Por que ainda devemos falar em Anne Frank?- SÉRIE HOMENAGENS

21.08.2017

 

No dia 4 de agosto de 1944, o esconderijo de Annelies Marie Frank Hollander e sua família foi descoberto e consequentemente, todos que ali se encontravam foram arrastados e deportados a Auschwitz. Estamos em 2017, e ainda hoje, existem "pessoas" relativizando o regime nazista que além de torturar, escravizar e assassinar a judeus, negros, ciganos, homossexuais, esquerdistas e deficientes físicos deturpou diversos símbolos; os religiosos, como a própria suástica, utilizada por muitos povos da antiguidade, desde os celtas até os maias, assim como a vertente política chamada Socialismo, a qual afirma que a história da humanidade é marcada pela luta de classes, e não pela supremacia racial. E o que dizer sobre a obra de Nietzche, que teve o seu conceito do "Super homem" o qual colocava a virtude, no sentido etimológico da palavra– corajoso, virtuoso – igualmente desvirtuado pela propaganda do arrogante sonho ariano?
 

É por esses motivos que escolhi Anne Frank, símbolo-vítima maior desse regime e pensamento irracional para uma singela homenagem. Neste caso, a verdade não é somente absoluta, os fatos documentados falam por si só.


Ela era alemã, nascida na cidade de Frankfurt, porém, havia se mudado para a Holanda devido a situação que havia ficado difícil para os judeus. Quando a guerra chegou também à Holanda, a menina permaneceu escondida junto a sua família e mais quatro pessoas pertencente à outra, dentro da fábrica em que trabalhava o seu pai, Otto Frank.

 

 

Anne chamava a seu diário, que na realidade era um caderno de autógrafos, coberto com uma tela de quadrados vermelhos e negros, de Kitty, como uma amiga, talvez a sua melhor e mais querida. Durante o período em que esteve enclausurada, escreveu sobre tudo o que ocorria na casa atrás da fábrica onde se encontrava e sobre si mesma. Quando escutou através da rádio o chamado do ministro de educação para que todos conservassem seus escritos acerca do que estava acontecendo, a garota decidiu elaborar o texto do seu diário para convertê-lo em um romance. Ana começa a reescrevê-lo já com outra percepção, mas, antes de terminar foi achada.


Sua última anotação data de 1 de agosto de 1944. Foi Miep Gies, uma de suas protetoras, quem guardou o valioso caderno pensando em entregá-lo a dona após o término da guerra. Miep não conseguiu devolvê-lo a autora, mas, sim a seu pai, o único sobrevivente do esconderijo que anos depois, o publicou.
 

Embora "O Diário de Anne Frank" seja o relato de uma jovem que teve a sua vida interrompida brutalmente por um dos grandes massacres da História da humanidade, também é um símbolo de esperança para os que ainda acreditam na justiça e no amor, no sentido mais literal possível.
 

Anne Frank relatou em seu diário que gostaria de ser escritora ou jornalista. Foi. Apesar do ódio, da guerra, da injustiça e dos homens.


"Quando escrevo, sinto um alívio, a minha dor desaparece, a coragem
volta. Mas pergunto-me: escreverei alguma vez coisa de importância?
Virei a ser jornalista ou escritora? Espero que sim, espero-o de todo o
meu coração! Ao escrever sei esclarecer tudo, os meus pensamentos, os
meus ideais, as minhas fantasias." Anne Frank

 

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Susana Savedra

 

É poeta, arte educadora, atriz, modelo vivo e estudante de letras. Integra duas coletâneas, "Lar" e "Baseado na estrada". Para conhecer melhor seu trabalho acesse sua página no Facebook e seus blogs:

Facebook: CurtaPoesiaVidaLonga

www.joaninhasusana.zip.net

www.cafeconpochoclos.blogspot.com.br

 

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