Não me leve a mal, deixe de ser chatx, hoje é carnaval

08.02.2017

 

Carnaval chegando e aquela turma descolada, que vive procurando pêlo em ovo, resolveu "problematizar" - eles adoram essa palavrinha - a festa pagã. De repente me deparo com uma reportagem onde descubro que marchinhas clássicas como O Teu Cabelo não Nega, Maria Sapatão, Cabeleira do Zezé, e outras, serão abolidas em determinados blocos. Motivo? Apologia ao racismo, homofobia e até incitação à violência! Sim, eles alegam que a frase "corta o cabelo dele" estimula a violência contra gays!?!

 

Seguindo essa mesma linha, descobri que eu, judia que sou, poderia me sentir ofendida com os versos de Gonzagão no clássico Asa Branca. Afinal em um determinado trecho ele se pergunta "por que tamanha judiação"! Estranho... isso não me ofende... seria eu uma judia antissemita? E será que se um folião empolgado cantar "vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é Carnaval" isso não caracteriza assédio? Uns iriam até mais longe dizendo se tratar de clara tentativa de estupro! Ora, menos, por favor! Lamartine Babo, João Roberto Kelly e outros autores de marchinhas jamais tiveram a intenção de ofender alguém!

 
Tem também as fantasias a serem evitadas, que vão desde as de indocumentados (mais conhecidos como refugiados), até as de índio(a). Ou seria indix?

Mas qual não foi minha surpresa ao descobrir que referir-se a uma pessoa como "mulata" é ofensivo! Eu sempre associei a palavra "mulata" a mulheres maravilhosas e donas de um tom de pele único, que aliás eu sempre invejei. Quando eu era mais nova, aproveitava cada momento livre para me esticar sob o sol. Tal qual um jacaré, eu me mantinha imóvel, besuntada de Rayito de Sol da cabeça aos pés. Para minha frustração, tudo que eu conseguia eram bolhas, insolação, sardas e um tom de vermelho horroroso. Não, pior que o vermelho era o tom bicolor, quando a pele começava a descascar.

Tudo isso me veio à mente ontem, quando incrédula, descobri que a palavra "mulata" não deve ser mencionada pois é pejorativa, portanto politicamente incorreta!

Por analogia, se eu quiser comer aquele bolo chamado Nega Maluca, devo me referir a ele como afrodescendente do sexo feminino com distúrbios mentais? Claro que não! Definir a pessoa como sendo de determinado sexo é opressivo e limitante! Bolsominion! Fascista! O certo é flanar entre os gêneros! Ok, melhor escolher outro sabor, qualquer coisa mais neutra que não magoe ninguém. Já sei, laranja! Não, laranja lembra a cor do Trump. Ah, sabia, nunca me enganou... vc apóia o Trump!


Falando sério, dá pra essa gente parar de torrar a paciência alheia e ir catar coquinho? E para os que esperaram o ano inteiro por esse momento, divirtam-se, cantem muito, dancem muito, beijem muito e sejam felizes! Afinal de contas é Carnaval!

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Suely Rosset

 

Sou paulista, casada, e tenho dois filhos:  o mais velho é piloto comercial e dono de uma empresa de aluguel de veleiros, o mais novo estudante de engenharia estagiando no mercado financeiro. Sou formada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, mas moro no Rio de Janeiro há mais de trinta anos.  Já trabalhei em metalúrgica, estatal, joalheria, tive meu próprio negócio e atualmente não trabalho.  Há alguns anos comecei a me interessar por política e hoje esse é um dos meus temas favoritos.  Costumo ler artigos do Rodrigo Constantino, Alexandre Borges, Felipe Moura Brasil e diversos autores do Instituto Liberal.  Em relação a partido político, me identifico com o Novo e sua ênfase no indivíduo, na meritocracia, na livre iniciativa, no respeito à propriedade privada e no desejo de um Estado menor e mais eficiente.

 

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