Análise do livro "O Amante Japonês" de Isabel Allende

05.03.2017

Essa é a história de uma paixão secreta que perdurou por quase setenta anos.

 

Começa em 1939, ano da ocupação da Polônia pelos nazistas, quando uma menina (Alma Mendel) de oito anos, é enviada pelos pais para viver em segurança com os tios em São Francisco. Lá, já com a guerra acontecendo no mundo, ela conhece o filho do jardineiro japonês da família e com o tempo, despercebido por todos ao redor, um caso de amor começa a acontecer. Depois do ataque a Pearl Harbor, no entanto, os dois são cruelmente separados. Os japoneses são declarados potencialmente inimigos e transferidos compulsoriamente para campos de concentração mantidos pelo governo dos Estados Unidos (essa parte é muito triste, como sempre quando se fala em guerras... não dá para ser diferente, é algo muito forte, sempre mexe com a gente. Nesse caso então, onde ainda entram as tradições japonesas, o nosso emocional é cutucado de várias maneiras!).

 

Décadas depois, quando Alma, já idosa, está vivendo numa excêntrica casa de repousos (Lark House), presentes e cartas misteriosos são descobertos por Seth (neto de Alma) e Irina (enfermeira que trabalha na casa de idosos e que também tem uma história de vida bastante conturbada). Esse fato vai trazer à tona uma paixão secreta que perdurou por quase setenta anos e por conta dessa descoberta, varrendo através do tempo e abrangendo diferentes gerações e continentes, o livro explora as questões de identidade, de abandono, de redenção e, principalmente, mostrando o impacto que o destino nos reserva ao longo da vida.

 

Numa passagem muito bonita, Alma fala ao neto e à enfermeira que o seu reencontro com Ichimei (o filho do jardineiro) aos vinte e dois anos, depois de doze sem se verem, fez o amor adormecido da infância voltar com uma força tal que era como se fosse para provar que a paixão é universal e eterna através dos séculos. E fala também de como seria difícil para eles entenderem, sessenta anos depois, como eram intransponíveis os obstáculos que o jovem casal enfrentou naquela época, já que os costumes e as circunstâncias mudam o tempo todo! Essa diferença de tempo, de costumes e de modo de viver é descrita com uma delicadeza tão bonita e tão clara que emociona muito.

 

Para finalizar é preciso falar da autora, da atenção minuciosa que sempre dá em seus livros aos detalhes históricos e da riqueza na precisão deles, dessa sua capacidade de nos mostrar os fatos históricos somada a uma perfeita descrição dos sentimentos e vivências dos personagens transformando, em especial nesse livro, num comovente tributo à constância do coração humano em um mundo que não para de mudar... não fosse ela Isabel Allende!!!!

 

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

 

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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