Todo mundo precisa de gente, não da gente do Facebook (o condicionamento cybernético)

06.09.2017

 Sabe aqueles momentos em que você está só, com um amigo, fazendo confidências, intercambiando conselhos e experiências? Você ainda consegue ter esse prazer quando não há interferências dos demais - sobretudo de quem nem conhecemos - pedindo atenção, muitas vezes sem sentido, menos ainda pedidos de aprovações em fotos e vídeos? Sabe desses minutos de paz sem divulgações de janelinhas pipocando na sua cara atrás de visualizações?

 

Isso é não ter wi-fi? Não, amigo. Isso é conversar. 

 

As ferramentas da era digital mudaram nossa forma de interagir, porém, não acredito que tenham modificado os sentimentos humanos. Estes ainda continuam os mesmos, a necessidade de ser amado, vingado e realizado profissionalmente, a certeza de ser querido, a vontade de sentir-se admirado; e também a segurança quando nos apaixonamos. Todas essas aspirações próprias da vida não escapam aos anseios de todos nós, assim como, o desespero pela liberdade logo após a enfermidade da paixão.

 

Até podemos nos entregar as novas formas de convivência, dentro e fora da tela, como a marcação e desmarcação de compromissos, opções que os Smarthphones nos dão, mas, nada como a sensação do horário cumprido. Não pelo dever, mas pelo possível rendimento e o não acúmulo de pendências.

 

Até que nos adaptamos bem aos "amores líquidos", faz parte. Afinal temos mais tempo para nós mesmos, inclusive, para que nos sintamos solitários e orgulhosos, ainda que passar a vista em "curtidas" recebidas não suavize a vontade de abraçar a pessoa da qual sentimos imensurável saudade.

 

Mas se há algo que realmente me deixa intrigada é a nova maneira de interagir que os aplicativos e redes sociais instauraram dentro da sociedade. De fato, há facilidades no trato às pessoas no que se refere a praticidade das coisas, porém, traz uma certa maleabilidade permissiva, e por vezes, perversa fazendo com que as pessoas tornem-se cruéis e negligentes como se fosse normal.

 

Na verdade, são situações a meu ver, bizarras, e que, até pouco tempo, eram cada vez mais constantes, mas, agora já se converteu na principal forma de nos aproximarmos de alguém. A opção atual soa até mais ridícula que chocante!

 

O que faz um ser humano, de qual gênero for, esperar sair de um ambiente festivo; onde todos têm a possibilidade de interagir através de diversos meios, para fazer contato via Facebook? Faz algum sentido estar fisicamente ao lado de alguém que te interessa, mas, tentar aproximação virtual, para, somente depois, estabelecer contato físico? Claro que a maioria das pessoas tem o direito à timidez, mais ainda a insegurança, o caso é que todos estão tornando-se o que jamais foram por uma questão de condicionamento.

 

A ilusão da proteção que a tela traz está deixando as pessoas extremamente medrosas quando se encontram do outro lado dela. Ao exporem o que pensam quando não navegam virtualmente, agem como mudas para não se comprometerem, ou simplesmente enlouquecem, demonstrando um extremismo desenfreado que relata como o Facebook trabalha o inconsciente alheio.

 

Então, você, representante da raça humana, cuidado para não se tornar um robô programado sem perceber. Ora desvairado, ora recalcado. Toque as pessoas, ria com e delas, brigue, chore, ame e se decepcione. Seja gente, apesar do wifi liberado.

 

 

 

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Susana Savedra

 

É poeta, arte educadora, atriz, modelo vivo e estudante de letras. Integra duas coletâneas, "Lar" e "Baseado na estrada". Para conhecer melhor seu trabalho acesse sua página no Facebook e seus blogs:

Facebook: CurtaPoesiaVidaLonga

www.joaninhasusana.zip.net

www.cafeconpochoclos.blogspot.com.br

 

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