Falta de alinhamento entre Saúde, Segurança, Justiça, Conceito de Crime, linhas tênues que matam e agridem a coletividade.

10.09.2017

 

 

 

A arqueologia do Pensamento de Foucault e a realidade dos crimes nas ruas do país, praticados por doentes psiquiátricos.

 

O visionário na loucura, ou a loucura no visionário.

Diante de uma rotina estressante em meio ao ambiente conflagrado, o que é normal no imaginário de uma população que vive em meio ao conflito. Cito conflito indo além do formal embate entre estado e criminalidade, mas sim em um estado geral de violência cotidiana, da falta da cortesia, da lei de Gerson, do "toma lá da cá". Procurar razão científica neste contexto é um desafio para cientistas sociais, psicólogos, pedagogos, para todos.

 

Quando deixamos de ter o bem precioso da liberdade? Quando deixamos nos submeter ao julgo da barbárie? Quando deixamos que os ditos formadores de opinião nos colocassem no lugar de opressores e não de oprimidos, sejam policiais ou civis

trabalhadores. Quando? Como reconstruir a razão, de regras que ordenaram nossa sociedade contemporânea? Ordem, desordem, contexto, evolução.

 

A ordem e desordem de hoje não serão necessariamente a mesma conceituação de amanhã, vide os conceitos de Adorno 1 , sobre a Anomia social, a não aceitação de leis morais e legais por quem não se vê parte do contexto que criou o sistema legal-moral de

determinada sociedade. Do "visionário louco" na idade média, passando a bandido na fase de Descartes , que pode ser naturalmente relacionada a este debate, ou sobre a ideia de Espisteme de Focault, sobretudo nos seus estudos sobre a "loucura", onde a não aceitação de leis morais e legais por quem não se vê parte do contexto de que criou o sistema legal-moral de determinada sociedade, até os postulados de Nise da Silveira e seu movimento contra os manicômios, onde o paciente produz e se insere na sociedade. Diante do exposto, voltando para a questão da violência, a linha tênue entre as influências psiquiátricas nas práticas delituosas deve ganhar notória importância.

 

Não há lado a se defender, tampouco coitados a serem perdoados, nem pré julgamentos sem avaliações sanitárias. O fato é que esta questão ainda é pouco debatida no meio jurídico de forma não polarizada.

 

A doença justifica o crime?

A pobreza justifica o crime?

A falta de estrutura familiar justifica o crime?

 

O que mais vamos aceitar de justificativas para sermos aprisionados em nossas residências. Chega, já deu. Enquanto não se alinharem os órgãos de saúde e o sistema jurídico penal, enquanto não se repensar prevenções, ainda que compulsórias para dependentes químicos que passam a transgredir a ordem, enquanto a família, a escola e o Estado não oferecer tratamento preventivo para evitar o futuro incerto, sofrem todos.

 

Se a Assistência Social e Segurança não quebraram os paradigmas de que não podem atuar em rede, em mútuo apoio, esse quadro só tende a piorar, pois polícia é em geral, a primeira a socorrer ou a ter que prender pessoas com transtornos psiquiátricos, tanto na

prevenção como na repressão, sem o amparo e ajuda dos técnicos no assunto, médicos, assistentes e conselheiros tutelares.

 

Casos raros de sucesso vêm quebrando este paradigma, como operações conjuntas no Rio através do programa segurança presente e em São Paulo através de iniciativas do prefeito local na cracolândia, acredito ainda que provavelmente em outros estados possa existir coisas semelhantes, mas sempre questionados por advogados e ativistas alinhados ao esquerdismo sem conteúdo, do criticar por criticar, que além de palavras sem vazias e brados ideológicos, quase nunca ajudaram efetivamente ninguém.

 

Falar é mole, meter a mão para ajudar o próximo são poucos que fazem, e normalmente quase nunca são reconhecidos.

 

1 De origem judaica, Theodor Wiesengrund Adorno foi um dos expoentes da chamada Escola de Frankfurt, que contribuiu para o renascimento intelectual da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial. Estudou filosofia, sociologia, psicologia e música na Universidade de Frankfurt e, aos 22 anos, foi para Viena, Áustria, onde aprendeu a arte da composição com Alban Berg

 

 

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JAN VAN CREVELD CARVALHO MONTEIRO

 

Especialista em Segurança Pública pela UFF - INeac, pós graduado em ciências sociais e policial há 14 anos, atualmente no posto de Capitão.

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