Acusação de apropriação cultural: tolice

27.08.2017

É muito ruim essa modinha de criticar A ou B por adotar alguma prática que seria típico de outra raça, considerada discriminada, e rotular isso de apropriação cultural.

 

Ou seja, a liberdade de uma pessoal de se vestir, de agir e de se expressar passa a ser vigiada por uma patrulha que decide unilateralmente o que deveria ser apropriado ou não.

 

É uma verdadeira censura e cerceamento, disfarçadas por um discurso modernoso e pretensamente progressista.

 

O Catraca Livre, junto com diversos sites e portais, ultimamente se tornou o rei do mi-mi-mi e vive desse tipo de polêmica barata, boçal e sem sentido.

 

Recentemente o Catraca criticou a Anitta por usar tranças. Isso não é meio demais?

Pintar no estilo desta foto seria apropriação cultural?

 

Como se dizia no meu tempo, esse tipo de “acusação” deve ser  falta de louça para lavar ou de um mato para capinar.

 

O que essa patrulha quer? Que existam castas onde brancos só fazem "branquices"?

 

Brancos não podem cozinhar vatapá, não podem fazer soul music e nem usar qualquer adereço típico dos negros. Senão eles serão acusados de cometer apropriação cultural.

 

E, afinal, em uma terra onde a maioria das pessoas tem sangue que mistura um pouco de negro, índio e branco, onde termina o negro e começa o branco?

 

Se uma garota tem uma avó negra, ela tem permissão de usar tranças? Qual é o limite? Ela precisa parecer negra? O que é parecer negra?

 

Afinal, como diz a velha máxima, se um ato de uma pessoa não prejudica outra pessoa, porque tentar colocar a pessoa em uma caixa, no caso, uma caixa racial.

 

Pelo contrário. Precisamos miscigenar as culturas, as roupas e os hábitos e não trabalhar em compartimentos fechados.

 

Quanto mais as pessoas mesclam suas práticas, mais aceitação isso gera entre os grupos o que redunda em maior integração.

 

 

A música é o exemplo notório dos benefícios de juntar  tudo. A fusão sem limites é que  nos proporciona essa riqueza toda de sons que fazem parte da cultura mundial.

 

A maioria dos estilos de música mais difundidos no mundo nasceu entre os negros. Observem o soul, o R&B, o funk, o blues e o jazz.

 

Hoje todo tipo de pessoa faz todo tipo de música. Graças a Deus!

 

O próprio rock basicamente bebeu do blues e do gospel, com grande influência dos negros norte-americanos.

 

Os primeiros artistas do estilo que veio a ser conhecido como Rock foram Big Joe Turner (a partir de 1939) e Sister Rosetta Tharpe (a partir de 1938), ambos afro-americanos.

 

Os Beatles e os Rolling Stones na década de 1960 são bandas caucasianas que beberam do rock norte-americano e basicamente toda música pop subsequente tem uma influência direta ou indireta dos caminhos que eles abriram.

 

Twist and Shout, um grande sucesso do primeiro disco dos Beatles de 1963, nada mais é do que uma regravação de um grande sucesso na voz do grupo afro-americano Isley Brothers lançado em 1962. A própria música em si foi composta pela fusão dos talentos de um compositor negro e um judeu de origem russa.

 

Hoje se romperam completamente os limites originais da época que cada tipo foi gestado. Assim com muitos brancos tocam blues, existem negros como astros  de música country,

 

Que se derrubem as cercas em tudo.

 

Isso é ótimo e não é apropriação cultural. É integração no sentido mais amplo.

 

As “branquices” e “negrices” deveriam ser de todos. Abaixo os guetos!

 

 

Mulheres negras usam tranças e se relacionam geralmente com negros (e também negras, antes que alguém me patrulhe).

 

Por analogia, então presume-se que esses ativistas deveriam considerar que uma pessoa branca se relacionar com uma negra também seria um tipo de apropriação. Provavelmente não cultural, mas romântico-sexual, agravado pelo estigma que uma pessoa branca poderia se sentir cativada pelo mito da hipersexualidade dos negros, outro ponto sempre destacado por ativistas que denunciam a tal de apropriação cultural.

 

 

As pessoas viajam na maionese. Essa que é a verdade.

 

Elas não entendem que problematizar algo tão corriqueiro é uma perda de tempo e só contribui para perpetuar velhos clichês raciais.

 

Paulo Buchsbaum é alguém muito conectado a todas as grandes questões da atualidade, navegando em áreas tão distantes como Economia, Exatas e Psicologia. Ele atua como consultor de negócios e empreendedor, mas tem paixão por escrever, já tendo 3 livros lançados. Seu site é www.negociossa.com

 

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