A verdade agradece!

26.03.2017

Sou do tempo em que telefone fixo custava tão caro que era considerado patrimônio, e como tal, deveria constar da declaração anual de imposto de renda. A espera por uma linha podia demorar uma eternidade, o que fez surgir um mercado paralelo. Quem tivesse pressa - e condições financeiras - pagava por um telefone fixo o preço de um carro. Se você tem mais de 40 anos e mora no Rio, certamente se lembra do Bob da Barra e seus anúncios nos classificados dos principais jornais.

 

Fazer um interurbano durante uma viagem de férias, por exemplo, era um exercício de paciência. Era preciso ir a um posto telefônico e aguardar no meio de dezenas de pessoas, enquanto as telefonistas tentavam estabelecer contato com os números solicitados. Que alívio quando gritavam nosso nome indicando o número da cabine! Felizmente isso ficou no passado, pois veio a privatização do setor e o acesso à telefonia se estendeu a praticamente toda a sociedade.

 

Em seguida foi a vez dos celulares, substituídos rapidamente pelos smartphones. Assim como a calça jeans, esses aparelhos hoje fazem parte do cotidiano das pessoas, num mercado sempre em ascensão. Através dele interagimos, pesquisamos, compramos, vendemos, estudamos, pagamos contas, enviamos currículos, aprendemos receitas, visitamos museus, ouvimos música, assistimos filmes, chamamos um Uber, planejamos uma viagem, recebemos notícias em tempo real, e até combinamos um churrascos com os amigos. Se bem que depois da Operação Carne Fraca os churrascos andam meio em baixa... Mas enfim, o mundo ficou menor depois que esses aparelhinhos conectados à internet invadiram nossas vidas. É inegável que eles encurtaram distâncias e facilitaram nosso dia a dia, mas existem duas coisas que me incomodam demais nesse novo modo de vida.

 

A primeira delas é a maneira como certas cenas aparecem na nossa timeline, sem que tenhamos a opção de não vê-las. Me incomoda profundamente abrir o face e me deparar com imagens de acidentados, decapitados, animais machucados e outras atrocidades. Assim como todos têm o direito de postar essas imagens, também gostaria de ter o direito de não vê-las. Muitas vezes essas coisas são postadas por pessoas queridas, que usam imagens fortes para chamar nossa atenção para causas que defendem.

 

Então como respeitar o direito de todos? Acho que todo conteúdo desse tipo deveria vir com uma advertência inicial alertando para o teor das imagens, de modo que apenas os interessados visualizassem as fotos. Algumas vezes até encontro essa advertência, mas apenas em sites jornalísticos e muito raramente, diga-se de passagem.

 

A segunda coisa são os boatos. Fico impressionada como eles proliferam e são disseminados pelas redes sociais. Não passa um dia sem que a gente receba inúmeras notícias falsas. Um dia a questão é a privacidade do facebook, no outro a morte de algum famoso, a notícia supostamente censurada pela Globo, a outra notícia supostamente anunciada na Globo, a cura do câncer, o poder da maçã, o perigo da maçã, a erupção de um vulcão, a invasão do Congresso, o perigo da vacina contra a febre amarela, os pombos como matéria-prima da cerveja, o fim do mundo, e por aí vai. Os assuntos mais esdrúxulos são abordados, o tom é invariavelmente alarmista, as informações sempre imprecisas, quando não mentirosas, e a mensagem final é sempre a mesma: espalhe para o maior número de pessoas. Ora, tenho certeza que 99,99% das pessoas que compartilham esses boatos o fazem na melhor das intenções. O problema são as consequências que essas inverdades podem gerar. Peguemos como exemplo a cura do câncer. Tem sentido ela ter sido descoberta e não haver nenhuma matéria sobre isso nos principais jornais e revistas? Será que só aquele blog que quase ninguém conhece é que ficou sabendo de uma notícia aguardada pela humanidade há décadas? É pra desconfiar, não é verdade? Além disso, vamos nos colocar no lugar de quem está doente, ou tem um ente querido nessa situação. Imagine a frustração de, após um sopro de esperança, descobrir que tudo não passa de um boato. Por isso é muito importante checar cada informação, antes de sair postando por aí. Por melhores que sejam as suas intenções, desconfie das intenções de quem inventou a "notícia".

 

A imagem abaixo dá ótimas dicas de como agir diante de um pedido de compartilhamento de textos. Também existem algumas páginas especializadas em desvendar essas notícias, como a boatos.org, além do próprio google, é claro. Que tal dar uma espiadinha antes do próximo compartilhamento? A verdade agradece!

 

 

LEIA TAMBÉM

Outros Artigos:

 

Individualismo, individualidade e individuação – diferenças que fazem toda a    diferença por Yedda Macdonald

-  Rede social, a nova caverna de Platão por Susana Verdera

Modismos não são só para outros tolos por Paulo Buchsbaum

- Dia a dia por Viviane Tavares


 

Suely Rosset

 

Sou paulista, casada, e tenho dois filhos:  o mais velho é piloto comercial e dono de uma empresa de aluguel de veleiros, o mais novo estudante de engenharia estagiando no mercado financeiro. Sou formada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, mas moro no Rio de Janeiro há mais de trinta anos.  Já trabalhei em metalúrgica, estatal, joalheria, tive meu próprio negócio e atualmente não trabalho.  Há alguns anos comecei a me interessar por política e hoje esse é um dos meus temas favoritos.  Costumo ler artigos do Rodrigo Constantino, Alexandre Borges, Felipe Moura Brasil e diversos autores do Instituto Liberal.  Em relação a partido político, me identifico com o Novo e sua ênfase no indivíduo, na meritocracia, na livre iniciativa, no respeito à propriedade privada e no desejo de um Estado menor e mais eficiente.

 

Please reload

 SIGA-NOS AQUI TAMBÉM 
  • Facebook B&W
  • Twitter B&W
  • Instagram B&W
 os mais RECENTes : 

August 6, 2018

August 3, 2018

July 18, 2018

July 11, 2018

Please reload

Please reload

Copyright © 1Olhar 2017

  • Grey Facebook Icon
  • Grey Twitter Icon
  • Grey Instagram Icon

O 1 Olhar é uma plataforma colaborativa com mais de 50 colunistas compartilhando o olhar, a opinião de pessoas normais sobre os acontecimentos que nos cercam.

Quer colaborar? Entre em contato