Não compre coisas, compre experiências

17.01.2017

Já fui uma pessoa medianamente consumista, mas hoje não sou mais. Houve época em que eu adorava andar pelo shopping. Minhas idas eram tão frequentes que eu chegava ponto de saber de cor o que havia em cada vitrine. Aquele mundo de luzes e cores me encantava e, sem saber se ainda era dia ou se já era noite, se chovia ou se fazia sol, eu passava horas por lá, circulando por aqueles corredores mágicos. Uma comprinha aqui, um café com bolo ali, um cineminha acolá, e eu voltava pra casa feliz.

Não sei exatamente quando, nem por qual motivo, mas o fato é que em algum momento isso mudou. Passei a ir muito raramente às compras, e quando ia, o espírito de Sócrates baixava em mim e eu pensava: "quantas coisas há no mundo das quais não preciso!"

Mas há outras que eu preciso muito, afinal ninguém é de ferro.  Viagens... A melhor viagem da minha vida foi aquela em que eu passei oito noites em NY. Durante o dia, meu programa era, invariavelmente, bater perna. Tentei aproveitar cada minuto do meu tempo descobrindo a arquitetura da cidade, suas flores, os rostos, as esquinas cortadas por avenidas, os cheiros que vinham das barraquinhas de comida, os personagens da Times Square, os taxis amarelos e seus motoristas mal humorados, o barulho constante de buzinas e sirenes, os engravatados de Wall Street, a imponência dos arranha-céus, o vento, as cantinas de Little Italy, a vizinha Chinatown, o charme do Village, enfim, cenas da cidade que nunca dorme. Antes de voltar para o hotel, havia sempre a parada obrigatória nas bilheterias do TKTS, pra comprar os ingressos da noite com desconto, e um café com cheesecake no Junior's.

No dia de vir embora, percebi que minhas malas voltavam praticamente do jeito que vieram, apesar de NY ser um constante convite ao consumo. Enfileirando os ingressos dos espetáculos que eu havia assistido, tive a certeza de ter feito as melhores compras da minha vida: seis musicais na Broadway e duas óperas no Metropolitan, além de uma missa gospel sensacional, como manda a tradição de um domingo na cidade.

 

 

 

 

Objetos deixam a bagagem pesada e acabam esquecidos num canto qualquer. Sonhos realizados dão leveza e alegria à alma, além de permanecerem eternamente em nossas lembranças.
 

Voltei acreditando que a frase "não compre coisas, compre experiências" resume a essência da felicidade.  Pelo menos para mim

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Suely Rosset

 

Sou paulista, casada, e tenho dois filhos:  o mais velho é piloto comercial e dono de uma empresa de aluguel de veleiros, o mais novo estudante de engenharia estagiando no mercado financeiro. Sou formada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, mas moro no Rio de Janeiro há mais de trinta anos.  Já trabalhei em metalúrgica, estatal, joalheria, tive meu próprio negócio e atualmente não trabalho.  Há alguns anos comecei a me interessar por política e hoje esse é um dos meus temas favoritos.  Costumo ler artigos do Rodrigo Constantino, Alexandre Borges, Felipe Moura Brasil e diversos autores do Instituto Liberal.  Em relação a partido político, me identifico com o Novo e sua ênfase no indivíduo, na meritocracia, na livre iniciativa, no respeito à propriedade privada e no desejo de um Estado menor e mais eficiente.

 

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