A complexidade a serviço do vazio

26.07.2017

Acredito que pessoas que falam coisas simples de forma complicada precisam evoluir.

 

O conhecimento, por maior que seja, é vão, se não existe uma forma adequada  de comunicá-lo.

 

Prefiro pessoas menos sofisticadas, mas que tenham habilidade de comunicar de forma plena o seu universo, ainda que mais simples.

 

Admiro pessoas que tenham a especial habilidade de pegar temas extremamente sofisticados e conseguir, por meio de metáforas, analogias, histórias simples e exemplos; transmitir de uma forma que mesmo leigos ou quase leigos conseguem entender.

 

Esse é o verdadeiro dom de ensinar (e motivar).

 

Pior do que quem não consegue traduzir bem um conhecimento, é aquele que domina a arte de falar de forma extremamente rebuscada e intelectualizada, mas sem transmitir nada que seja minimamente real ou palpável.

 

Uma série de autores famosos, especialmente na área de humanas, se esmera nisso, produzindo materiais complexos, pedantes, pernósticos e sem nenhum conteúdo.

 

Fico pensando se esse tipo de celebridade intelectualoide tem, no fundo a consciência que é um grande enrolador e que, quando sozinho, se diverte com a credulidade das pessoas, da mesma forma que um gajo que inventa memes mentirosos se diverte quando os espalham pela Internet e assiste milhares e milhares de pessoas curtindo e compartilhando.


Só que nesse caso,  esse "intelectelho" adquire, por vezes, fama, influência e fortuna, construído basicamente em volta de uma grande bolha de sabão, que teima em não estourar.
 

No final, um razoável universo de pessoas se deleita com essa complexidade, atribuindo significados onde não existe absolutamente nada.

 

Assim se forma um clube de bajulação mútua e muitas dessas pessoas se enredam no nada como se fosse tudo e, no final, terminam convencidas disso, como se buscassem algum tipo de nirvana intelectual.


Se alguém grita "O rei esta nu" para esse bolo de vácuo low carb corre o risco de ser perseguido, xingado e enxovalhado.


Nesse sentido, o artigo O Pós-modernismo Despido  do cientista Richard Dawkings é uma estimulante avaliação sobre o livro Imposturas Intelectuais, publicado pelo físico norte-americano Alan Sokal que saiu em Português em 2010.


Alan Sokal, irritado com o uso leviano e equivocado da Física em artigos de filosofia e sociologia, mandou, a título de experiência, em 1995 um artigo complexo, incompreensível e repleto de propositado besteirol chique para a prestigiosa revista Social Text, que o publicou em 1996.

 

Ah, quanta vergonha alheia para os editores dessa revista!
 

Enfim, para quem quer se divertir, o site Else Where é um interminável gerador aleatório de bobagens pseudo intelectualizadas, usando algoritmos de inteligência artificial.

 

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Paulo Buchsbaum é alguém muito conectado a todas as grandes questões da atualidade, navegando em áreas tão distantes como Economia, Exatas e Psicologia. Ele atua como consultor de negócios e empreendedor, mas tem paixão por escrever, já tendo 3 livros lançados. Seu site é www.negociossa.com

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