Raul Seixas hoje é a luz das estrelas e a cor do luar - Série Homenagens

28.06.2017

 

Se Raul Santos Seixas estivesse vivo cumpriria hoje 72 anos de "Maluco Beleza", como um bom canceriano, com a lua em aquário no dia 28 de junho. Mas o que seria um "Maluco Beleza"? Sem dúvida é ser autor do seu próprio caminho, independente de nomenclaturas alheias, assim sendo, essa loucura é lúcida.

 

Dentro do universo "Raulseixista", como a maioria dos fãs preferem ser identificados, o cantor é fonte de inspiração constante. É um dos poucos artistas brasileiros, que mesmo após a sua morte segue conquistando uma legião de admiradores, e a lenda em torno do seu nome só aumenta cada dia mais. Talvez por não pertencer a nenhuma raiz ideológica, pois sua música é descomprometida. Ao mesmo tempo em que fala de um ideal comum, seguir o próprio sonho, pedindo a quem o escuta: "Não pare na pista", não neutraliza a necessidade do coletivo em "Aluga-se". Também nos ensina a não desistir na música "Tente outra vez" e o direito a mudar de opinião, porque enquanto seres humanos somos contraditórios por natureza, somos uma "Metamorfose ambulante". Também se arriscou no universo infantil em "Plunct Plact Zum" com o inesquecível Carimbador Maluco, regravado diversas vezes, inclusive nos dias atuais. E por mais que a mensagem da música seja direcionada para as crianças, faz referência ao controle de passaportes e das fronteiras que já estão tomadas pelo homem, que restringiu o direito natural do cidadão de ir e vir livremente, como ele já havia colocado em "Ouro de tolo", quando compôs o verso das "cercas embandeiradas que separam quintais". Só um gênio da comunicação poderia popularizar algo assim.

 

São inúmeras as colocações que podemos fazer dentro do trabalho artístico do cantor, intérprete e compositor aqui citado, pois suas canções nos trazem esse tom das várias faces da liberdade. Entretanto, boa parte da sua obra foi composta no momento em que o Brasil atravessava o período obscuro da ditadura e ainda assim, através de brechas, pôde consagrar-se como o precursor do Rock Brasileiro, pois ele mesmo negava as etiquetas da Bossanova, que, na época recusava a guitarra elétrica. Mostrou a todos o que era a liberdade artística ao misturar Luiz Gonzaga com Elvis Presley (duas grandes influências para ele) em "Blue Moon" com "Asa Branca". Raul pode ser e foi muita coisa, mas acima de tudo, foi consciente de si mesmo e de seu papel nesta vida. É para homenageá-lo que separei alguns dos seus discos mais importantes (para mim) dentro da sua carreira, tanto do LADO A, como do LADO B. Espero que curtam e, por favor, não se esqueçam: TOCA RAUL!

 

"Sociedade da Grâ-Ordem Kavernista"

 

Disco maravilhoso dos primórdios de Raulzito, que na realidade se chama "Sessão das 10" e a Sociedade é o nome do grupo ao qual ele fazia parte. Os outros integrantes eram Edy Star, Miriam Batucada e outro lendário da música brasileira, Sérgio Sampaio.

 

Ficha Técnica:

  • 1971/ Discos CBS

  • Direção Artística: Mauro Motta e Raul Seixas 

  • Membros da SGOK: Sérgio Sampaio, Raul Seixas, Miriam Batucada e Edy Star  

  • Fotos: Masaoni

  • Desenhos: Horácio

 

"GITA"

 

Um dos álbuns de maior sucesso na carreira do artista e cheio de canções em parceria com Paulo Coelho. Destaque para "SOS" que dentre outras questões, cita a Ufologia, tema pouco tratado na época, "Loteria da Babilônia" e , claro, a inesquecível "Gita" que dá nome ao disco.

 

Ficha Técnica:

  • 1974/ Philips Phonogram

  • Direção de Produção: Mazola 

  • Assistente: Tolbi

  • Técnicos: Ary, Luigi, João e Luis Claudio Mixagem: Mazola

  • Orquestração: Miguel Cidras

  • Arranjos de base: Raul Seixas

  • Corte: Joaquim Figueira

 

"O dia em que a terra parou"

 

Parceria com o Claudio Roberto quando foi lançado o clássico "Maluco Beleza". Destaque para a música que leva o nome do disco, "O dia em que a terra parou".

 

Ficha Técnica:

  • 1978/ Warner Discos - Editora Warner Chappell Brasil

  • Todas as músicas são compostas por: Raul Seixas e Cláudio Roberto Azeredo

  • Arranjos de base: Raul Seixas e Miguel Cidras

  • Arranjos de orquestra: Eric da Silva

  • Direção e coordenação: Mazola

  • Direção Musical: Raul Seixas

  • Técnicos de gravação: Andy Mills e Humbero Gatica 

  • Mixagem: Mazola

  • Desenho de Capa: Roberto Magalhães

  • Arte Final: Ruth Freihof

  • Músicos de base: Bateria: Pedrinho, Paulinho, Mamão e Luiz Carlos *

  • Baixo: Paulo Cesar Barros, Jamil Joanes e Liminha * Violão: Helio Delmiro, 

  • Lee Ritenoir, Gilberto Gil e Jay Vaquer * Violão de 12 cordas: Luiz Cláudio *

  • Piano: Miguel Cidras e José Roberto Beltrami *Guitarras: Lee Ritenoir, José

  • Paulo, Chiquito, Cláudio Stevenson,  Jay Vaquer *Percussão: Chico Batera e Djalma Correa

"Mata Virgem"

 

Outro clássico do Raul em parceria com Claudio Roberto, Paulo Coelho e sua ex-companheira e esposa Tania Menna Barreto. A música "Magia de amor" que fala sobre o Conde Drácula feita junto com o escritor e mago assim como "Mata Virgem", composta junto com a Tania Menna Barreto deixam muitos poetas boquiabertos.

 

E por falar em poesia, lá vai uma...

 

 

 

 

 

Apesar dos pesares

 

Vou gostar de você

Como gosto do mar

Mergulhar em você

Me perder

Me encontrar.

 

Ai, como é linda essa vida

Apesar da miséria

Apesar dessa fome

Aquele beijo com gosto de coca

O meu coração bate e toca

Vale a pena viver.

 

Raul Seixas (1988)

 

 

 

 

 

 

 

 

(Agradecimentos a Rodrigo Ibraim, cantor e compositor da banda "Os Cowboysfora da lei" pelo material doado que deu origem a essa matéria)

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Susana Savedra

 

É poeta, arte educadora, atriz, modelo vivo e estudante de letras. Integra duas coletâneas, "Lar" e "Baseado na estrada". Para conhecer melhor seu trabalho acesse sua página no Facebook e seus blogs:

Facebook: CurtaPoesiaVidaLonga

www.joaninhasusana.zip.net

www.cafeconpochoclos.blogspot.com.br

 

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