A violência não tipificada

31.05.2017

Somos pródigos em citar os alarmantes índices de criminalidade noticiados diariamente nos meios de comunicação, somos técnicos, especialistas e professores quando o assunto é segurança, mas somos incapazes de ver que a motivação da gigantesca criminalidade que assola o país tem nascimento nas condutas individuais de nossa população. Nós somos o principal problema.

 

Não reconhecemos nossa incrível capacidade de sermos soberbos e indiferentes perto da maldade alheia. A famosa frase "a humildade é virtude dos fracos", de Nietchz, cairia como uma luva na identidade do brasileiro mediano.

 

Somos uma das últimas nações a abolir a escravidão em terras ocidentais, somos em falas e comportamentos hierarquizados verticalmente, somos primorosos em elogiar o gramado do vizinho estrangeiro e desmerecer qualquer feito nacional, pois internamente estamos sempre precisando nos colocar acima do brasileiro do lado. Temos a obrigação de na escalada social desmerecer o passado, ter que provar o status atual, um misto de uma sociedade acostumada a valorizar meios oligárquicos, misturada com a necessidade do progresso capitalista, este último, não sendo de todo ruim, no entanto no caso "tupiniquim" se mistura com uma incrível necessidade de não valorização do esforço no progresso , mas muito mais de um mérito pela facilidade ou meio obscuro de se encontrar bem materialmente.

 

Entre a lei de Gerson, popularizada pelo comercial de TV, e o "sabe com quem está falando" dos litígios das esquinas, a impressão é sempre provar que o certo pertence ao que se impõe com maior violência, seja física ou verbal, traduzidas no deboche, escárnio e desconsideração pelo próximo. Cabe salientar que este comportamento é visível em qualquer dos setores sociais.

 

A fama de país acolhedor em nada reflete a rede de indiferença da rotina do brasileiro. Indiferença ao morador de rua, indiferença à lei, indiferença ao idoso, indiferença a tudo que não está ligado diretamente aos desejos internos e anseios do indivíduo. A fala que o Brasil é um país pacífico só encontra eco na nossa não propensão para Guerras na atualidade, o que por outro lado pode ser interpretado como uma falta de qualidade, talvez a passividade seria o melhor vocábulo para traduzir a falta de apego para as questões societárias. A individualidade do brasileiro o deixa distante por certo, de qualquer vocação bélica em nome da nação, ideologia ou religião. Não que seja a Guerra algo bom, muito pelo contrário, apenas observo uma lógica pouco refletida pelos nossos acadêmicos.

 

Nessa animosidade da rotina, a perversidade do brasileiro aflora em pequenos gestou ou na falta deles. Não me venham contar feitos de solidariedade em nome de um agrado pessoal, não me venham contar fraternidade em nome de uma propaganda pessoal, não me venham contar feitos públicos em nome da ascensão de carreiras.

 

Não acredito há muito tempo no brasileiro. Até porque ele nunca acreditou em si mesmo. O problema da humanidade é a falta de altruísmo, termo cunhado pelo pensador social Augusto Comte, que em sua teoria positivista nos revelou que a Ação, vale mais do que a fé cega em ideologias políticas ou religiosas que pouco fizeram de concreto pelo próximo. Acho que a volta do pensamento positivista aos bancos universitários possa ser uma forma de salvação de um país dividido e corrompido. Aliar a técnica e o saber, no lugar de disputas sem conteúdo, ceder lugar ao conhecimento em vez de levantar bandeiras partidárias vazias de boas intenções.

 

Ao país, que se trabalhe e confie, que tenhamos de volta a Ordem e o Progresso!

 

A maior forma de sair deste retrocesso de caos e violência tem um caminho árduo, mas que passa por repensar que tipo de caminho devemos seguir. Contra o mal, temos que "ver para prever", ter alicerces morais para serem guiados pela boa ciência e técnica, abandonar conceitos politicamente corretos ou ditatoriais, mais liberdade, fraternidade, humanidade e solidariedade de fato.

 

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JAN VAN CREVELD CARVALHO MONTEIRO

 

Especialista em Segurança Pública pela UFF- INeac, pós graduado em ciências sociais e policial há 14 anos, atualmente no posto de Capitão.

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