“Pacto Carioca: Planejar Hoje e Amanhã"

09.08.2017

 

Ontem passei o dia no Museu do Amanhã, mas não foi fazendo turismo. Foi tentando entender, mais uma vez, o que a gestão Crivella pretende para o amanhã da nossa Cidade. A prefeitura do Rio realizou o evento “Pacto Carioca: Planejar Hoje e Amanhã”. Há duas semanas participei da apresentação do Plano Estratégico da Cidade do Rio de Janeiro, realizada pela Prefeitura no Tijuca Tênis Clube (veja aqui minha análise: https://goo.gl/M9Jqdy). O evento de ontem foi mais uma tentativa de fazer a sociedade participar na elaboração deste plano.

 

No primeiro evento a participação da sociedade foi mais direta, com intervenções de 3 minutos de qualquer pessoa da plateia. No encontro de ontem a sociedade foi, de alguma forma, representada por convidados, referências em suas áreas, que manifestaram opiniões sobre o futuro do Rio de Janeiro e teceram críticas sobre o Plano Estratégico.

 

Gostei dos comentários e parabenizo a organização do evento por não ter trazido apenas pessoas que estariam lá para bajular o governo. Alguns dos convidados foram bastante duros em suas críticas, mas sempre de forma construtiva e embasada. Dos eventos públicos recentes que participei posso afirmar sem dúvidas que esse foi o que mais aprendi. Pontos a lamentar: assim como antes, a ausência do Prefeito; o não respeito da agenda; e, os espaços vazios na plateia, sendo que o evento tinha esgotado a capacidade e tinha uma fila de espera de mil pessoas.

 

Principais pontos que gostaria de compartilhar com vocês:

  • O Plano leva em conta a Região Metropolitana do Rio de Janeiro. São 2,5 milhões de viagens por dia entre as cidades da Região. Os problemas de saneamento, meio ambiente, segurança, saúde e educação não veem as linhas imaginárias que dividem os municípios. Integrar a Região no plano da Metrópole é fundamental se queremos de fato resolver os problemas da Cidade do Rio de Janeiro.

  • O Sérgio Besserman destacou a importância de tratar o problema do meio ambiente no Rio como uma questão econômica e não por ideologia. Para ele o impacto do homem na natureza é importante para o homem e não para o planeta. Nossa presença na Terra é insignificante para ela, mas muito significante para nós. Principalmente na nossa cidade, onde temos na Natureza um dos seus maiores ativos. Ele também lembrou que o Rio é a única cidade Patrimônio Mundial da UNESCO na categoria Paisagem Natural. Precisamos capitalizar isso, impulsionando o potencial turístico da cidade.

  • Maria Eduarda Marques, da Biblioteca Nacional, levantou algo que eu sempre utilizo quando falo do Rio, a nossa tradição cultural, com destaque para a nossa música. E também utilizou o termo “ativo” para se referir a essa tradição. Que devemos explorar melhor isso também no turismo. Mas a melhor parte de sua fala foi quando ela destacou a importância da iniciativa privada na promoção e conservação da cultura carioca, principalmente no momento atual de falência do estado (e do Estado).

  • Thereza Lobo, da ONG Rio como Vamos, foi a mais crítica ao Plano e destacou inúmeras falhas. Ela comentou que o acompanhamento da execução do Plano não está bem definido. Criticou também a falta de detalhe na territorialização. Dizer que as ações serão na Zona Norte, por exemplo, é muito vago. Questionou a origem e a disponibilidade de recursos para as ações propostas no plano (algo que eu havia questionado na minha análise do evento anterior). Reclamou da ausência da Baia de Guanabara. E, por último, mas não menos importante, lembrou da necessidade de reforçar a prática federativa, definindo claramente a relação entre governos Federal, Estadual e Municipal.

  • O saneamento foi também um ponto bastante discutido. Em especial devido ao seu impacto na questão ambiental. Paulo Canedo sugeriu a adoção de novas tecnologias, e citou o saneamento de tempo seco como uma solução mais barata e com efeito imediato. Esta técnica é usada no Brasil apenas em Araruama.

  • No tema mobilidade urbana, as maiores críticas, feitas pela Clarisse Linke, do ITOP, foram quanto à pouca importância dada ao pedestre e nos transportes alternativos. Para começar, tanto o pedestre quanto a bicicleta estão na esfera da Secretaria de Meio Ambiente e não na Secretaria de Transportes. Ela também lembrou que o plano omite temas como: estacionamentos próximos às estações de metrô e BRT; bicicletas compartilhadas (contrato com o Itaú, vence em 2018); transportes compartilhados (UBER, Cabify, 99, ...).

  • Fique surpreso com o Alfredo Sirkis. Achei que iria falar apenas de coisas verdes. Mas em boa parte de seu discurso cheguei a achar que ele estava querendo se transferir para o Novo. Ele gastou a maior parte do seu tempo reclamando da burocracia, que afasta investidor; dizendo que precisamos atrair investidores privados, para não depender do Estado; e, falando da importância de melhorar a segurança.

 

A parte da tarde foi mais curta, principalmente devido ao atraso da manhã, e menos interessante. Os temas como educação, cultura e social são sempre mais dotados de ideologias e pouco pragmatismo. Mas gostei de ouvir da Wanda Engel que necessitamos de programas de transferência de renda (Bolsa Família) com portas de saída, diferente do que é hoje, e do Manuel Thedim que a transformação vem da população e não do Estado. Mais um que parecia estar participando do processo seletivo do Novo.

 

A impressão que fiquei ao final desse evento é que os políticos e a sociedade civil estão tomando consciência da necessidade de se reinventar. O tempo de vacas gordas acabou, a fonte secou. Precisamos reduzir o tamanho do Estado, contar com a iniciativa privada e ser mais eficiente com o dinheiro público (o nosso dinheiro). O Plano ainda não tem essa cara, mas os discursos sim. Espero que antes da apresentação da versão final do Plano, as críticas sejam incorporadas e, principalmente, a equipe da Prefeitura seja acometida de um surto de frugalidade.

 

 

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Paulo Ganime

Participante do Processo Seletivo do Novo com o objetivo de ser candidato a Deputado Federal pelo Rio de Janeiro em 2018. Paulo é Carioca, 34 anos, apaixonado pela cidade do Rio de Janeiro e pelo Brasil. Ele tem 14 anos de experiência nas áreas financeira e de gestão de projetos em empresas multinacionais. Morou 5 anos na França e EUA, gerenciando equipes na Europa, Ásia e Américas. Paulo é formado em Engenharia de Produção pelo CEFET-RJ, estudou Economia na UERJ e fez um MBA na PUC-RIO, além de ter certificação PMP (em Gestão de Projetos).

 

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