Um dia para se combater as Hepatites Virais

 

 

As hepatites virais consistem em um grupo de doenças causadas por cinco vírus principais, denominados de A a E, que possuem a capacidade de causar infecção no fígado. Juntos, eles são responsáveis por infecções agudas e crônicas que acometem 1/3 da população mundial, podendo variar de quadros transitórios de curso benigno a doença hepática severa com progressão para cirrose e câncer.


Apesar de serem causadas por vírus diferentes e que levam a doenças com potenciais de gravidade distintos, as hepatites virais consistem em um grande problema de saúde pública mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que atualmente 325 milhões de pessoas estejam cronicamente infectadas em todo mundo e que ocorram cerca de 1,34 milhões de mortes anuais, a maior parte delas relacionadas aos vírus das hepatites B, C e Delta, que tem potencial de causar infecção crônica e progredir para casos mais graves. O vírus da hepatite E, apesar de na maioria das vezes causar infecção aguda, auto-limitada e até mesmo assintomática, representa um sério risco para gestantes, sendo responsável por mortes por insuficiência hepática em até 20% dos casos.


Apesar do potencial de gravidade, durante muito tempo as hepatites virais foram consideradas doenças negligenciadas. O fato de grande parte das infecções progredir para cura espontânea e, no caso de cronicidade, a evolução para a doença hepátic ser normalmente lenta, fez com que o potencial de morte dessas doenças fosse subestimado e ficasse de fora dos temas prioritários. A grande ameaça, no entanto, reside no fato de serem males silenciosos, o que torna os portadores crônicos reservatórios da doença e transmissores em potencial desses vírus, especialmente pelas vias sanguínea, vertical e/ou sexual.


Com o objetivo de dar visibilidade ao tema e aumentar a conscientização das pessoas sobre a gravidade dessas doenças e incentivar a comunidade a se testar e ficar ciente do seu eventual estado de portador, no dia 28 de julho se comemora o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais. A data foi escolhida como uma homenagem ao dia de nascimento do cientista Baruch Samuel Blumberg, um dos descobridores do vírus da hepatite B. Esse dia é marcado por eventos de promoção à saúde em diversas partes do mundo, até o momento, mais de 100 países já aderiram ao tema que hoje é classificado
como prioritário pela Organização Mundial de Saúde. Este ano, a OMS lançou a campanha #ShowYourFace to eliminate hepatites, através da qual incentiva pacientes, profissionais de saúde e simpatizantes da causa a mostrarem seus rostos como forma de apoiar a luta pela cura das hepatites.

 

No Brasil, o Ministério da Saúde, através do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Vigilância em Saúde, é quem atua diretamente no combate a esse agravos. Através da campanha “Fique Sabendo”, criada em 2003, estimula a testagem voluntária, buscando o diagnóstico precoce. No mês em que se comemora a luta contra as hepatites, foi criada a campanha “Julho Amarelo”. A cor faz referência à icterícia ou amarelão, cor característica da pele e da parte branca dos olhos, sintoma comum em pacientes com lesão no fígado. Nessa campanha, ações de saúde envolvendo palestras, jogos, testagem e vacinação ocorrem em diversas partes do país, tendo como focos principais o conhecimento e a prevenção. Apesar da maioria dos eventos acontecer na semana do dia 28, vale lembrar que a vacina contra a hepatite B está disponibilizada pela rede pública para todas as idades e que a vacina contra a hepatite A, também incorporada ao calendário do Sistema Único de Saúde, teve sua faixa ampliada para crianças com até 5 anos de idade a partir de março de 2017.


Com base na prevenção e conhecimento precoce, é possível se elaborar as melhores estratégias de controle da doença e monitoramento de novos casos, melhorando a qualidade de vida dos portadores e reduzindo gastos futuros.

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Bárbara Vieira do Lago é biomédica formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), mestre e doutora em Biologia Celular e Molecular pelo Instituto Oswaldo Cruz, pós-doutora em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e atua como Biotecnologista na Fundação Oswaldo Cruz.

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