 

Sou paulista, casada, e tenho dois filhos:  o mais velho é piloto comercial e dono de uma empresa de aluguel de veleiros, o mais novo estudante de engenharia estagiando no mercado financeiro. Sou formada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, mas moro no Rio de Janeiro há mais de trinta anos.  Já trabalhei em metalúrgica, estatal, joalheria, tive meu próprio negócio e atualmente não trabalho.  Há alguns anos comecei a me interessar por política e hoje esse é um dos meus temas favoritos.  Costumo ler artigos do Rodrigo Constantino, Alexandre Borges, Felipe Moura Brasil e diversos autores do Instituto Liberal.  Em relação a partido político, me identifico com o Novo e sua ênfase no indivíduo, na meritocracia, na livre iniciativa, no respeito à propriedade privada e no desejo de um Estado menor e mais eficiente.

 

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