Como inovar o modelo de negócio da Saúde?

01.05.2017

 

Faz algum tempo desde que li o interessantíssimo livro “Quem mexeu no meu Queijo”, do autor Spencer Johnson. Esse livro é uma parábola que traz lições profundas sobre as mudanças na vida. Basicamente há dois homenzinhos e dois ratinhos que vivem em um labirinto. O objetivo e o sonho de consumo deles são os queijos. Eu achava, antes de ler o livro, meio boba essa história, mas ela traz uma metáfora muito interessante e totalmente aplicável ao mercado da Saúde como negócio (quer público ou privado). Se você ainda não leu, vale a pena.

 

“Quem Mexeu no Meu Queijo” traz de maneira simples, questionamentos de profundidade

impressionante. As mudanças fazem parte da vida e devem acontecer. Por isso você deve estar preparado para elas.

 

 

O modelo de negócios que financia a Saúde atual, tanto pública quanto privada, está esgotado ou muito próximo de seu esgotamento. Não precisamos citar as dezenas de análises dos especialistas sobre este assunto – a conclusão é simplesmente óbvia! Não há como sustentar a Saúde do século 21, numa população modificada, com o modelo do século 20. Ou seja, o “queijo mudou de lugar”!

 

A boa notícia é que há um consenso emergente em torno dos serviços de saúde que os novos modelos de prestação de cuidados necessitam prestar maior atenção à prevenção primária, um modelo melhorado de cuidados primários e comunitários que satisfaça as diferentes necessidades de pacientes complexos. Assegurar uma adoção consistente das melhores práticas clínicas, uma ênfase muito maior na prestação de cuidados da forma mais eficiente e um foco nos resultados e não nos insumos. Novos modelos de prestação de cuidados precisam atender a essas demandas dentro e fora dos hospitais.

 

Existe um consenso crescente de que a transição para pagamentos baseados em resultados é fundamental para conduzir a inovação de redução de custos entre os prestadores de cuidados de Saúde e para conseguir um sistema de Saúde financeiramente sustentável.

 

A inovação está levando uma quantidade significativa de mudanças no setor de Saúde. O ônus está sobre os provedores para agir ou ficar para trás. Estamos mudando a cultura de como as pessoas pensam sobre investimentos em Saúde, de uma boa maneira. De certo modo, todos os provedores devem estar perseguindo o tipo de inovação que o mercado está testando, seja através de cuidados responsáveis, investindo em infraestrutura de qualidade, focalizando a análise consistente dos dados (como pelo uso do Big Data) e transparência de desempenho, tudo isso visando melhores resultados na Saúde.

 

A assistência médica, em suas tentativas de mudança de processo, tem inserido por vezes

padronizações não testadas para responder as necessidades do paciente, ao invés da necessidade do negócio. O realinhamento está ocorrendo em todos os lugares, à medida que abandonamos os processos de relatórios (que consomem tempo e recursos humanos) e os substituímos por protocolos orientados a objetivos do paciente e eficiências de fluxo de trabalho centradas no ambiente clínico. Segurança, qualidade e adesão do paciente é o mantra do provedor de Saúde de vanguarda.

 

A Saúde Digital está estremecendo todas as bases do modelo de negócio ultrapassado da Saúde, que não vão se sustentar. O “UberHealth” está no calcanhar dos atuais prestadores de serviços médicos!

 

 

O futuro da Medicina é ter o ponto focal no cuidado do paciente como o objetivo singular. Para atingir esse objetivo, os dados relevantes devem ser assimilados e analisados (o Big Data/Right Data e a Inteligência Artificial terão papel relevante), a equipe de atendimento deve estar conectada e os tomadores de decisão devem ser integrados e claramente comunicados. Ou seja: Não existe Saúde no século 21 que seja sustentável sem interoperabilidade pessoal e sistêmica!

 

A tecnologia digital deve resolver os seguintes elementos críticos:

1. Segurança, com criptografia para dispositivos móveis e redes

 

2. Capacidade e produtividade, criando alternativas eficientes às modalidades tradicionais de comunicação

 

3. Eficiência e economia de tempo, para os clínicos e equipas de cuidados, permitindo a capacidade de resposta a tarefas escaladas apropriadamente

 

4. Redes de colaboradores engajados e conectados, para referências e coordenação de cuidados

 

5. Engajamento do paciente, coletando dados em tempo real e atualizando interfaces que podem personalizar o alcance dos cuidados

 

 

Foco nos pacientes! Isto inclui capacitar os pacientes a tomar um papel mais ativo na gestão de suas próprias condições de Saúde.

 

No próximo post vamos explorar algumas das ideias inovadoras sobre os modelos de negócios que podem trazer a sustentabilidade para a Saúde do século 21.

 

 

Se gostou deste Post, compartilhe, comente, dê sugestões.

 

No próximo Post traremos um novo tema relacionado a aonde a Saúde Digital nos levará?

 

Abraços a todos!

 

Leia Mais

Artigos Relacionados:

- Saúde Digital é diferente de digitalizar a Saúde - como mudar nosso conceito? por Guilherme Rabello

Aonde a Saúde Digital nos levará? por Guilherme Rabello

Biosensores – Em breve teremos um permanente em nosso corpo! por Guilherme Rabello

- Os Wearables da Saúde – Conseguiremos domar esta “fera”? por Guilherme Rabello

 

Outros Artigos:

 

- O Acaso por Paulo Gustavo Ganime

- O macio e o flexível prevalecerão por Sol Medeiros

- Transformando vidas através do Xadrez por Renato Carvalho

Guilherme Machado Rabello,

Engenheiro pela Escola Politécnica da USP, com longa experiência no setor de telecomunicações e consultor técnico de projetos para empresas do setor de radiodifusão, entretenimento, mídias digitais interativas e Educação a Distância (EAD). 

Desde 2011 atua na área de Saúde no desenvolvimento de soluções em Telemedicina, Inovação Médica de produtos e processos. Responde atualmente pela Gerência Comercial e de Inteligência de Mercado do InovaInCor (núcleo de inovação do Instituto do Coração InCor e da Fundação Zerbini). É certificado pela associação americana Society for Advancement of Blood Management (SABM) em Patient Blood Management. Atua como palestrante nacional e internacional. 

email: grabello.inovaincor@zerbini.org.br

 

 

Please reload

 SIGA-NOS AQUI TAMBÉM 
  • Facebook B&W
  • Twitter B&W
  • Instagram B&W
 os mais RECENTes : 

August 6, 2018

August 3, 2018

July 18, 2018

July 11, 2018

Please reload

Please reload

Copyright © 1Olhar 2017- 2020

  • Grey Facebook Icon
  • Grey Twitter Icon
  • Grey Instagram Icon