Anti-versos

Meu silêncio de árvore

Demanda tempo e espaço

Enquanto em êxtase passo

O tal hexâmetro datílico

Nada que é forma convém

Não ao acordo ortográfico!

E à hifenização das palavras!

Pois

Meus olhos tatuados de ilusão

Sorvem do ventre o suave veneno

Que escorre sem tréguas, lento e sereno,

Das palavras, que seguem em profusão,

Pela tua boca até a “alma minha”

Cacófago!!!

Antes isso do que antropófago!

Modernista, pois sim!

Onde a arte contribuiu com um palmo

Para desafogar a fila do SUS?

Estética! Para que serve a estética?

Para exercitar meu lado contemplativo?

O imbecil fala em “alta cultura”

Que deve ser aquela contemplada

Do alto dos arranha-céus!

E pior que eles não arranham céus!

Céus, palavra de origem pagã...

E todos falam que querem ir para o Céu!

Céus, se, pelo menos, soubessem

Quem é Uranos!

O que a arte trouxe de novo?

“Admirável mundo novo”

Prefiro o velho das coisas...

Não posso contribuir com um verso,

Meu velho,

Porque as palavras não dizem mais

O que quero dizer...