As dificuldades de empreender no Brasil

03.07.2017

 

O Brasil é um país de empreendedores. Vemos isso todos os dias nas ruas e na Internet. Seja um jovem empreendedor abrindo uma startup na área de tecnologia, um aposentado que cria sua consultoria ou abre um bar, até o vendedor de balas no sinal.

 

E isso não sou só eu que falo. Vamos aos fatos! Uma pesquisa realizada pelas Bobson College e London Business School, em parceria com o SEBRAE no Brasil, a Global Entrepreneurship Monitor (GEM), mostrava em 2015 que o Brasil era o primeiro país em abertura de novos empreendimentos. As PME (pequenas e médias empresas) correspondiam naquele ano a 27% do Produto Interno Bruno (PIB) Brasileiro. Estima-se que cerca de 600 mil empresas são abertas todos os anos no Brasil e tenhamos cerca de 1,5 milhão de empreendedores no país.

 

Mas o ambiente não é nada propício para isso. Quem resolve empreender tem que lutar contra um cenário que apresenta inúmeras dificuldades. A maioria delas impostas pelo governo. Vou mencionar hoje apenas algumas destas dificuldades e tratarei em detalhe cada uma nas próximas semanas. Tentarei também, quando possível, trazer algumas soluções e casos de sucesso no mundo, que se implantados no Brasil ajudarão muito a mudar essa realidade.

 

Burocracia

Essa é a primeira dificuldade que um empreendedor enfrenta. Já de cara, quando ele resolve abrir sua empresa, tem que passar por todas as barreiras que a burocracia e a ineficiência governamental o impõem. Mais uma vez, não me atenho apenas à minha percepção ou experiência para afirmar isso, o Brasil ocupa a posição 175 de 190(!!) no ranking Doing Business do Banco Mundial no quesito abertura de empresas. No Rio de Janeiro, só para registrar o contrato social e ter seu CNPJ ativo, são necessários cerca de 2 meses. Se somarmos a isso um alvará de funcionamento, autorização para um letreiro e outros, deve durar mais de 6 meses.

 

Custo do capital

Nosso país tem uma das taxas de juros mais altas do mundo. Seja para obter financiamentos para abrir o negócio, investir numa expansão ou garantir o capital de giro, a certeza de taxa de juros elevada inibe novos investimentos. Mesmo que o empreendedor não necessite de financiamento, ele será também impactado, pois este custo está embutido nos preços que ele paga, ainda que não os veja. Não podemos esquecer do custo de oportunidade de investir em um negócio, se o empreendedor pode deixar seu capital em investimentos de menores riscos como o Tesouro Direto ou mesmo fundos de investimento.

 

Podemos abordar aqui também a dificuldade na obtenção de crédito. Neste tópico o Brasil está na 101ª posição!

 

Carga e estrutura tributária

Costumamos reclamar muito quando fazemos no mês de abril a declaração de imposto de renda. Mas esquecemos todos os impostos e taxas que pagamos embutidos nos preços. O imposto sobre consumo no Brasil é muito elevado, prejudicando o empreendedor nas duas pontas. Custos altos para ele e preços ainda mais altos para seus clientes. A alíquota de imposto total no Brasil (que inclui também as contribuições obrigatórias) é de 69% do lucro das empresas, enquanto que nos demais países da América Latina é de 46,3% e a média da OCDE é de 40,9%.

 

Um vilão tão grande quanto à carga tributária é a estrutura tributária. Devido à essa complexidade, uma empresa gasta em média no Brasil mais de 2000 horas por ano para preparar, arquivar e pagar (ou reter) o imposto de renda, o imposto sobre o valor agregado e as contribuições de previdência social. Enquanto que nossos vizinhos da América Latina e Caribe gastam cerca de 343 e os membros da OCDE cerca de 163.

 

Com a soma destes dois quesitos, ocupamos a horrorosa posição 181 do ranking do Banco Mundial. Não me surpreende estarmos tão mal, fico é surpreso em saber que há 9 países numa situação pior que a nossa, o que eu imaginava ser impossível.

 

Comércio internacional

O Brasil é um dos países mais fechados do mundo. Mais uma vez... alguma novidade para você? Certamente não. Ocupamos a posição 149 do ranking. Os trâmites aduaneiros no Brasil custam e duram cerca de 5 vezes mais que na média dos países da OCDE. Isso não impacta apenas as empresas que atuam no mercado internacional. Todas as empresas brasileiras, direta ou indiretamente, utilizam produtos importados. Quanto maior a dificuldade para participar do comércio internacional, maiores os custos.

 

Segurança

Este não é um problema exclusivo do empreendedor. Todos os brasileiros sofrem com isso. Mas quem resolve empreender tem que levar esse fator adicional em consideração na sua tomada de decisão. Além da preocupação com a segurança no local da empresa, cargas são roubadas regularmente nas vias expressas do Rio de Janeiro e restaurantes vêm sendo fechados devido à redução da clientela, que reduziu drasticamente, entre outras coisas, por falta de segurança na cidade.

 

Esses 5 itens e alguns outros fazem com que o Brasil ocupe no geral a posição 123 no ranking Doing Business. Tão assustador quanto a nossa posição é o viés. Não há nenhum sinal que estejamos melhorando de forma estruturada. Temos alguns exemplos pontuais em algumas cidades do país, mas nada que nos faça ter grandes esperanças no curto prazo. Precisamos priorizar esse tema, principalmente em virtude da sua importância para a economia brasileira. As PME representam no Brasil 27% do PIB (que já falamos) e 52% dos empregos formais.

 

Semana que vem vamos aprofundar a discussão em um destes temas. Curtam essa página para continuar nos acompanhando!

 

Fontes:

http://blog.egestor.com.br/empreendedorismo-no-brasil/

http://www.gemconsortium.org/

https://www.sebrae.com.br/

http://portugues.doingbusiness.org/

 

 

 

 

 

 

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Paulo Gustavo Ganime

Morei 5 anos fora do Brasil, mesmo longe sempre estive muito ligado ao Brasil. Muitas vezes sentia vontade de conversar com alguém e expressar minha opinião sobre as notícias e acontecimentos, mas não tinha para quem. Comecei então a escrever minha opinião no Facebook. Conforme os fatos iam ganhando importância, meu envolvimento ia aumentando e meus textos crescendo. Muitas pessoas começaram então a me dizer que eu deveria escrever num blog. Não sou especialista em Economia, Política, Direito, … , em nenhum assunto que escreverei aqui. Tudo será apenas o meu olhar sobre o tema. Gosto de debater e aprender, entao, por favor, discordem de mim e tragam visões e informações diferentes.

 

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