Resenha do livro O LEGADO – JENNIFER HAIGH

11.12.2017

 

O Legado é a simples história de uma família, com todos os seus altos e baixos, que no caso específico desse livro trata da vida dos McKotch da Nova Inglaterra que depois de passarem mais um verão em Cape Cod, como faziam há várias gerações veem desmoronar aquele retrato de “família modelo” criado já tem tanto tempo...

Tudo começa a ruir a partir da constatação de que existe algo de errado com Gwen, a filha do meio do casal Paulette e Frank: ela, a mãe, uma mulher fina, requintada, puritana e ciumenta que traz como herança dos tataravós a educação, o refinamento e o respeitado sobrenome Drew, e quer seja por seu temperamento, quer por um sistema de autodefesa não consegue ver e/ou aceitar que exista algo com a filha... Ele, o pai, de origem proletária e ascendência eslava, é um cientista brilhante do Instituto de Massachusetts e obcecado pelo trabalho, vinha de uma família não tão glamorosa como a da esposa, pois ao contrário dela que frequentou as melhores escolas, viajou muito, foi tratada com carinho, orientada e custeada na juventude, Frank veio de uma família onde a mãe morreu cedo e o pai se tornou uma pessoa carrancuda e silenciosa, melancólica, fatalisticamente devoto, arrastando-se pelos anos numa paciência muda como se à espera do término de sua vida, enfim, formavam um casal com origens, educação e socialmente bem diferentes, mas que tinham uma família aparentemente de porta-retratos!

Então vamos ter logo no início a família McKotch, Frank, Paulette e seus três filhos, Billy, Gwen e Scott, três crianças encantadoras que parecem fadadas ao sucesso, em 1976 na bucólica “Casa do Capitão” em Cape Cod, onde se reuniam com o restante da família Drew para mais um verão! Só que ninguém imaginava que este seria o último verão com todos reunidos assim, pois um ano depois o casal estaria divorciado...

Passam-se vinte anos e vamos saber o que aconteceu com cada membro dessa família: Gwen foi diagnosticada com a síndrome de Turner (condição genética que impede o corpo de atingir a maturidade plena), então continua a parecer uma menina cujas habilidades sociais não foram bem desenvolvidas, mas que estudou, se formou e agora trabalha em um museu. Uma moça que vive no seu mundinho, aparentemente satisfeita, feliz e sem problemas.

Scott, o mais novo dos filhos, durante a adolescência se viu envolvido com drogas, completamente desajustado, e hoje tem um trabalho ingrato, um casamento bastante questionável, dois filhos, uma vida confusa e que parece não ser feliz nem estar satisfeito com nada.

Bill, o filho mais velho, é um cardiologista bem-sucedido em Manhattan e que mantem sua vida amorosa bem escondida da família.

Paulette, cuja vida aristocrática foi se deteriorando aos poucos já que seu pai acabou com a fortuna da família, ainda alimenta velhos ressentimentos pelo ex-marido Frank, que continua sendo um brilhante cientista, sempre atrás de novas descobertas e de um reconhecimento no meio acadêmico que parece estar perto de finalmente se tornar realidade através de um prêmio do Instituto onde ainda continua com suas pesquisas.

Resumindo, os cinco McKotch têm dificuldade de lidar com o que se tornaram após vinte anos do diagnóstico da doença de Gwen, o que foi que de um certo modo acabou separando a família. E é justamente por causa de umas férias confusas de Gwen, não vou detalhar para não dar spoiler, que os McKotch vão se encontrar num beco sem saída e terão que tentar ser novamente uma família, superando e aceitando suas diferenças e a falta de comunicação que se estabeleceu entre eles. É como se após mais de vinte anos de um exílio auto imposto inconscientemente eles precisassem voltar para casa para reconstruir aquilo que nunca quiseram perder, ou seja... a sua família!

É um relato interessante do atribulado histórico de uma família que num determinado momento perdeu a capacidade de se comunicar e todos começaram a agir como se fossem estranhos. Mas a verdade é que nunca deixarem de se amar, nenhum deles deixou de lado aquele sentido de família que todos temos dentro de nós e que agora, num momento de uma certa tensão... veio aquela enorme vontade enorme de resgatar: uma história simples assim!

 


 

LEIA MAIS 

 Outros livros recomendados:

 

-  Análise do livro NINFEIAS NEGRAS de Michel Bussi por Maria Claudia

-  Crítica do livro Um Mais Um de Jojo Moyes por Maria Claudia

-  Os Cães nunca deixam de amar de Teresa J. Rhyne recomendado por Maria Claudia

-  O Tempo entre Costuras de María Dueñas  recomendado por Maria Claudia

-  Destino La Templanza de María Dueñas recomendado por Maria Claudia

-  A Maleta da Sra. Sinclair de Louise Walters  recomendado por Maria Claudia

-  A Lógica do Cisne Negro de Nassim Nicholas Taleb recomendado por Paulo Gustavo Ganime

- A livraria dos finais felizes de Katarina Bivald recomendado por Maria Claudia

- O Amante Japonês de Isabel Allende recomendado por Maria Claudia

 

Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

 

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

Please reload

 SIGA-NOS AQUI TAMBÉM 
  • Facebook B&W
  • Twitter B&W
  • Instagram B&W
 os mais RECENTes : 

August 6, 2018

August 3, 2018

July 18, 2018

July 11, 2018

Please reload

Please reload

Copyright © 1Olhar 2017

  • Grey Facebook Icon
  • Grey Twitter Icon
  • Grey Instagram Icon

O 1 Olhar é uma plataforma colaborativa com mais de 50 colunistas compartilhando o olhar, a opinião de pessoas normais sobre os acontecimentos que nos cercam.

Quer colaborar? Entre em contato