Ano novo, vinhos novos (ou novas descobertas)

27.01.2017

Uma das mais principais características que faz com que o vinho se destaque das demais bebidas alcoólicas é a sua imensa diversidade. São centenas de tipos de uva, diversos métodos e combinações possíveis e, sobretudo, diferentes lugares no mundo onde vinhedos são cultivados para a produção da bebida favorita de Bacchus. A diversidade dos lugares de cultivo surpreende, trazendo milhares de classificações e tipologias de vinhos. Um bom exemplo são os Estados Unidos, pois este país possui produção de vinhos em cada um dos seus 50 estados. Da Flórida ao deserto de Nevada, passando pelo norte, em New Hampshire, há ao menos um mínimo de vinhedos produzindo algum tipo de vinho.

 

Dentro desta diversidade, torna-se difícil conhecer, mesmo que superficialmente, todos os lugares produtores de vinho no mundo. Por isso, apresento aqui uma região vinícola francesa bem desconhecida, mesmo dentro da própria França. Trata-se da Côtes d’Auvergne (Encostas da Auvérnia). Uma região bastante notória devido aos seus queijos “Saint-Nectaire”, “Cantal”, “Salers” e “Fourme d’Ambert”.

 

Em termos de organização das regiões vinícolas francesas, o Côtes-d’Auvergne faz parte do extenso vinhedo do Vale da Loire e isso mesmo sabendo que a Auvergne localiza-se bem distante da parte principal deste vale do oeste da França. A região Auvergne possui uma tradição na produção de vinhos, e chegou a ser a terceira maior zona produtora de vinhos da França durante o final do século XVIII e quase todo o século XIX. Contudo, a peste do Phylloxera (espécie de pulgão que ataca e mata os vinhedos), que infestava a França no final do século XIX, acabou por atingir os campos de uvas da Auvergne, dizimando assim toda a produção de vinho.

 

Devido ao Phylloxera e às sucessivas guerras mundiais, os vinhedos da Auvergne só puderam se reerguer recentemente e, isto explica em grande parte a baixa notoriedade dos vinhos da região e assim como o fato de que estes vinhos ainda possuem um bom potencial de progresso pela frente. É interessante ressaltar que o Côtes-d’Auvergne é uma AOC (Appellation d’Origine Contrôlée) recente, tendo sua criação ocorrida em 2011.

 

 

 

Atualmente, a região produz o Côtes-d’Auvergne nas versões tinto, rosé e branco. Os tintos são feitos com uvas Gamay e/ou Pinot Noir o que lhes conferem um sabor leve e frutado, aproximando-se muito de alguns vinhos do Beaujolais, uma região relativamente próxima à Auvergne e que produz vinhos mais notórios, como por exemplo, o Beaujolais-Nouveau, Chiroubles, Juliénas, ou ainda o Moulin-à- vent. Os rosés da Auvergne são essencialmente fabricados com Gamay e são bem secos, tendo como um bom exemplo o vinho chamado “rosé de Corent” que é uma espécie de “sub-denominação” do Côtes-d’Auvergne. Por sua vez, os brancos são baseados unicamente na uva Chardonnay e são vinhos bem encorpados, podendo ser vinhos de guarda para envelhecimento.

 

Os vinhos tintos são ideais para tomar com o queijo “Saint-Nectaire”, já os brancos e os rosés combinam bem com os queijos “Fourme-d’Ambert” ou “Cantal”.

 

Queijo “Saint-Nectaire”

 

Dentro da denominação Côtes-d’Auvergne, encontram-se algumas sub-regiões produtores de vinhos de reconhecida qualidade, tendo obtido prêmios em alguns concursos de vinhos na França. Dentre estes, há de se destacar o “Chanturgue”, o “Madargue”, o “Boudes” e o “Chateaugay”, os quatro são tintos elaborados em pequenas quantidades e com padrão de qualidade elevado.

 

Infelizmente, esses vinhos são difíceis de serem encontrados fora da França, é possível encontrar alguns destes no Reino-Unido. Portanto, para quem tiver a oportunidade de visitar a França e quiser descobrir um novo vinho em uma nova experiência, vale a pena por um procurar um Côtes-d’Auvergne, sobretudo em companhia de um dos principais queijos da Auvergne.

 

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Carlos Bernardo de Oliveira

 

Originário da geração dos anos 80 e 90, tenho grande interesse em música, gastronomia, mixologia, geografia, Rugby, cinema, animais, história, cultura do mundo e vinhos. Já pude conhecer um pouco do mundo, visitando alguns lugares e produtores de vinho europeus e, sobretudo, já pude provar uma boa diversidade de vinhos. Para saber mais, ver meu perfil (Carlos Bernardo) no aplicativo Vivino onde desde 2013, segundo o aplicativo, já experimentei 27% das regiões vinícolas listadas.

 

 

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