O Xadrez já é uma realidade

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Rio Juventude Esporte, este era o nome do projeto esportivo na Rocinha, onde dei os primeiros passos no Xadrez. Meu irmão, Carlos Carvalho, era instrutor, ele que me levou, ainda um garoto, para competir em um clube, onde vi realmente a grandiosidade do Xadrez. Nunca passou pela minha cabeça que a modalidade era praticada em quase todos os países do Mundo, presente em todos os continentes, com uma Olimpíada própria que tem mais de 180 países participando, uma Federação Internacional de Xadrez (FIDE), que só perde para FIFA em número de países filiados. Para um garoto de favela, era tudo grandioso, a piscina do Clube Municipal, lembro que fiquei pelo menos uns 5 minutos olhando a minha carteira de sócio atleta, a piscina, a carteira, a piscina, a sala de xadrez, aquelas pessoas, tudo era diferente, já falei da piscina? Acho que já, mas o pior é que eu nunca usei.

Essa possibilidade que meu irmão me deu, de frequentar lugares que nunca havia sonhado e pessoas com bastante conteúdo para a transmitir, sair da comunidade e ver outros horizontes é, sem sombra de dúvidas, o objetivo que ele tinha para todos os quase cem garotos da primeira turma dele, turma esta que ele nunca esqueceu. Até hoje ele fala com alegria de todos que aprenderam Xadrez com ele e que hoje são Doutores. Faculdades públicas, Petrobrás, Caixa e outras grandes empresas têm garotos que aprenderam com ele. Mas o que ele não esquece também é do único que não escutou seus conselhos, um único dentre todos que tiveram a chance e não a aproveitou. O percentual de garotos que falam do que o Carvalho representou na vida deles é grande, como disse foram quase cem, só na primeira turma, e apenas um deu problema. Mas é impressionante como o Carvalho fala dele, que foi o único que não conseguiu ajudar.

Não fosse isso o bastante, o meu irmão e o Xadrez me proporcionaram a possibilidade de viajar o Brasil inteiro, do Norte ao Sul existe Xadrez. Quando comecei participei de grandes torneios, com mais de cem atletas em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, era uma modalidade em crescimento, mas que a nossa cultura não nos permitia valorizar muito. A Organização da modalidade é igual como qualquer esporte, uma federação no Estado, uma Confederação Nacional e a Federação internacional, mas até hoje me perguntam se o Xadrez é esporte.

Só para que tenham uma ideia, foi disputado nos Estados Unidos, no final do ano passado, o Campeonato Mundial. Estima-se em 1 bilhão de acessos ao site para acompanhar as partidas, este dado veio da Organização do evento. Não é só um esporte, é esporte e com um público considerável no mundo inteiro. Aqui no Brasil, na semana que escrevo este artigo, acontece em Florianópolis um campeonato de Xadrez, o Floripa Open 2017, com mais de 400 atletas, de 15 países e pelo menos 1.000 pessoas envolvidas diretamente no evento. Para alguns isso seria impossível, mas temos capacidade e profissionais competentes para fazermos o que quisermos, somos abençoados, não importa se é de favela ou do asfalto, basta ter um sonho, traçar as metas e alcançar seus objetivos.

Espero que possamos, em breve, ter projetos que ofereçam oportunidades aos jovens, de conhecerem outras realidades, outras pessoas e possam alcançar novos sonhos. O Xadrez já é uma realidade, temos é que mostrar, usar e aprender com isso.

O Xadrez é mágico!

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