Armas geram ou evitam violência?


Como o Aquecimento Global, esse é um tema complexo em que a maioria das pessoas já traz uma opinião pronta formatada a partir de sua ideologia maior. E aí se fecham a números que não colocam essa temática no extremo que se afina com seu ideário.

A ideia é trazer uma série de números, alguns puxando em sentidos opostos, para levar a reflexões mais ricas e que escapem da linearidade de opiniões rígidas.

As pessoas dizem que armas não matam, assim como carros não matam. Ainda que isso seja verdade, esse tipo de retórica leva a exageros.

É preciso reconhecer que, independente das leis vigentes, qualquer pessoa tem um cabedal de meios ilícitos de arranjar uma arma. A venda legal só torna as coisas um pouco mais fáceis.

Como o artigo do Mercado Popular bem observou, a ilegalidade diminui um pouco o fluxo de armas porque elas ficam mais caras e, pela lógica, a demanda se reduz e assaltantes Zé Arruelas usarão mais facas e canivetes, assim como o mecânico de rua tem ferramentas bem mais precárias para consertar carros, ainda que a profissão dele as exijam. Isso acontece não porque as ferramentas mais caras são proibidas, mas devido a seu preço.

Em alguns estados, a facilidade nos EUA para aquisição de armas é verdadeiramente exagerada. Vendem-se verdadeiras máquinas de morte com pretexto de se exercer a legítima defesa.

O último grande assassinato em massa nos EUA foi na boate gay em Orlando no dia 12 de junho do ano passado, onde 49 pessoas morreram.

O assassino usou um poderoso rifle Sig Sauer MCX semiautomático, estilo AR-15, com balas de 5,7 mm de diâmetro, 2,7 kg, com capacidade de disparar 30 tiros em apenas 11 segundos. As armas semiautomáticas são como carros automáticos. É só pressionar o gatilho para disparar, não precisa qualquer outra etapa para atirar de novo.

Nos EUA, em muitos estados, é bem fácil adquirir armas, de qualquer porte. Incrível imaginar que era possível comprar AR15 em um Walmart, até ela sair do mercado.

As pessoas pensam que vão ser atacadas por um exército? Sim, porque para se defender de um assalto em uma residência, ninguém precisa de uma arma dessa natureza!

Assim como a NRA (National Rifle Association) gasta milhões de dólares nos EUA em lobbies a favor da venda generalizada de armas, aqui no Brasil, há uma bancada expressiva de deputados, a tal Bancada da Bala, que são financiados pela indústria de armas.

Não é pelo bem da população que se vendem armas, é para fazer muito dinheiro vendendo a ilusão de proteção. Eles não querem que as pessoas se protejam. Eles estão na folha de pagamento da indústria! Assim quanto mais armas e munição eles venderem, mais eles ficam felizes.

Essas figuras estão patrocinando uma proposta que incluem absurdos como permitir a posse de armas por ex-detentos, desde que não seja condenado por homicídio doloso. Há ainda uma quota de 600 b