Saúde Digital é diferente de digitalizar a Saúde - como mudar nosso conceito?

13.03.2017

 

Já tentou mudar algum hábito em sua rotina diária, talvez na alimentação, exercícios, estudo, etc? Bem, mesmo que você esteja super motivado, confiante que a mudança será para melhor e que existam evidências que indicam que você precisa mudar, algo lá no fundo te diz: “deixa disso, estava funcionando bem até agora, por que ficar inventando moda”? 

 

Creio que todos nós lidamos com este desafio em nossas vidas. Mudar é muito difícil, mesmo quando sabemos que precisamos! E se não tivermos o apoio dos com quem convivemos e de um ambiente que favoreça a mudança, então o desafio é ainda maior.

 

Ao falarmos da mudança pelo qual a Saúde está passando, do mundo analógico para o digital, muitos talvez achem que certas ações simplistas (como "informatizar o departamento") serão suficientes para se vencer os desafios impostos neste século 21, aonde somos cada vez mais seres digitais. Talvez pensem que bastará “digitalizar” a Saúde

como ela é hoje e tudo estará melhor, mais bonito, tecnológico e ponto! Não teremos que mudar o modo de fazer as coisas, apenas trocaremos o formato de fazer as coisas....simples e óbvio, não?

 

Mas se fosse tão simples, muitas coisas na Saúde já teriam mudado. Lembre, mudar é difícil, se não houver um elemento crucial – mudar nosso modelo mental de ver a nós e o que está ao nosso redor. Guarde bem isso!

 

Veja este exemplo real. Considere o que aconteceu com o Dr. Ignaz Semmelweis, um médico que trabalhava em Viena (Áustria) na década de 1840. Havia uma doença que matava milhares de mulheres. Após o parto, a mãe sentia dores no abdômen, que inchava, tinha muita febre (conhecida depois como febre puerperal ou do parto) e tinha períodos de delírio. O problema era que ninguém sabia ao certo qual era a causa da doença. Ele observou que a taxa de mortalidade por febre puerperal caiu dez vezes quando os médicos lavaram as mãos antes de tratar pacientes.

 

 

Ele compartilhou suas descobertas com seus colegas para introduzir a lavagem das mãos como uma prática padrão. Apesar dos dados, seus colegas médicos descartaram suas descobertas. Na verdade, seus colegas e até mesmo sua própria esposa achavam que Semmelweis estava ficando louco, tanto que o mandaram para uma instituição mental onde ele morreu pouco depois.

 

Por que Semmelweis não conseguia persuadir as pessoas com sua inovação? Na década de 1840, o modelo mental da doença era um desequilíbrio de quatro "humores" no corpo, como fleuma, bile e sangue. Cada doença era inteiramente interna e única. Com este modelo mental, os colegas de Semmelweis não conseguiram ver como a lavagem das mãos pode afetar a saúde de uma pessoa. Não importava o que os dados diziam!

 

Modelos mentais são como o cérebro atua para fazer sentido a grande quantidade de informações que são processadas a cada momento de cada dia. Eles são a lente através da qual vemos o mundo. O filtro que separa o sinal verdadeiro do ruído. O quadro para atribuir causa e efeito. O "filtro seletor" para decidir o que inserimos em nossa consciência.

 

Num artigo escrito por Mark Bonchek, fundador do "Shift Thinking"

(http://shiftthinking.squarespace.com/mark-bonchek/) , ele levanta vários argumentos interessantes sobre mudança de pensamento e de cultura, que nos leva então a mudar nosso comportamento.

 

Ele cita um dos atuais problemas enfrentados pela inovação digital disruptiva – novos produtos ou serviços não necessariamente serão sucesso ou conseguirão seu espaço de mercado. Porque? Veja o que Bonchek analisou.

 

Em certa empresa uma equipe cria uma novidade inovadora só para vê-la atolada em debates internos. Quando é finalmente lançado no mercado, há uma onda inicial de vendas para os “early adopters” (aqueles que sempre compram as novidades lançadas), mas então os ciclos de vendas tornam-se lento. Os clientes iniciais são entusiastas, mas a

adoção mais ampla é lenta, mesmo com suporte ao cliente e treinamento. Todas as peças estão no lugar para criar "inovação disruptiva" mas os resultados de vendas são decepcionantes. O que está faltando?

 

O problema é que dados, informações e propostas de valor não são suficientes para vender produtos ou serviços inovadores, em especial na Saúde. Nós todos sabemos o provérbio, "Eu só acredito vendo". Mas quando o assunto é inovação, a verdade é frequentemente o oposto, "Eu só vou ver quando eu acreditar". Para vender sua idéia aos executivos da empresa, aos compradores, e aos usuários, você tem que mudar não só o que eles pensam, mas como eles pensam. Sem o modelo mental correto, eles não vão ver o problema, entender os benefícios ou fazer a mudança.

 

Por isso, voltando ao tema de nosso artigo, a Saúde Digital é muito diferente do que apenas digitalizar a Saúde de hoje, que traz em sua essência o modelo mental dos séculos passados. A Saúde Digital que vislumbramos precisa mudar o modelo mental de como abordamos os problemas atuais da Saúde atual! Senão, não venceremos os desafios ou levaremos muito tempo, algo que os pacientes em grande parte não possuem de sobra.

 

As empresas que ajudam os clientes a mudar seu pensamento serão mais eficazes na solução de problemas e, finalmente, na venda de produtos e serviços.

 

O que temos pela frente não é uma simples mudança de formato na Saúde, mas uma jornada inteira que começa com a mudança no modelo mental de como enxergamos os problemas e vislumbramos as novas soluções que a Saúde tanto precisa. Temos que começar e perseverar na jornada da Saúde Digital!

 

Retornaremos futuramente a este tema da jornada da Saúde Digital, buscando agregar o que cada inovação e transformação em áreas distintas da Saúde estão realizando e conectando elas como num quebra-cabeça.

 

Para terminarmos, ficam duas mensagens para refletirmos e que são essenciais se havemos de acompanhar a transformação da Saúde Digital:

 

"As inovações realmente boas - aquelas que mudam o mundo - precisam ser explicadas antes de serem aceitas", disse Beth Comstock, Diretora de Marketing da GE.

 

Albert Einstein disse uma vez: "Não podemos resolver nossos problemas com o mesmo pensamento que usamos quando os criamos".

 

 

 

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No próximo Post traremos um novo tema relacionado a aonde a Saúde Digital nos levará?

 

Abraços a todos!

 

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Guilherme Machado Rabello,

Engenheiro pela Escola Politécnica da USP, com longa experiência no setor de telecomunicações e consultor técnico de projetos para empresas do setor de radiodifusão, entretenimento, mídias digitais interativas e Educação a Distância (EAD). 

Desde 2011 atua na área de Saúde no desenvolvimento de soluções em Telemedicina, Inovação Médica de produtos e processos. Responde atualmente pela Gerência Comercial e de Inteligência de Mercado do InovaInCor (núcleo de inovação do Instituto do Coração InCor e da Fundação Zerbini). É certificado pela associação americana Society for Advancement of Blood Management (SABM) em Patient Blood Management. Atua como palestrante nacional e internacional. 

email: grabello.inovaincor@zerbini.org.br

 

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