Cenas do cotidiano

03.02.2017

Sempre que Margareth, minha neta peluda, vem dormir aqui em casa, é uma alegria só. Bem, pelo menos até a hora de ir dormir. Colocar uma caminha pra ela no chão é pura perda de tempo. Ela passa ao lado daquilo várias vezes por dia, mas no máximo dá uma espiada rápida com ar de desdém. Quase posso ouví-la dizer "ué, será que mora algum cachorro aqui? Não estou entendendo essa caminha..."  Chega a noite, deito pra dormir, e ela dá um vôo rasante sobre o meu rosto, tentando tomar conta do travesseiro. A respiração dela em cima de mim incomoda. Peço com toda delicadeza pra ela se deitar na beira da cama. É claro que ela permanece imóvel, fingindo não entender. Meu marido tenta ajudar, arrasta a bichinha até o ponto que seria confortável para nós três, mas é em vão.  Imediatamente ela volta, agora encostando todo seu corpo na lateral do meu.  O calor dela me lembra uma bolsa de água quente.  Bate o desespero, afinal tem feito quarenta e tantos graus todos os dias, o que potencializa minha intolerância ao calor.  Empurra daqui, empurra dali, e eu acabo adormecendo, vencida pelo cansaço.  Ao longo da noite essa história se repete pelo menos umas cento e cinquenta vezes.  Em alguns momentos ela preferiu se esticar na horizontal, fazendo com que sobrassem apenas alguns milímetros pra mim. Também não sei precisar quantas vezes acordei com o coração aos pulos, enquanto ela latia e saltava em direção à porta pra nos salvar do inimigo oculto das trevas da noite.

 

 

Já é dia, pareço um zumbi, mas preciso sair.  Uma lista de compromissos me aguarda, todos inadiáveis.  Margareth vai ficar em casa, dormindo o sono dos justos.

 


Muita gente se queixa que os "amigos" vivem mandando indiretas pelo face. Meu caso é diferente, o próprio face se encarrega disso. Se assim não fosse, como explicar o fato de todos os anúncios da lateral da página falarem em rejuvenescimento, emagrecimento, moda plus size, cintas emagrecedoras, remédios milagrosos e outras indelicadezas? Por falar nisso, outra queixa muito comum vem de mulheres cujos maridos já não prestam atenção nelas. Sinceramente, eu não posso reclamar. Outro dia, por exemplo, acordei arrasada, me sentindo feia e gorda. Comentei com meu marido, que logo tratou de me consolar dizendo que velhas magras são até piores. Isso é consolo??? Não poderia ter sido mais direto! Pra tentar levantar minha autoestima, fui ao salão fazer pé e mão, e escolhi uma cor de esmalte completamente diferente das que eu costumo usar. Chegando em casa, ele arregalou os olhos e disse que minha unhas pareciam estar tomadas por fungos...Alguém me indica um bom advogado, de preferência especialista em litígio?

 

 

Teve também minha experiência com aqueles produtos que prometem bronzeamento sem sol. Apliquei o produto no rosto seguindo as instruções, e no dia seguinte saí atrasada para trabalhar.  Nem tive tipo de passar um rímel e um batom, mas faria isso no escritório.  No caminho para o trabalho, já imaginava a mulherada toda invejando meu tom dourado... Mas a realidade sempre é mais cruel.  Fui olhada com um misto de susto e pena.  Vi algumas pessoas tentando conter o riso. Uma amiga chegou muito sem graça, perguntando se eu estava com algum problema no fígado.  Não entendi a pergunta até ir pra frente do espelho me maquiar.  Eu estava cor de laranja, uma versão feminina do Donald Trump.
 

 

Quando meu filho mais velho morava em terra firme, de vez em quando éramos convidados para um churrasco na casa dele.  Geralmente só tínhamos que levar as carnes, o arroz, a farofa, o molho a campanha, a maionese, as bebidas, o carvão e o gelo. Pratos, copos e fósforo tinha lá!  Aí ele se mudou para um veleiro e nos convidou para um passeio pela Baía da Guanabara, com almoço a bordo. Que delícia!  Ele faria um macarrão a bolonhesa, sua especialidade. Eu só teria que levar a carne moída, a cebola e o alho já picados, uma caixinha de molho de tomate, o queijo ralado e as bebidas.  Macarrão ele tinha!  A história terminou numa pizzaria...ele se esqueceu de comprar gás.
 

 

A atendente do outro lado da linha pergunta o meu nome.
-Suely.
-Suely de que?
-Rosset.
-Como?
-Rosset. R de Roma, O de ovo, dois S de Salvador, E de elefante e T de tatú.
-Ah, tá.  Suely de Souza Ferreira?

 

 

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Suely Rosset

 

Sou paulista, casada, e tenho dois filhos:  o mais velho é piloto comercial e dono de uma empresa de aluguel de veleiros, o mais novo estudante de engenharia estagiando no mercado financeiro. Sou formada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, mas moro no Rio de Janeiro há mais de trinta anos.  Já trabalhei em metalúrgica, estatal, joalheria, tive meu próprio negócio e atualmente não trabalho.  Há alguns anos comecei a me interessar por política e hoje esse é um dos meus temas favoritos.  Costumo ler artigos do Rodrigo Constantino, Alexandre Borges, Felipe Moura Brasil e diversos autores do Instituto Liberal.  Em relação a partido político, me identifico com o Novo e sua ênfase no indivíduo, na meritocracia, na livre iniciativa, no respeito à propriedade privada e no desejo de um Estado menor e mais eficiente.

 

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