Crítica do livro DOIS IRMÃOS de Milton Hatoum

25.03.2017

DOIS IRMÃOS de Milton Hatoum

O enredo tem como centro a história de dois irmãos gêmeos - Yaqub e Omar - e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa a empregada da família, e seu filho. Esse menino - o filho da empregada – vai ser o narrador, trinta anos depois, dos dramas que testemunhou. Na verdade ele está mesmo é buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa e tentando reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou as histórias dos outros.

 

É uma narrativa onde os personagens se entregam ao incesto, à vingança e à paixão excessiva. Tudo se passa em Manaus, numa região próxima ao porto e à margem do rio Negro: a cidade e o rio acompanham por anos o andamento do drama da família e seus agregados onde Halim, o pai, um eterno apaixonado pela esposa que apenas observa e se ressente da dedicação desmedida que ela tem pelo seu gêmeo preferido, Omar. Aí nesse contexto vivem também Yaqub, o outro gêmeo, com todos os traumas que a rejeição da mãe trouxe para ele desde muito pequeno, a irmã, Rânia, com sua relação amorosa com os irmãos, Domingas, a empregada que o filho define como uma mulher que não teve escolhas, e o filho dela que é moldado apenas pela condição de ser... o filho da empregada!

 

É um livro duro, amargo, violento, triste e quase não existem passagens onde possamos vislumbrar um pouquinho de alegria, de um amor normal, de algo que traga à nossa memória alguma lembrança boa: é só violência, loucura e amargura! Muito bem escrito, é verdade, mas muito duro também a meu ver.

 

Alguém deve estar se perguntando por que então li até o final e ainda comento um livro que não me deu prazer algum (confesso que senti um grande alívio quando cheguei ao fim...). Provavelmente a resposta não será muito simples, mas vamos lá, vou tentar: talvez eu seja uma otimista e no fundo achasse que nada poderia ser tão ruim, que uma hora alguém ia mostrar um lado bom ou alguma coisa iria acontecer para mudar o ritmo dessa prosa... talvez porque o autor escreva tão bem, com suas frases curtas e objetivas,  que acabou me prendendo ...talvez eu quisesse apenas saber até onde nos levaria aquela história tão sofrida e como o autor iria conseguir colocar um ponto final nela... talvez porque os personagens sejam tão bem construídos apesar de todas suas mazelas negativas... ou apenas porque o que eu queria mesmo era ler o livro que deu origem à recente minissérie da TV Globo que não vi e algumas amigas elogiaram muito!!! Realmente não sei por que li e comento esse livro...não gostei dele!

 

Todas as críticas que vi sobre o “Dois Irmãos” exaltam o livro como uma verdadeira obra de arte. Quem sou eu para duvidar disso? E realmente não duvido! Mas preciso reafirmar que coloco aqui apenas a minha impressão como leitora e que eu não sou uma crítica profissional: ou gosto ou não gosto do que leio, é simples assim! E dessa vez... não gostei! É bem escrito? Claro que é: Milton Hatoum é um escritor reconhecido por saber imprimir clareza e sobriedade em frases curtas e pouco adjetivadas e com isso dar muita objetividade ao texto. Mas para mim só isso não bastou. Fiquei com a impressão de que todos os lugares descritos são escuros, enevoados, sufocantes. No meu imaginário Manaus (onde nunca fui) ficou quase como uma sombria Londres dos filmes de terror e a casa da família um lugar opressivo e escuro. Aliás, era tudo preto e branco... Minto: às vezes era cinza! E as pessoas são esquisitas, mal humoradas, tristes, covardes, más ou apenas contemplativas como é o caso de Halim, o suposto “patriarca” dessa história.

 

Enfim, relendo tudo que escrevi acima cheguei à conclusão de que o autor é que me fez ler o livro e não a história que reafirmo ser muito amarga e dura. Pelo menos para o meu gosto: não sou leitora de contos de fadas e sei que a vida não é um mar de rosas ou feita apenas de bons momentos e felicidade, mas esse livro exagerou tanto na amargura, na dor e na violência que me fez sentir falta das “normalidades” de uma vida cotidiana!

 

 

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

 

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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