Ele abriu os meus olhos

07.09.2017

 

 


Há 13 anos, o meu passatempo preferido em casa era ler e escrever. Na rua costumava jogar xadrez e futebol com os amigos. Gostava de estar cercado de pessoas (hoje sou um lobo solitário), de ver o circo pegando fogo e de ver a rapaziada em polvorosa.

 

Algumas coisas são inesquecíveis. Lembro que as pessoas não entendiam patavinas do que eu falava. Não que falasse "grego" (mesmo tendo feito Teologia, até hoje não falo), mas é que a minha linguagem era extremamente "Aureliana Miguelina".


E de esquina em esquina, impressionava com o meu português e a minha educação.
Alguns diziam: – Esse rapaz é diferente.

Outros: – Ele é doido mesmo.

 

Mas, a pura verdade é que eu era um poeta do gueto... Um revolucionário de San City (San Martin). Tinha um parceiro que fazia os arranjos das músicas que eu criava. Outrora, andava com uma pasta com algumas letras musicais, mostrava aos "inimigos” (brincadeira, eles eram incorruptíveis) e exclamava: –Olha o que o Charlie Brown Jr. lançou!
Eles: –Pow! Muito massa isso!

Se eu pegasse a mesmíssima letra e dissesse que era uma composição de minha autoria, eles diziam: –Leia Clarice Lispector! 


Um dia esbarrei com um cara dez mil vezes mais maluco-beleza do que todos os outros que tinha conhecido. O cartão de boas-vindas dele foi fazer uma linda canção em 6 minutos na minha frente com papel e caneta, voz e violão.
Fiquei impactado!

Me perguntou: –Onde estão as suas letras?
De forma automática respondi: –Na pasta, na cabeça, no coração e na ponta da língua.
–Quero ouvir!
Não tive coragem de cantar, então só recitei.
 –Meu nome é Henrique Effe, sou produtor musical. E você, a partir de agora, precisa ser o que é.
–O quê? – perguntei querendo saber.
–Um escritor! – comentou Henrique Effe
–Nossa!
Foi como um Major gritando: –Make up your mind! Make up your mind (Faça sua escolha).


Ele abriu os meus olhos, Deus o meu entendimento. Aprendi que nem sempre você conseguirá enxergar onde irá chegar, quem é, e o que precisa ser.
As vezes a sua missão é declarada pela boca dos outros, e a sua vitória é vista por um desconhecido visionário.

 

Deixei ele acreditar por mim... Sonhar por mim.
Me senti um barco sendo puxado por um navio. Precisei transformar força em fé, fé em sonho, sonho em objetivo. Depois disso, compreendi algo tão fácil que pra mim era dificílimo: Posso ser o que quero! Deus me inspirou, a vida me ensinou e o Henrique me instigou. 
Portanto, de uma coisa estou certo:
Você pode ser o que você quiser, basta se esforçar e ter bom ânimo.                        

 

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Gutemberg Correia

 

Formado em Teologia, letrista, poeta, escritor, cinéfilo, musicalmente chato, chocólatra assumido e viciado em livros e séries.

Autor de dois livros ("Mensagens de Deus Via Celular"- Agosto de 2015 & "1 Mês de Poemas" - Abril de 2017), pela Editora Multifoco. 

 

Uma frase o define:

Pernambucano bem-humorado que faz da vida uma arte.

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