Resenha do livro A ÁRVORE DOS ANJOS – LUCINDA RILEY

15.10.2017

Esse livro começou de um jeito e tomou proporções que eu não consegui prever, apesar de ser fã de carteirinha desta autora e já ter lido toda sua obra. O bom é que isso provou o que eu já sabia: Lucinda Riley é de fato uma excelente escritora, pois consegue trazer histórias únicas, que aparentemente têm uma temática igual a tantas outras, sem cair na mesmice.

 

 
E essa é mais uma boa história, onde temos Lucinda usando novamente uma formula marcante na sua escrita quando trabalha alternando presente e passado, e que nesse romance vai nos fazer conhecer a história de vida de Greta, uma senhora de 58 anos que apesar de jovem em idade, tem tantas histórias que parece que elas não vão caber nesses seus 58 anos.

Quando começamos a ler o livro percebemos que Greta teve sua memória apagada após ser atropelada e passar algum tempo em coma. Do acidente não ficou absolutamente nenhuma sequela física, mas em compensação toda sua vida virou um vazio, onde ela não sabe mais quem é e nem quem foi, o que fez e nem ao menos que teve filhos...  sua vida tornou-se um nada, seu passado foi apagado e o seu presente é totalmente solitário: vive isolada em seu apartamento, não sai muito porque tem medo do mundo exterior e agora é apenas uma sombra do que foi um dia.

Ao seu lado teve sempre o amigo David Marchmont. Ela e David se conheceram quando jovens, logo ao final da segunda guerra mundial, e trabalhavam no teatro: ela como dançarina sonhando em ser atriz e ele como comediante em início de carreira.

Na verdade o livro começa no Natal de 1985, quando finalmente Greta aceitou passa-lo no Solar Marchmont, um local em que há anos ela não coloca os pés. Esse é o lugar que um dia foi seu lar e de onde saiu fugida, carregando apenas suas poucas economias, suas roupas e sua filha Cheska.

Após mais de trinta anos desde a sua fuga, Greta não só retornará ao local onde sua história com os Marchmont começou como também terá de volta sua memória, ainda que por vezes confusa e com lacunas, após o choque de ver o túmulo de seu filho morto aos três anos... Com a ajuda de David ela vai preencher os vazios dessas lembranças, e colocar em ordem todo o mistério que envolve a sua vida e a de sua filha Cheska: da sua gravidez precoce em 1946 até os dias atuais ela vai ver um verdadeiro filme passar na sua frente, tendo ela, Cheska e David como artistas principais!  Vai se lembrar de tudo por que passou, desde a gravidez, do casamento, da dolorosa e inesperada perda do filho, da luta pela sobrevivência com a pequena Cheska após sua fuga de Marchmont, do sucesso estrondoso da filha como atriz precoce e sua gravidez também prematura até a briga que mudou tudo... Enfim, é com capítulos alternados entre passado e presente que a autora nos leva a cobrir os quase quarenta anos de uma vida que estava apagada, que não existia para Greta...

O que achei mais legal foi que outra vez a autora não tentou ou quis passar a impressão de que seus personagens são perfeitos e/ou totalmente imperfeitos (afinal, o que é a perfeição???), sempre tomando o cuidado de mostrá-los aos poucos, de maneira que fôssemos conhecendo-os e nos envolvendo em seus dramas, alegrias e dores. O livro também possui toques surpreendentes de suspense, adrenalina e muita emoção na dose certa.

Enfim, é a história de três gerações afetadas por uma escolha: Greta, Cheska e Ava (não vou dar spoiler)...

“A árvore dos Anjos”, como a autora nos conta em uma nota ao leitor no fim do livro, é fruto de uma revisão de um dos seus primeiros romances, chamado “Não exatamente um anjo”, publicado em 1995, quando ela usava o pseudônimo literário de Lucinda Edmonds. Essa contadora de histórias de quem eu tanto gosto também diz nessa nota que mudou muita coisa no livro original, inclusive o destino de alguns personagens. Confesso que fiquei bastante curiosa em saber quais seriam eles, pois ao terminar a leitura fiquei um bom tempo analisando toda a história e pensando em tudo o que Greta poderia ter feito de diferente para evitar o que aconteceu com alguns deles, e até me ocorreram muitas ideias... Bom, mas eu não sou escritora, sou apenas uma leitora ávida por boas histórias e essa, com certeza, foi mais uma boa história que li, na verdade uma excelente história!

 


 

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

 

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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