Santander: perigo de um retrocesso moralista

11.09.2017

Entendo que o Santander possa ter cometido um erro ao patrocinar uma exposição de arte sem avaliar a repercussão junto a seu público.  Afinal, Santander é uma empresa que visa ao lucro, então tudo que ela faz precisa enxergar quem é o seu público-alvo e o que ele espera da empresa.

 

Concordo também que a exposição aqui e ali apresentou algumas obras que ultrapassaram uma determinada linha divisória, especialmente ao colocar crianças retratadas em algum tipo de contexto sexual.

 

Considero ainda que a decisão de não haver limite de idade para a entrada da exposição foi inapropriada, ao gerar constrangimentos aqui e ali, especialmente para pais desavisados e crianças entrando desacompanhadas.

 

Só tenho medo que a radicalização e a polarização que eu observo nas Redes Sociais descambem para uma verdadeira cruzada moral, estilo a organização Tradição, Família e Propriedade (TFP), que é algo que pode contribuir para retrocessos como a volta da censura, perda da liberdade de expressão e a consequente proibição de filmes, peças e livros. 
 

Não vejo, por exemplo, porque seria tão absurdo existir no Brasil museus dedicado ao Sexo, algo que existe em vários lugares do mundo, desde que haja um limite mínimo de idade para entrada, como existem para filmes ou teatros. Afinal, quem entra, sabe o que espera. Quem acha um absurdo, que fique do lado de fora.


E a coisa pode piorar. Em 14 estados norte-americanos sexo anal era contra a lei até 2003, mesmo para casais de sexo oposto. Houve casos de prisão até por denúncia de vizinhos. Em todos os EUA, exceto no interior de Nevada, prostituição é ilegal, lei que é praticamente inócua e que só aumenta a corrupção na polícia. Mesmo em Cuba, onde a prostituição é ilegal e não falta repressão, a prostituição campeia.

 

Se esse tipo de atitude vingar, obras famosas expostas em lugares públicos, como a réplica de David de Michelangelo (1504) em Florença, se tornariam imorais e depravadas, com brados que isso estaria solapando nossa família cristã.

 

Da mesma maneira que acho uma praga a ditadura do politicamente correto e de algumas teses radicais (mansplaining, apropriação cultural, etc.), não engulo moralistas de plantão que no Facebook falam da destruição da família e na vida privada consomem pornografia e prostituição.

 

 

Paulo Buchsbaum é alguém muito conectado a todas as grandes questões da atualidade, navegando em áreas tão distantes como Economia, Exatas e Psicologia. Ele atua como consultor de negócios e empreendedor, mas tem paixão por escrever, já tendo 3 livros lançados. Seu site é www.negociossa.com .

 

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