A ética e o futebol

19.09.2017

 

Esse final de semana um lance polêmico no futebol levantou um debate sobre ÉTICA. O atacante Jô, do Corinthians, marcou o gol da vitória de seu time com a mão. Esse mesmo jogador fora beneficiado no Campeonato Paulista quando seu adversário, Rodrigo Caio, em uma atitude de fair play, o livrou de um cartão amarelo que o tiraria do segundo jogo. Naquela ocasião Jô elogiou a atitude do colega de profissão:

"Parabéns ao Rodrigo Caio que teve atitude de homem, o futebol precisa disso. É uma amostra de que o futebol está mudando, que dá para ser honesto. Eu fiquei tranquilo porque sabia que não tinha pegado no Renan, mas ainda bem que o Rodrigo teve a honra de admitir"

 

Desta vez, durante as entrevistas, ele alegou que não sentiu onde a bola bateu. Muito difícil acreditar nisso, mas tudo bem. Eu nem iria comentar sobre esse episódio, pois gols irregulares acontecem todos os dias no futebol, até assistir a entrevista abaixo do técnico Cuca. Uma pessoa admirável em seu trabalho, mas que foi muito infeliz em sua colocação.

"Eu conheço muito bem o Jô, foi meu jogador no Atlético-MG. Em 2012 e 13, ele nos ajudou muito. Conheço a índole dele, uma grande pessoa. Não sei se, hoje, o Jô pudesse voltar atrás, se ele não voltaria. Mas eu faço a seguinte pergunta. Nós estamos preparados para isso, a nossa sociedade, para um jogador fazer o gol e dizer que não foi gol? Como a torcida ia se portar em relação a isso? O lance do Rodrigo Caio já foi toda aquela celeuma, imagina o Jô, que ia praticamente tirar do Corinthians dois pontos importantes para o decorrer do campeonato. De repente queria dizer, mas não dá. Nossa sociedade não está preparada para a gente dizer que não foi. Basta ver nossos exemplos, lá no Senado. Os caras lá vão dizer: "Isso aqui não é meu, vou devolver". Os exemplos no país fazem com que, infelizmente, muitas vezes o jogador não possa falar a verdade."

 

Cuca,

Talvez você tenha razão, talvez a sociedade não esteja preparada. Mas os jogadores de futebol, assim como o senhor e os demais formadores de opinião, ídolos de adultos e, principalmente, de jovens e crianças, têm que ser os agentes de mudança.

 

"Como a torcida iria se portar em relação a isso?" Não importa, faça o certo sempre. Pelo menos você será coerente e ajudará a transformar essa sociedade e dormirá com a consciência tranquila.

 

"...que ia praticamente tirar do Corinthians dois pontos importantes para o decorrer do campeonato." Não Cuca, ele não iria tirar, pois esses dois pontos não são de direito do Corinthians. Pela sua lógica, você deve estar agora com pena do Gedel, pois a PF tirou dele R$ 51 milhões.

 

"Os exemplos no país fazem com que, infelizmente, muitas vezes o jogador não possa falar a verdade." Temos que nortear nossas vidas e decisões nos exemplos positivos. E usar os exemplos negativos como motivação para não sermos iguais a eles. Somos todos suscetíveis a erros, mas quando eles acontecem não devemos buscar desculpas na sociedade ou nos erros dos outros.

 

Mais importante que 2 pontos em um campeonato ou na vida é termos a certeza de termos feito a coisa certa. Se você acha que a sociedade não está preparada, ajude a mudá-la e não a cavar o buraco ainda mais fundo. Exemplos ruins, como esse do Jô, vemos todos os dias, mas não podemos aceitá-los como normal e justificá-los baseados na sociedade, pois aí entramos em um loop que nunca conseguiremos sair.

 

Fontes:

 

 

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Paulo Ganime

Participante do Processo Seletivo do Novo com o objetivo de ser candidato a Deputado Federal pelo Rio de Janeiro em 2018. Paulo é Carioca, 34 anos, apaixonado pela cidade do Rio de Janeiro e pelo Brasil. Ele tem 14 anos de experiência nas áreas financeira e de gestão de projetos em empresas multinacionais. Morou 5 anos na França e EUA, gerenciando equipes na Europa, Ásia e Américas. Paulo é formado em Engenharia de Produção pelo CEFET-RJ, estudou Economia na UERJ e fez um MBA na PUC-RIO, além de ter certificação PMP (em Gestão de Projetos).

 

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