Resenha do livro EU SOU O PEREGRINO – TERRY HAYES

11.11.2017

 

 

Eu sou o Peregrino, originalmente lançado em 2013, é o livro de estreia do britânico Terry Hayes. Além de escritor, ele é roteirista e produtor de cinema. O livro recebeu em 2014 o Nacional Book Awards do Reino Unido como melhor Thriller.

 

Uma amiga me falou desse livro, que era um thriller (gênero que eu amo), e me emprestou o dela: resolvi ler logo pensando que fosse volume único, no entanto, trata-se de uma trilogia, o que sempre me deixa bastante ansiosa. Mas no caso específico desse livro fiquei bem tranquila, pois a história deixa apenas um gancho no final que poderá ou não dar continuidade à trama, não compromete absolutamente em nada o conteúdo desse volume: ele tem começo, meio e fim.

 

Na verdade o que vamos acompanhar é uma história que segue os passos de dois personagens distintos: um ex-agente de uma divisão secreta do governo norte-americano, atualmente aposentado – codinome, o “Navegante” e que aqui nesse livro será o “Peregrino” –, e um terrorista muçulmano – o “Sarraceno”, que odeia todos os povos, principalmente e mais intensamente os americanos.

 

O livro começa despretensioso, como um thriller qualquer e logo nas primeiras páginas nos deparamos com um assassinato brutal no quarto 89 do Eastside Inn em Nova York. E o agente Peregrino, chamado por um policial local, parece não encontrar nenhuma pista na cena do crime, a não ser pelo livro que ele mesmo escreveu e tudo indica que o assassino seguiu todas as "instruções" que lá encontrou, e também não deixou indício nem mesmo de quem era a vítima. Tudo pronto para começar um thriller daqueles eletrizantes...

Enquanto isso, do outro lado do mundo, o Sarraceno começa com os seus planos de um atentado que promete dizimar boa parte da população mundial, começando obviamente pelos Estados Unidos. O terrorista desenvolveu um agente biológico de grandes proporções e propagação violenta. Planeja um ataque que se iniciaria nos EUA como já adiantei e se propagaria para os demais continentes, dando origem a um genocídio em massa, que depois de ser colocado em marcha pouco ou quase nada se poderia fazer para deter a marcha de destruição.

 

Quando um bilionário norte-americano morre de maneira suspeita na Turquia, o Peregrino tem a desculpa ideal para investigar, em nome do governo americano (adeus aposentadoria!!!), a localização do Sarraceno, enquanto assume a identidade de um agente da CIA e lá ele começa a fazer algumas conexões com o crime cometido em Nova York. Gostei de como o autor conseguiu interligar todas as sub-tramas com a principal, sem deixar pontas soltas ou tornar a história artificial. É claro que aconteceram algumas “coincidências” que ajudaram bastante, mas acho que isso faz parte de qualquer livro e/ou filme desse estilo, não há como evitar...

 

O Sarraceno, vilão da história, teve uma vida difícil na Arábia Saudita, onde ainda bem jovem presenciou a decapitação do pai devido a uma afronta à família real. Ele planejou sua vingança por anos, alimentou o seu ódio lutando ao lado de grupos terroristas até se tornar uma lenda, quando então optou por continuar seu caminho sozinho, estudou medicina e assumiu uma nova identidade. É um personagem solitário e bastante complexo, os capítulos com ele são tão densos, tão carregados de tensão, frieza e força negativa que por vezes até me deixavam angustiada.

 

O autor usa e abusa da geografia, nos levando em viagens por diversos países como a Arábia Saudita, o Líbano, o Afeganistão, o Bahrein, a Turquia e muitos outros — percorrendo desde um bairro parisiense bastante chique até as montanhas sem nome do interior do Afeganistão, inserindo-nos em contextos complexos de conflitos religiosos e culturais que na verdade são muito mais profundos do que como aparecem aqui onde ele dá apenas algumas pinceladas sobre esses assuntos, mas sempre o suficiente para nos ajudar a entender alguns pontos (e muitas coisas nós já temos até uma pequena noção por conta da globalização). Ele descreve situações, paisagens e procedimentos que dão bastante autenticidade à história e tornam o livro até bem descritivo, mas como não se prende muito aos pequenos detalhes não fica cansativo, pois essa abordagem é feita de uma maneira que foca apenas no suficiente para que possamos compreender o contexto geral.

 

Uma coisa que me chamou a atenção foi como o autor trata os personagens secundários: eles não possuem muita importância, estão ali para dar suporte e sustentabilidade à narrativa e funcionam muito bem nessa função, estão bem elaborados. Gosto dessa maneira como Terry Hayes colocou esses ditos personagens secundários, dando a eles o espaço suficiente para que cumpram sua função sem, contudo parecerem inúteis.  Acredito que é uma leitura que acaba agradando tanto aos amantes de thrillers como também aos que gostam de viajar para lugares exóticos e de conhecer novas culturas (mesmo que aqui o autor não se aprofunde muito, essas passagens e paisagens são muito bem descritas: num filme devem ficar maravilhosas – não fosse ele um roteirista famoso de cinema!).

 

Eu sou o Peregrino, com suas quase 700 páginas, no começo pode assustar um pouco pelo seu tamanho, mas os capítulos são curtos, a leitura é fluída, e quando você termina cada capítulo, já dá vontade de começar o próximo pra saber o que vai acontecer, e assim a leitura passa literalmente voando. Na verdade, como todo bom thriller (e esse é excelente), o livro possui todos os ingredientes necessários para prender a nossa atenção, pois traz uma narrativa eletrizante do início ao fim, com uma corrida contra o relógio que vai definir o futuro de muitos, tudo em capítulos pequenos e muito bem engatilhados uns aos outros. Eu gosto muuuuito dessa corrida louca!

 

Resumindo, temos um thriller investigativo que prende a nossa atenção: atentados terroristas, crimes sem explicações aparentes, CIA, mundo de espionagem e Casa Branca - esses ingredientes formam o suspense perfeito e Eu Sou O Peregrino é exatamente isso, mesmo com suas “coincidências” que muitas vezes ajudam o desenrolar da história, mas isso faz parte de qualquer coisa desse gênero, seja livro ou filme. O desfecho da história é surpreendente e deixou um gatilho, como falei logo lá no início da resenha, que dá margens a uma continuação, que também se não acontecer... só esse livro já está de bom tamanho, é muito bom!

 


 

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

 

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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