Pacotes da liberdade feminina institucionalizada

05.05.2017

A liberdade sexual a que as mulheres tanto reclamavam e quase conseguiram foi transformada em libertinagem. Algo contra ser libertina? É evidente que não, porém, jamais interessava e ainda não interessa aos homens que o gênero feminino seja tão livre sexualmente quanto eles. Apaixonar-se e querer uma relação duradoura é antiquado e sonhar com um relacionamento verdadeiro é careta. Pois é! A este tipo de mulher que sonha em ser livre, mesmo com todas as mazelas que implicam no ato da liberdade dentro da nossa sociedade podre, não é permitido possuir tais pensamentos.

 

O que elas podem é entregar-se absolutamente de maneira sexual a qualquer homem. Então para assumir a liberdade íntima que cada indivíduo possui dentro de si é necessário igualar-se a atitude da maioria dos homens que ainda mantêm o conceito do macho "pegador"? Muitas feministas da década de 60 e 70 chamavam essa liberdade sexual de agressão disfarçada ("Liberação Da Mulher: Ano Zero"; Emmanuèle Durand e outras). Conceito que em minha opinião é atualíssimo até hoje. A liberdade permitida à mulher, ainda nos dias de hoje, é institucionalizada, aquela que a sociedade criou.

 

A velha prática masculina que costumava nivelar mulheres para determinadas

funções ou departamentos dentro da vida social de cada um ainda se faz

presente através dos códigos implícitos, contudo, há os que já aprenderam a

observar a mesquinhez do cotidiano. Por que será que todas ainda caem na

mesma cilada?

 

Quando ela é desprezada está mal resolvida, se exige algo do homem em troca, já que um relacionamento é uma via de duas mãos, tem pudor. Há uma repressão às reações femininas através de uma chantagem que se confunde com a liberdade exclusiva dos homens que por conveniência demonstram ares de progressistas, modernos e revolucionários. Uma mulher que pratica o sexo livremente não poderia reivindicar algo que seria de outras mulheres merecedoras de respeito, a propósito, estas não existiriam mais.

 

Quando um tipo de comportamento torna-se tendência, a previsão é que o sistema se utilize dele em nome das suas pretensões, visando lucros com discursos hipócritas na mídia, sempre deturpando e aparelhando ideias, até que estas alcancem e se enquadrem em outro viés da sociedade como a escola e a família.

 

A pós-modernidade resolveu aceitar e acreditar na mentira absurda que não há mais esse tipo de opressão sexual, que é tudo apenas uma questão de escolha. Salvas das antigas prisões não há contra o que se rebelar, por isso todas elas se mantêm oprimidas crendo que a emancipação feminina é fazer de conta que está livre, ou tentar sê-lo, até que a mesma prove a realidade e essa crença se desfaça.

Femme Fatale

 

"You're put down in her book

You're number 37, have a look

She's going to smile to make you frown, what a clown

Little boy, she's from the street

Before you start, you're already beat

She's gonna play you for a fool, yes it's true"

 

Velvet Underground

Olhos Vestidos

 

Dou-me nua

A teus olhos sempre vestidos

E calçados por sapatos que pisam

Em minha rica e pobre nudez

É tua a cegueira que cega os olhos

nítidos e tristes

Eu grito:

"São olhos que valem muito mais do que os olhos que tu vistes"

 

Susy Poesia Savedra

 

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Susana Savedra

 

É poeta, arte educadora, atriz, modelo vivo e estudante de letras. Integra duas coletâneas, "Lar" e "Baseado na estrada". Para conhecer melhor seu trabalho acesse sua página no Facebook e seus blogs:

Facebook: CurtaPoesiaVidaLonga

www.joaninhasusana.zip.net

www.cafeconpochoclos.blogspot.com.br

 

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