Trump: fazendo inimigos e se isolando

Trump, de forma até surpreendente, insiste em construir o tal muro entre o México e os Estados Unidos, que ele tinha prometido durante a campanha.

Muitos achavam que era só bravata de candidato, só que não.

Alguns partidários de Trump estão se jactando que ele apenas estaria cumprindo suas metas de campanha. Eu não me orgulharia tanto se as promessas são ruins. Prefiro que ele as descumpram do que cumpri-las e prejudicar a relação com outros países.

Hoje, de certa forma, já existe uma barreira que cobre cerca de um terço da fronteira de mais de três mil quilômetros entre EUA e México. Ela foi erguida e reforçada pelos presidentes mais recentes, incluindo democratas e republicanos. Essas áreas com barreiras estão entre as mais visadas e populosas do EUA e do México.

Uma curiosidade que poucos sabem: de 2009 a 2014 mais pessoas deixaram os Estados Unidos pelo México do que o oposto. Nesse período, estima-se que 1 milhão de mexicanos e suas famílias deixaram os Estados, incluindo crianças norte-americanas. Por outro lado, calcula-se que 870.000 mexicanos deixaram o México.

Não está dizendo com isso que o governo norte-americano não pode combater a imigração ilegal. Está no seu direito. O próprio nome já deixa claro: ilegal. O que está em discussão aqui é a forma e o modo com que isso está sendo conduzido.

A nota mais curiosa dessa história é a insistência do Trump que o custo da construção do muro, estimado entre 14 bilhões de dólares e 20 bilhões de dólares, seja absorvido pelo México.

Esse tipo de imposição tende a estremecer a relação entre os 2 países e jogar mais o México para o lado da China e outros países. Em resumo, não é uma estratégia inteligente. Depois do muro construído, a tendência será a de se abrir vários buracos nele durante a madrugada para a entrada de ilegais. Portanto será preciso um trabalho de manutenção eterno, com a conta paga pelo México, é claro. A alternativa seria uma vigília constante 24 horas por dia em todos os 3 mil quilômetros de fronteira, com todos os custos recorrentes associados. Nesse caso, ressuscitaremos o tempo da temida Stasi, polícia da antiga Alemanha Oriental, que atirava nos "desertores", só que do lado oposto da fronteira. Falando em Alemanha Oriental, Checkpoint Charlie em Berlim é uma exibição turística de um antigo posto militar junto ao antigo muro de Berlim, com uma pequena e interessante exposição anexa. Quem sabe o Trump queira repassar também esse custo para o México, incluindo o custo da munição ... "Os fatos não mudaram. Construir uma muralha é a mais cara e menos efetiva maneira de proteger a fronteira", disse Will Hurd, deputado federal republicano pelo Texas em um distrito eleitoral, perto do oeste do México, que tem mais de 1.280 quilômetros da fronteira. "Muitas áreas no meu distrito são exemplos perfeitos de lugares nos quais uma muralha é desnecessária, e afetaria negativamente o meio ambiente, os direitos individuais de propriedade e a economia". Esse tipo de atitude, e mais as exageradas tintas protecionistas, se passarem pelo Congresso, o que não é fácil, tenderiam a atirar os EUA por trás de uma cortina de isolamento insano e fortalecer posições de países como China, Índia, Rússia e até Brasil. Em relação à importação, surpreendentemente os EUA está entre os 4 países que menos importam em relação ao seu PIB, de uma relação de 139 países. Em 2015 os EUA importam apenas 15,5% do seu PIB; o Brasil, 14,32%, o Sudão, 12,07% e a, Argentina 11,87%. Brasil é sempre o Brasil, Argentina, o lanterninha, está diante de uma moratória ainda não levantada e o Sudão tem um estado extremamente precário. Venezuela, Cuba e Coreia do Norte estão fora dessa lista. Trump alega que os empregos foram roubados pelos estrangeiros, só que curiosamente a taxa de desemprego nos EUA estava em apenas 4,3% em novembro de 2016, número considerado bom. Se fosse comparado com a Europa, seria a quarta taxa mais baixa de 30 países da Europa, só superado pela Alemanha(4,1%), República Checa (3,7%) e Islândia (2,8%). Alguns dos outros países desenvolvidos incluem Japão: 3,1%, Inglaterra: 4,8%, Nova Zelândia: 4,9%, Austrália: 5,8%, Canadá: 6,9%, França: 9,5%, Itália: 11,9% e Espanha: 19,2%. O eterno Brasil está com 11,9% de desemprego. Até agora. Ou seja, as tais "perdas internacionais", tão citadas pelo finado Brizola em outro sentido, não está nessa dimensão toda alardeada pelo Trump.

No dia 25 de janeiro, Rodriguez Peña Nieto, presidente do México, declarou, diante d