Violência

01.07.2018

Ainda lembro de estar ao telefone com uma amiga que na época morava nos EUA quando ela dá um grito e manda eu ligar a TV correndo. Vi a segunda torre sendo atingida por uma avião ao vivo na TV.  

 

Ontem, mais um episódio de terrorismo… 

 

Acho difícil entender um ataque terrorista. O que leva uma pessoa a se matar daquele jeito? Como convencem jovens a se explodirem no meio de um mercado ou de um show? Poderia fazer tantas perguntas para tentar entender mas nunca terei uma resposta…

 

Fiz estágio de Engenharia Civil no programa que na época se chamava de Favela-Bairro (programa de urbanização no Rio de Janeiro que ocorreu entre 1994 e 2008). Eu subia algumas favelas junto com engenheiros para fazer o projeto de água e  presenciei meninos com menos de 10 anos cheirando cocaína e rodando armas nos dedos. 

 

Quando morei em Antuérpia, na Bélgica, fui várias vezes atacada verbalmente por imigrantes muçulmanos pelo fato de eu ser mulher e mostrar minha opinião. Uma vez, quase apanhei durante a aula de holandês por mostrar a foto do Cristo Redentor enquanto eu fazia uma apresentação sobre a minha cidade para os outros alunos. 

 

Todas as minhas turmas de holandês eram compostas por pelo menos 90% de muçulmanos dos mais variados países. Um médico afegão que pediu asilo na Bélgica contou o que fez para chegar lá. Triste muito triste. E também contou que ele assim como a maioria de seus amigos não tinham nem noção de que Europa existisse até ter que fugir do país, eles não aprendem muito mais do que o Alcorão diz.

 

O Rio, melhor dizendo, o Brasil está passando por por um momento muito difícil e a violência está sendo banalizada. As pessoas estão se acostumando com ataques diários, com arrastões, facadas…etc. Enquanto o mundo está se tornando refém dos terroristas. 

 

Cada visita minha ao Brasil, fico impressionada como as pessoas reagem ao medo, a violência diária que são submetidas. “Fugir” de assalto na contra-mão, ler em algum grupo de WhatsApp para não ir por aquele caminho porque está tendo tiroteio, etc etc. já virou coisa normal. AHN???? Como assim?

 

Aquele menininho que cheirava coca e rodava pistola no dedo aos 8 anos de idade, hoje tem 20 e poucos anos… Ele mesmo deve ter me dito, quando eu já tinha desistido de ser engenheira e voltei a ser dentista, que eu podia parar meu carro em qualquer lugar do Rio, porque a Doutora que trabalha nessa favela não é assaltada em lugar nenhum… a gente conhece seu carro.

 

Tive que sair 2 vezes do Brasil para entender que não queria viver assim, viver com medo diariamente, porque tenho certeza que a violência existe. Porque sei que cedo ou tarde vou ser assaltada ou vou presenciar algo. O medo do terrorismo é diferente. Pelo menos para mim. O terrorismo existe mas não é certo de acontecer todo dia. O terrorismo não muda a rotina da pessoa como o menininho de 8 anos muda.

 

 

 

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Cris Ganime

 

Co-idealizadora do 1olhar.com

Carioca, ex-dentista, ceramista nas horas vagas e  radicada no Sul da Espanha. Já morou em Montreal, Canadá e na Antuérpia, Belgica.

Apaixonada por viagens e fotografia.

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