A conexão, o vilão e o permitir-se

26.04.2017

Estava eu no metrô indo assistir uma palestra do monge Luang Por Liem, muito feliz em participar daquele encontro. Disposta a escutar com atenção o que ele tinha a passar, esperando surgir mais respostas para as questões da vida. De repente, na minha frente, duas mulheres, na faixa dos 26 anos, voltando do trabalho, conversando sobre o dia, seus desafios e as ansiedades que se estabelecem diariamente no cumprimento de seus objetivos… Eu me senti no lugar delas, voltando anos, no início de uma carreira, corrida com tudo, querendo apresentar o meu melhor… e me sentindo sempre ansiosa em me alimentar e me afirmar no meio de tanta agressividade e disputa. Eu estava me construindo naquilo. Naquele momento, pensei, a minha charada foi descoberta. Eu sei o que preciso pra mim… tudo ficou claro.

 “O que está oculto é como uma charada. Quando a charada é resolvida, a verdade é revelada.  Uma charada é apenas uma charada enquanto não foi resolvida.” Essa frase – retirada do livro Através do Musgo, Autobiografia de Karin Bagoien – me fez repensar em algumas questões da minha vida… tudo que não enxergamos é uma charada… O porquê de uma angústia ou de ter terminado de um jeito triste. Por que não estou feliz ou me sinto sem objetivo? De onde vem o vilão?

 

Antes de falar de minha charada descoberta e o vilão de tudo, é muito importante abordar sobre as conexões que fazemos na vida… Escolhemos o que fazer, o que vestir, nossos amigos, nossas crenças, do que gostamos de comer e tantas outras coisas que são importantes, que surgem através de conexões. No dicionário a palavra “conexão” possui o significado de união, ligação, vínculo. Vou além: conexão está ligada diretamente a “brilho nos olhos”... a um total desprendimento material, é espiritual, que nos alimenta de sensações, de observações, de riqueza, de troca.

 

Quando não nos enxergamos mais, e nos vemos vivendo em um processo automático de resultados, essa conexão é quebrada, nos perdemos de nossos objetivos. Eu estava perdida de meus objetivos, tudo para mim estava vazio, minha mente estava buscando a conexão novamente, mas eu não permitia que ela funcionasse, a utilizava para preocupações financeiras, amorosas e situações que não poderia resolver. Precisava me reconectar, saber o que faz o meu olho brilhar novamente. E ter o foco nesta (re)construção.

 

Você também pensa quem é o vilão de suas escolhas mal feitas ou de questões mal resolvidas? Deposita nos outros a falta desta conexão? Imagina que sempre existe uma questão externa para que você não consiga se reconectar às suas necessidades? Esqueça o externo… o vilão está dentro de nós! Ou melhor, o vilão está na sabotagem que nossa mente faz com ela mesmo. Os caminhos da mente começam a criar atalhos para alimentarmos a quantidade de decisões, questões de vida, o que precisamos ter, o que não temos, nossas questões passadas  – que sempre voltam para ocupar espaços e tudo que envolve o cotidiano. E quando nos perdemos no tempo com estes pensamentos, o que é mais precioso, na manutenção da conexão, é perdido.

Reconectar é preciso… nossas charadas são descobertas quando damos tempo ao nosso cérebro para sentir o presente, observar nosso sofrimento e descobrir do que necessitamos (essa é uma necessidade interna, que alimenta nossa mente para recriarmos nossos objetivos).
 

A minha charada descoberta? Enxergar o que faz meus olhos brilharem. É a partir disso que nosso caminho pode ser redesenhado. Fácil? Nada que nos faz crescer é fácil, estamos sempre em caminhos tortuosos, com obstáculos e alguns momentos de passos atrás. Permita-se estar com os olhos brilhando e verá que a missão será mais prazerosa. E que nossa mente esteja sempre sendo alimentada de informações úteis para esta caminhada. Utilizando a frase célebre da minha saga preferida de vida: “E que a força esteja com você.

 

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Luciana Cony é Psicóloga, com especialização em Consultoria Empresarial com foco em Recursos Humanos e uma feliz profissional de desenvolvimento pessoal e profissional.

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