Bolsonaro, não!

06.12.2017

 

Considero o Bolsonaro um péssimo candidato para 2018, embora  ache o Lula ainda pior, caso  o pêndulo levá-lo ao Planalto e não à prisão.


Vejo com preocupação a ascensão de Bolsonaro, porque ele fala coisas que a parcela mais humilde gosta de ouvir.  Assim, ele termina tendo chances reais de se eleger.

Bolsonaro está tentando conquistar corações e mentes da elite liberal, ainda que suas ideias em palanque sempre tiveram fortes tintas nacionalistas e estatizantes, ao atrair figuras de renome como o economista Paulo Guedes.


Bolsonaro faz isso para tentar seduzir a grande mídia, que, por sua vez, tem potencial de influenciar o povão. Ou seja, o ideário liberal em si não tem poder atrativo junto ao povão,  até porque a maior parte da população sequer sabe o significado dessas palavras. No entanto, a mídia, como um todo, é influente.

Bolsonaro, daqui para a frente, terá dois públicos: o povão, que gosta de ouvir dele "bandido bom é bandido morto"  e os formadores de opinião, que  vão ter a acesso a um Bolsonaro recauchutado pela sua assessoria e pelo media training:  propositivo, liberal e "paz e amor". Ambas públicos serão atendidos, meio como  O Médico e o Monstro.

 

Bolsonaro, mesmo com ideologia oposta, tem uma estranha similaridade de estilo com a centralizadora e motoniveladora Dilma, que  não deu autonomia nenhuma a Joaquim Levy, o único Ministro da Fazenda liberal de Dilma, até pedir o boné.

 

 

As  ideias de Bolsonaro cabem em um porta-moedas bem minúsculo  e ele é mais superficial do que a piscina de um bebê recém-nascido.

Educação  vai muito além  da Escola sem Partido e banir cartilhas de sexo. A Educação está falida no Brasil e não é por falta de escolas, alunos, professores e horas-aula. É por carência total de qualidade.

Segurança é muito mais complicada do que apenas armar o cidadão e a polícia matar bandidos. Falta, dentre milhares de coisas, inteligência, planejamento e um combate sem tréguas à corrupção na esfera policial.

 

Economia é muito mais elaborada do que dizer que o Nióbio é nosso  e outros bordões tipo Enéas, que o Bolsonaro ecoa por aí.

Honestidade  é muito mais profunda do que bater no peito a dita cuja. leia sobre as duas casas que ele comprou na praia da Barra, com indícios fortes de subfaturamento e incompatibilidade com seus rendimentos declarados.

 

Boisonaro é uma pessoa que está sempre no limiar do imprevisível. Qualquer pessoa com um mínimo de controle não teria dito para Maria Rosário (e olha que não gosto dela também) que não a estupra porque ela não merece, no meio da tribuna do Congresso. 

 

Como se diz:  a palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro

 

Ou seja, quase 30 anos depois ele ainda tem traços do destemperado que se envolveu, enquanto  estava no Exército como oficial, com aquela presepada da quase bomba em 1987 por questões salariais.

Como pessoa que vive por muitos a vida corporativa como Consultor, acho que falta para Bolsonaro qualquer vestígio de liderança, gestão, articulação, poder de negociação, conciliação, conteúdo e projeto.
Duvido que qualquer dos seus ilustres  votantes gostaria de ter ele como chefe.  Ele é do pior tipo: Ignorante, sabichão, prepotente, grosseiro, autoritário, instável, irascível e teimoso.


Por longos 26 anos, Bolsonaro exerce o cargo de Deputado Federal, nunca tendo alçado voos maiores na Política. Nesse tempo todo, mesmo tendo apresentado muitos projetos, só logrou êxito em 2 deles: extensão da isenção de IPI para bens de informática e uma lei que autorizou a venda da chamada pílula do Câncer (que se revelou um fiasco). 

O Trump, seu congênere boçal norte-americano mais rico e trabalhador, pelo menos, ainda que por vias algo questionáveis, teve um tremendo sucesso em sua carreira empresarial.

A verdade é que o cenário eleitoral em 2018 está desolador: Ciro "boquirroto" Gomes, Geraldo "chuchu" Alckmin (se a Lava Jato não chegar primeiro), Marina "insossa e confusa" Silva, ...

 

★ ★ ★

O Partido Novo vem com ótimas ideias e o candidato a presidente  João Amoedo, mas é um grande e caro desafio  atingir corações e mentes de um povo com um nível tão baixo de informação e altamente suscetível a truques baratos de Marketing. 

 


 

 

Paulo Buchsbaum é alguém muito conectado a todas as grandes questões da atualidade, navegando em áreas tão distantes como Economia, Exatas e Psicologia. Ele atua como consultor de negócios e empreendedor, mas tem paixão por escrever, já tendo 3 livros lançados. Seu site é www.negociossa.com.

 

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